"Abre a romã, mostrando a rubicunda Cor,com que tu, rubi, teu preço perdes; (...........)" Luis Vaz de Camões, Os Lusíadas,IX,59
terça-feira, dezembro 28, 2004
que venham rosas
que venham rosas descer pela chaminé
e outros sinais avancem em direcção ao sonho.
que o mar vagueie terno pela terra,
sem cadáveres,
pernoite nas palavras,
saliente em hélice o hálito do amor.
e uma lua cresça no teu corpo
na serenidade das coisas que te acordam
como uma flor
na verdade que outros sois inventam.
mariagomes
28.dez.2004
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12/28/2004 11:53:00 da tarde
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segunda-feira, dezembro 27, 2004
o que diz o poeta...
(foto de Eduardo Simões)
A poesia
é uma família
dispersa
de náufragos
bracejando
no tempo
e no espaço.
Augusto de Campos
in Verso Reverso Controverso, 1978.
Ed. Perspectiva.
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12/27/2004 01:05:00 da tarde
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sábado, dezembro 25, 2004
quando eu nasci
g
" Quando eu nasci, já as lágrimas que eu havia
De chorar, me vinham de outros olhos."
Dante Milano
quando eu nasci havia uma praia de fogo
e de palha
os olhos verdes da minha mãe vigiavam o mar
por uma lágrima
solitariamente os homens abriam o sol ardia a verdade
de um fulgor infinito
quando eu nasci existia um grito
igualmente as estrelas compunham a cor.
mariagomes
dez.2004
" Quando eu nasci, já as lágrimas que eu havia
De chorar, me vinham de outros olhos."
Dante Milano
quando eu nasci havia uma praia de fogo
e de palha
os olhos verdes da minha mãe vigiavam o mar
por uma lágrima
solitariamente os homens abriam o sol ardia a verdade
de um fulgor infinito
quando eu nasci existia um grito
igualmente as estrelas compunham a cor.
mariagomes
dez.2004
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12/25/2004 07:14:00 da manhã
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“(...) os poetas (...), esses briguentos seres desequilibrados, que falsamente se intitulam apóstolos, mas, em dupla, roem a carne do terceiro. Os poetas, que cantam a pureza, mas que passam ao largo até das proximidades de um banho. Os poetas que esmolam de todos, até dos mendigos, só uma pequena chamada, só um pouco de carinho, só esmolam uma estatuazinha na esquina, a esmola da imortalidade dos mortais, esses cabeças-de-vento, invejosos, pálidos masturbadores, que venderiam sua alma por uma rima, por uma indicação, que expõem no mercado seus segredos mais íntimos, que tiram vantagem até da morte de pais, mães, filhos, e mais tarde, anos passados, ‘numa noite de inspiração’, quebram suas tumbas, abrem seus caixões, e com a lanterna de gatunos da vaidade pesquisam ‘emoções’, como ladrões de tumbas procuram dentes de ouro e jóias, depois confessam e se arrependem, esses necrófilos, esses feirantes. Desculpem, mas eu os odeio.”
Dezsö Kosztolányi, poeta e romancista húngaro ( 1885-1936)
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12/25/2004 06:50:00 da manhã
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sexta-feira, dezembro 24, 2004
Giordano Rizzardi, Cristo, 2003
"Estamos a sentir a tua falta, pá...
Isto tinha mais piada se tu abrisses um bocadinho o jogo.
Se tornasses inquestionável a tua existência.
És um Deus, que diabo, o que perdias tu com isso?
Desta vez não virias como homem, assim como te conhecemos,
guedelhudo, magricelas, o corpo enrolado nuns trapinhos, meio
Jim Morrison, meio Mahatma Gandhi. E não levarias tanto tempo como 33
anos a fazer efeito.
Terias que ser outra coisa. Uma água de chuva, uma água que caísse
de um céu imaculadamente azul, directamente da fonte divina.
Uma água que emendasse o que está mal. Fertilizasse o que está seco.
Uma água impossível de conceber. Vês?
Não beliscaríamos a tua natureza metafísica. Serias um espírito áqueo
e santo. A diferença é que poderíamos guardar-te em reservatórios e
distribuir-te através da rede pública.
E, assim, te teríamos numa sopa,
numa piscina, num copo, num chichi, numa lágrima.
Existirias em nós; não serias, como agora, uma alegoria algures no
coração e apenas alcançável pela virtude da fé.
És muito difícil, meu. E a tua malta aqui no terceiro planeta é um bocado
passada dos carretos.
Se fosses água, era entre mim e ti. Podia beber-te, podias dessedentar-me.
A verdade é que estamos a sentir a tua falta, pá. Não desse corpo que
abandonas-te numa cruz e que hoje faz de ti uma vedeta universal.
É um corpo que já não habitas, que importância pode ter?
Lembra-nos que somos mortais, e isso não é bom. Angustia-nos.
Mas se voltares, desta vez, fica por cá, evidentemente para todos.
Escolhe uma forma de ser. Eu falei-te da água. Mas podes regressar
como fogo e existirás num cigarro aceso; como vento e impregnarás o ar que
respiramos; como terra e serás a fonte da nossa sobrevivência.
Qualquer coisa que possamos sentir a todo o momento e nos torne mais
sábios, mais tolerantes,mais gregários.
Depois, teremos tempo para discutir a questão do bacalhau,
do peru, e das rabanadas.
Mas por mim e já que se fala nisso, pode perfeitamente continuar na noite
de 24 para 25 de Dezembro..."
Fernando Marques
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12/24/2004 03:07:00 da tarde
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domingo, dezembro 12, 2004
" O abandono. O vazio. A indiferença. Tudo está feito, o que tinhas a dizer já o disseste, os que dialogavam contigo para estarem de acordo ou te insultarem foram recolhendo ao silêncio definitivo. É a hora de te ires calando também, recolheres à aposentação de falares e de ouvires. Porque nenhuma palavra é já para ti e assim nenhuma é tua para os outros. Mas a tua língua move-se ainda, entre ela e a palavra, mesmo que seja só um nome, há uma ligação que nada pode cortar. Fala para dentro. Chama para dentro. E poderás circular entre os homens sem que te metam num manicómio."
Vergílio Ferreira
in " Escrever"
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12/12/2004 09:33:00 da tarde
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segunda-feira, novembro 29, 2004
além do muro
viras-te para a vida
e os cipestres atrevem-se além do muro.
na aurora fria cintila ainda a noite
aquele compromisso claro
de celebrar a necessidade de ser criança.
mariagomes
nov.2004
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11/29/2004 01:04:00 da tarde
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domingo, novembro 28, 2004
Daniel Faria ( 1971- 1999)
Sabes, leitor, que estamos ambos na mesma página
E aproveito o facto de teres chegado agora
Para te explicar como vejo o crescer da magnólia.
A magnólia cresce na terra que pisas - podes pensar
Que te digo alguma coisa não necessária, mas podia ter-te dito, acredita,
Que a magnólia te cresce como um livro entre as mãos. Ou melhor,
Que a magnólia - e essa é a verdade - cresce sempre
apesar de nós.
Esta raiz para a palavra que ela lançou no poema
Pode bem significar que no ramo que ficar desse lado
A flor que se abrir é já um pouco de ti.
E a flor que te estendo,mesmo que a recuses
Nunca a poderei conhecer, nem jamais, por muito que a ame,
A colherei.
A magnólia estende contra a minha escrita a tua sombra
E eu toco na sombra da magnólia como se pegasse na tua mão.
Daniel Faria
Do livro "Dos Líquidos"
In Anos 90 e Agora, Uma Antologia da Nova Poesia Portuguesa
Edições Quasi, Vila Nova de Famalicão, Maio de 2001
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11/28/2004 10:08:00 da tarde
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quinta-feira, novembro 25, 2004
o que diz o poeta...
albano martins
(...)
No seu novo livro Três Poemas de Amor seguidos de Livro Quarto, diz que «As palavras / só conhecem o limbo, a rigorosa / película da sede». As palavras são o rebordo ou o interior do ser?
São o rebordo, mas é o interior que elas buscam. A palavra é, em sentido etimológico, a parábola, termo de origem grega que, entre outras coisas, significa «semelhança», «comparação». Compara-se o que se conhece, o que se mostra ou «aparece» ao olhar. Visando embora a essência, é só a aparência (o rebordo) que as palavras cingem.
Quando na sua poesia, em mais de 50 anos de vida literária, fala, por exemplo, do «esplendor da carne», é em si um sentimento de totalidade?
É a afirmação, sem receios e tabus, da beleza do corpo, contra a moral hipócrita e repressiva que vê a nudez (ou a carne) como um pecado e a alma como uma entidade separada do corpo. Não há, porém, alma sem corpo, ou vice-versa. Eles são a demonstração da operação matemática estabelecida por Almada Negreiros em que 1+ 1 é igual a 1.
Nessa soma ontológica, nessa unidade, o poeta será um corpo inexplicável em que «São vivas todas as marés»? Estou a citar um poema seu...
Inexplicáveis são às vezes as marés, que tudo submergem ou subvertem, ao arrepio da vontade. Mas é melhor, então, aceitar o embalo da onda e naufragar, talvez, ou, como diz o meu amigo, pintor e poeta Cruzeiro Seixas, «morrer em pleno voo».
ALBANO MARTINS em entrevista a
MARIA AUGUSTA SILVA
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11/25/2004 06:51:00 da tarde
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sem luar
Gloria Baker Feinstein, b.1954
gradeias lágrimas neste céu
sem luar são passíveis as janelas
procuras a maneira finita da neve que cai nas estrelas
em nenhuma viagem foste tão longe
ao pormenor do sol subentendes a distância
e no entanto o mar parecendo pouco é teu
será sempre um ventre aberto onde pairam
gaivotas precoces onde perto gravita o vento.
mariagomes
nov.2004
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11/25/2004 04:16:00 da tarde
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quarta-feira, novembro 24, 2004
em grieg
habito o sentido de uma linha secreta
um corpo
esta marca que trago
em grieg tenho a alma os lábios
os olhos indo
como se uma primavera me fechasse
como se houvessem flores espelhadas
e dos caminhos o sol saísse.
mariagomes
nov.2004
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11/24/2004 01:30:00 da tarde
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domingo, novembro 21, 2004
apaguem todos os meus poemas...
apaguem todos os meus poemas de noite numa insónia funda
deixem que o branco vingue
como o silêncio dos planaltos longos onde me demorei.
estive somente a sacudir manhãs que dominam a dor.
agora que os caminhos estreitam
partem imagens absurdas cores cheiros
e mais qualquer coisa que criei em frente aos espelhos.
mariagomes
21.nov.2004
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11/21/2004 08:48:00 da tarde
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sábado, novembro 20, 2004
Um poeta, um amigo *
OUTONAL
Cai uma folha no poente destes dias
O que era nítido torna-se difuso
Babel renasce em cinzas de um deserto próprio
E o vento busca em vão uma harmonia
A solidão é em mim um oásis às avessas
Lutando em vão contra a miragem certa
*Amélia Pais
outono - José Malhoa (1855 - 1933)
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11/20/2004 05:26:00 da tarde
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domingo, novembro 14, 2004
dentro do peito
a lua nascida nas tuas mãos de longe
um saibro na linha visível, o cansaço,
quase perfeito o escândalo do sol
guardo tudo, meu amor, dentro do peito.
o sândalo de labaredas que engolem a eito
túneis de lágrimas alheias
guardo tudo, meu amor, dentro do peito.
o coração, a denúncia sonâmbula de sorrisos,
ruídos de substâncias órfãs, sem idade
um homem feito que corrompe a claridade
guardo tudo, meu amor, dentro do peito.
a ânsia do verbo mal trajado, de um poema longo
o leito alado da neblina nua, o sal mendigo da rua,
guardo tudo, meu amor, dentro do peito.
guardo cidades, torres a tiro, madrugadas,
um frio, o brilho de rosas em ruína,
um defeito, vazios, tudo que haja, meu amor,
eu guardo dentro do peito.
mariagomes
nov.2004
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11/14/2004 01:36:00 da tarde
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sexta-feira, novembro 12, 2004
o sangue que me nutre
vejo a foz das palavras famintas
no descanso dos teus dedos.
sigo o curso das escamas ardentes neste outono.
a pétala do teu sonho dilui o vento
no areal interno da luta.
vem. sobram asas sobre o mar desabrigado.
vem anjo sedutor proferir a oração o fim
a lâmpada acesa do meu ser.
obriga um rio a correr. obriga o grito
o sangue que me nutre a dizer.
mariagomes
12.nov.2004
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11/12/2004 03:09:00 da tarde
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quinta-feira, novembro 11, 2004
o que diz o poeta...
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa
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11/11/2004 03:40:00 da tarde
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quarta-feira, novembro 10, 2004
" Maternidade" José Sobral de Almada Negreiros (1893 - 1970)
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11/10/2004 06:31:00 da tarde
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terça-feira, novembro 09, 2004
a noite
a noite vingou num colo de palavras
é um canto perpétuo de luz
ó mãe as aves calçam o silêncio
e uma boneca impossível estende-lhes os braços.
mariagomes
nov.2004
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11/09/2004 04:32:00 da tarde
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sábado, novembro 06, 2004
o gesto do olhar
eu fico-me pelo soco da lembrança
de um deserto
deito-me na noite plana
na superfície de sonhos vivo
hei-de escrever um epitáfio em estanho
a boca em eco
o amor crivado de memória
hei-de escrever o horizonte
o gesto do olhar
a pedra
na história angular da nossa história.
mariagomes
6, nov.2004, 23h.35m
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11/06/2004 11:51:00 da tarde
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Conferência de Agostinho de Campos ( 1923)
(…)
“ quando eu era rapazinho, corria oralmente, entre os liceais meus camaradas, um bocado de “prosa riquíssima”, que eu decorei então, e nunca mais me esqueceu. Vou recitá-lo com a minha melhor entoação:
“ Acuminado pela sede de cascabulhar na caligem bruna dos tempos cadilhos edulcorados de cadoxos em estropiação acpacmásticas, exausto-me em pélagos de polimorfias eméticas, onde em vez de campanarem faces ebóreas de empubescimento acariante , enfrento apenas múmias egras dum calecedonismo de carpólilhos”
Nós, rapazitos, passávamos, uns aos outros a tradição deste saboroso petisco, que não sei de onde veio. Íamos aos nossos dicionários e encontrávamos lá todas as estupendas palavras de que ele se cozinhou. Mas não ficávamos por isso muito mais adiantados a respeito da sua beleza e significação.
Ora isto é mais sério do que parece, porque a idade a que cheguei já me permitiu ver que um ou outro literato e político tem feito muito boa carreira, a dizer ou escrever coisas que não se entendem muito melhor do que aquilo. E a mim parece-me que para a nossa política e toda a nossa vida social entrarem no equilíbrio, na ordem, no sentido das proporções e no próprio senso-comum, não deve ser indiferente que a literatura lhes dê sempre este mesmo e tão saudável exemplo.
Quem pensa claro, fala claro. Quem sente nobremente expõe a sua alma em termos simples. Quem é sincero execra a pompa no dizer, máscara de vaidade, pretensão e hipocrisia. Quem não pretende ou não precisa de meter os pés pelas mãos ou as próprias mãos nas algibeiras dos outros não transforma a palavra num feitiço misterioso e difícil, isca de ignorantes e ingénuos, inclinados a achar poderes sobrenaturais naquilo que não entendem.
E eis aqui uma grave dificuldade, uma contradição e quase um paradoxo: para sentir o valor da palavra simples e ao mesmo tempo artística, é necessário ser-se complicado, quer dizer: educado no gosto; culto de verdadeira beleza literária; fino de preferências e agrados. Na mesma loja de modas onde uma mulher distinta escolhe estofos e guarnições sóbrias de cores, pode entrar a seguir qualquer senhoreca dinheirosa, para se enfeitar como uma arara. E a literatura de um país provinciano ( inculto e pouco lido) arrisca-se a ser uma loja de modas a ser um maior sortido para catatuas, que para fidalgas.
... amemos e louvemos os nossos poetas e prosadores que falem claro, e claro se exprimem numa linguagem ordenada e cristalina. Muitos deles vivem ainda connosco, e são dos melhores que jamais tivemos. Melhores pelo talento, e melhores pelo ideal de servirem (…) a arte. Façamos por compreender a sciência da composição e amplitude das escalas que se oculta na harmonia sóbria das suas vozes. E ajudemo-los, e sigamo-los no seu empenho… estimulados pela nossa participação e pelo nosso aplauso, eles continuarão, e progredirão ainda, se é possível, tornando-se cada vez mais objectivos, mais humanos; e já que falam uma bela língua que o povo pode compreender, procurarão aproveitá-la para contar ao povo histórias que ele compreenda, como bons irmãos seus que se sabem mais sábios, mas não querem fazer da sua sciência título de estéril orgulho e pergaminho de aristocracia desdenhosa , sequestrada do ambiente mais largo.
Bastante egoísta se tem mostrado no decurso dos séculos a nossa literatura, sobretudo a poética, confinada quasi sempre no lirismo amoroso, que é uma forma de egoísmo, sensual ou lamuriento. Com uma prosa esotérica, difícil, complicada a acrescentar-se a uma poesia egocêntrica e indiferente ao mundo que a rodeia, cada vez mais os homens se afastariam do povo, da multidão das almas (...)
Pensem os nossos melhores escritores nesse povo, que afinal pouco perderá com não saber ler, se o escol literário lhe não fornecer nada que ele leia. (…) "
Agostinho de Campos ( sócio correspondente da Academia das Sciências de Lisboa)
In “ as três prosas: A pobre, A rica, A nova rica.
Edição Livrarias AilLaud e Bertrand - 1923
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11/06/2004 10:21:00 da tarde
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