"Fiz [esta carta] mais longa apenas porque me faltou o tempo de a fazer mais breve."
BLAISE PASCAL
"Abre a romã, mostrando a rubicunda Cor,com que tu, rubi, teu preço perdes; (...........)" Luis Vaz de Camões, Os Lusíadas,IX,59
quarta-feira, fevereiro 16, 2005
Publicada por
mariagomes
à(s)
2/16/2005 01:46:00 da manhã
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
segunda-feira, fevereiro 14, 2005
à mercê do fogo
é inevitável o figurino da palavra ao vento
para que saibas que o poeta vive à mercê do fogo
a poesia não é um logro na música da razão
pode ser o amor a incendiar uma flauta pura
no coração da fala haver um deus maior
e parecer tão pouco
o que te toca com dedos de sol num cerne louco.
mariagomes
11dez.2004
Publicada por
mariagomes
à(s)
2/14/2005 11:16:00 da tarde
3 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
a inflacção de Joaquim Pessoa

Patrick Demarchelier
Cada vez nos temos mais apenas
um ao outro.
Joaquim Pessoa
"125 poemas- antologia poética"
Litexa - Editora, 1989
Publicada por
mariagomes
à(s)
2/14/2005 09:08:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
domingo, fevereiro 13, 2005
nos meus versos
nos meus versos tens o amor; o entendimento
que sobrevive a um holocausto de palavras.
e o pensamento do papel que não é meu.
e as rimas que também não foram minhas.
nos meus versos, pelo fogo do amor que fica, tu caminhas.
mariagomes
set.2004, (revisto em fev.2005)
Publicada por
mariagomes
à(s)
2/13/2005 07:44:00 da tarde
9 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
o papel plausível
denunciei ao mundo a ondulação do mar. o papel plausível dos acasos.
os traços que me fizeram sonhar. e perdi. perdi a luz vasta das estrias.
marítima encosto-me à cidade. tenho o hábito de um barco. juntos
o rio e o rumor da minha voz são um só lírio a uma lua lívida de frio.
mariagomes
fev.2005
Publicada por
mariagomes
à(s)
2/13/2005 12:50:00 da tarde
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
quinta-feira, fevereiro 10, 2005
a emoção ao criar
Augusto dos Anjos
(1884 - 1914)
Em entrevista concedida a Licínio Dias dos Santos em 1914, o grande poeta Augusto dos Anjos indagado sobre o que sentia de anormal quando estava criando seus versos, respondeu:
- "Uma série indescritível de fenômenos nervosos acompanhados, muitas vezes de uma vontade de chorar. "
(Extraído do EU E OUTRAS POESIAS Editora Bertrand, 2001)
Publicada por
mariagomes
à(s)
2/10/2005 01:19:00 da tarde
3 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
quarta-feira, fevereiro 09, 2005
palavras iguais
porque eu não quero palavras iguais nascerá a metáfora do aceno.
a promessa ainda que a expressiva anulação do silêncio
nos fale, irá o estio ao teu coração ao hemisfério
onde viveu o vento em mais que movimento ou valsa.
haverá um brio uma aventura ou uma espécie de remessa falsa.
mariagomes
9.fev.2005
Publicada por
mariagomes
à(s)
2/09/2005 08:09:00 da tarde
3 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
segunda-feira, fevereiro 07, 2005
Ternura de Vinicius de Moraes
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar [ extático da aurora.
Vinicius de Moraes
antologia "Vinicius de Moraes
- Poesia completa e prosa",
Editora Nova Aguilar
- Rio de Janeiro, 1998, pág. 259
Publicada por
mariagomes
à(s)
2/07/2005 02:41:00 da tarde
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
domingo, fevereiro 06, 2005
a neve caiu
ouve, a neve caiu vulgarmente.
É a branca aurora que se estende.
oh terra silenciosa,
traz-me a flor que chega a nascer, luminosa,
traz-me o fogo, o céu do inverno que vive,
sem as escuras nuvens a crivarem-se no lugar onde estive.
mariagomes
6fev.2005
É a branca aurora que se estende.
oh terra silenciosa,
traz-me a flor que chega a nascer, luminosa,
traz-me o fogo, o céu do inverno que vive,
sem as escuras nuvens a crivarem-se no lugar onde estive.
mariagomes
6fev.2005
Publicada por
mariagomes
à(s)
2/06/2005 10:17:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
sexta-feira, fevereiro 04, 2005
foi a lua
foi a lua que fez a forma dos cavalos lícitos
deu o trigo a galope para matar a fome.
a lua não tinha nome.
tinha a luz dos desenhos imprevistos .
mariagomes
fev.2005
Publicada por
mariagomes
à(s)
2/04/2005 01:22:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
quinta-feira, fevereiro 03, 2005
A la puta que llevó mis poemas
Charles Bukowski (EEUU, 1920-1994)
Algunos dicen que debemos eliminar del poema
los remordimientos personales,
permanecer abstractos, hay cierta razón en esto, pero
¡POR DIOS!
¡Doce poemas perdidos y no tengo copias!
¡Y también te llevaste mis cuadros, los mejores!
¡Es intolerable!
¿Tratas de joderme como a los demás?
¿Por qué no te llevaste mejor mi dinero?
Usualmente lo sacan de los dormitorios y de los pantalones borrachos
[y enfermos en el rincón.
La próxima vez llévate mi brazo izquierdo o un billete de 50,
pero no mis poemas.
No soy Shakespeare pero puede ser que algún día ya no escriba más,
abstractos o de los otros.
Siempre habrá dinero y putas y borrachos
hasta que caiga la última bomba,
pero como dijo Dios,
cruzándose de piernas:
veo que he creado muchos poetas pero no mucha poesía.
Charles Bukowski (EEUU, 1920-1994)
Publicada por
mariagomes
à(s)
2/03/2005 04:28:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
oração
oh mãe das alturas!
carrega a dor indómita dos homens
numa face de silêncio num poema sem face para além
percorre as ruas o sal que sai da vida
e se retrai
onde se chora sem ninguém.
oh mãe benevolente!
oh mãe do ventre que vives da memória
ata as tuas mãos às nossas tranças
às horas mansas às fogueiras
que explodem como preces derradeiras!
mariagomes
2fev.2005
Publicada por
mariagomes
à(s)
2/02/2005 08:53:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
photo by Steve McCurry
"Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simutâneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos priveligiados- a tais regressos se chama, às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formusura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos o sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso.A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais - a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint- Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis- elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta não diminui nem se extingue.O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam de fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia, pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus."
Eugénio de Andrade
em louvor das crianças,
in " rosto precário"
Publicada por
mariagomes
à(s)
2/02/2005 02:45:00 da tarde
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Anna Akhmatova
Último Brinde
Bebo ao lar em pedaços,
À minha vida feroz,
À solidão dos abraços
E a ti, num brinde, ergo a voz...
Ao lábio que me traiu,
Aos mortos que nada vêem,
Ao mundo, estúpido e vil,
A Deus, por não salvar ninguém.
1934
Последний тост
Я пью за разоренный дом,
За злую жизнь мою,
За одиночество вдвоем,
И за тебя я пью,-
За ложь меня предавших губ,
За мертвый холод глаз,
За то, что мир жесток и груб,
За то, что бог не спас.
1934
Anna Akhmatova, pseudónimo de Anna Andreievna Gorenki nasceu nos arredores de Odessa em 1889 e faleceu nos arredores de Moscovo em 1966.
Publicada por
mariagomes
à(s)
2/02/2005 02:02:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
segunda-feira, janeiro 31, 2005
vegetação intima
vive na vegetação intima como sois que ninguém vê.
reserva-te ao sono verdadeiro.
sê o voo que vem, em bando, trazer as aves, primeiro.
e o mar a seguir o mar na palma das planícies,
o núcleo ingénuo da noite com girassóis altos e tristes.
mariagomes
31jan.2005
Publicada por
mariagomes
à(s)
1/31/2005 01:44:00 da tarde
3 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
quando a noite vem
meu amor, tenho sentido frio em janeiro.
a neve é nítida quando a noite vem trazer
a morte rápida da luz. aquela luz que não chega
ao princípio dos olhos ou ao fim de um caminho.
numa encosta onde as palavras se põem verdes
incendeiam-se as mãos que são poucas.
todas as mãos são poucas para dizê-las.
e como custa escrever, as mãos.
às vezes, é gélida a glândula da escrita.
e eu tenho uma vontade infinita de falar em silêncio.
mariagomes
21.jan.2004
Publicada por
mariagomes
à(s)
1/31/2005 01:33:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
O poema não é feito dessas letras que eu espeto como pregos,
mas do branco que fica no papel .
PAUL CLAUDEL
Villeneuve-sur-Fère ( 1868) Paris (1955)
Publicada por
mariagomes
à(s)
1/31/2005 01:29:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
sexta-feira, janeiro 28, 2005
Jean-Nicholas Arthur Rimbaud
(1854-1891)
"Agora corrompo-me o mais possível. Por quê? Quero ser poeta e trabalho para me fazer vidente: você não está a perceber nada e eu também não lhe sei explicar. Trata-se de chegar ao desconhecido pela desordem de todos os sentidos. Os sofrimentos são enormes, mas é preciso ser-se forte, ter nascido poeta, e eu reconheci-me poeta. A culpa não é minha de maneira nenhuma. É errado dizer: Eu penso. Deve dizer-se: Eu sou pensado. Desculpe o jogo das palavras.
Eu é outro. Tanto pior para a madeira que se descobre violino, e que se danem os inconscientes, que discutem sobre coisas que ignoram por completo!"
Arthur Rimbaud
correspondência, a Georges Izambard, Charleville, Maio de 1871 ( excerto)
in ABCedário do Surrealismo
edição de " O público"
Publicada por
mariagomes
à(s)
1/28/2005 07:15:00 da tarde
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
quinta-feira, janeiro 27, 2005
TU de Jorge Luis Borges
Gloria Baker Feinstein
Um só homem nasceu, um só homem morreu na terra.
Afirmar o contrário é mera estatística, é uma adição impossível
Não menos impossível que somar o cheiro da chuva e o sonho
[que a noite passada sonhaste.
Esses homem é Ulisses, Abel, Caim, o primeiro homem que ordenou
[ as constelações, o homem que construiu a primeira pirâmide,
[ o homem que escreveu os hexagramas do Livro das
[ Mudanças, o forjador que gravou runas na espada de
[ Hengisto, o arqueiro Einar Tamberskelver, Luis de Léon, o
[ livreiro que engendrou Samuel Johnson, o jardineiro de
[ Voltaire, Darwin na proa do Beagle, um judeu na câmara
[ letal, com o tempo, tu e eu.
Um só homem morreu em Ílion, no Metauro, em Hastings, em
[ Austerlitz, em Trafalgar, em Gettysburg.
Um só homem morreu nos hospitais, nos barcos, na difícil solidão,
[ na alcova do hábito e do amor.
Um só homem olhou a vasta aurora.
Um só homem sentiu no paladar a frescura da água, o sabor da fruta
[ e da carne.
Falo do único, desse, do que está sempre sozinho.
Norman, Oklahoma
Jorge Luis Borges
"O ouro dos tigres"
obras completas, vol.II
editorial teorema
Publicada por
mariagomes
à(s)
1/27/2005 05:10:00 da tarde
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Gaylen Morgan
Publicada por
mariagomes
à(s)
1/27/2005 01:09:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Arquivo do blogue
Acerca de mim
- mariagomes
- Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
Links
- A arquitectura das palavras
- a luz do voo
- A Palavra e o Canto
- A Teia de Aranha
- aguarelas de Turner
- ALI_SE
- Amazonic Haijin
- amoralva
- Angola, Debates & Ideias
- Ao Longe os Barcos de Flores
- ArteLetras
- Assimetria Do Perfeito
- Associação José Afonso
- Bar do Bardo
- canto.chão
- Casa Museu João de Deus
- Casulo Temporário
- Coisas do Chico
- Coisas para fazer com palavras
- Colóquio Letras
- Contra a Indiferença
- Daniel Faria
- dias felizes
- Diário Poético
- Do Inatingível e outros Cosmos
- emedemar
- Escrevinhamentos
- Estrela da Madrugada
- Eu,X.Z.
- Extensa Madrugada, Mãos Vazias
- Fundação Eugénio de Andrade
- Harmonia do Mundo
- InfinitoMutante
- Inscrições
- Inscrições
- Jornal de Poesia
- José Afonso
- josé saramago
- Linha de Cabotagem III
- Local & Blogal
- Luiz Carlos de Carvalho
- meia-noite todo dia
- Nas horas e horas meias
- nas margens da poesia
- naturezaviva
- No Centro do Arco
- O Arco E A Lira
- O mar atinge-nos
- O pó da Escrita
- Odisseus
- Ofício Diário
- Ombembwa Angola
- ParadoXos
- Poema Dia
- POEMARGENS
- Poesia de Vieira Calado
- Poesia Dos Dias úteis
- Poesia Sim
- Poeta Salutor
- Poetas del Mundo
- Revista Agulha
- Rolando Revagliatti
- Rosangela_Aliberti
- Sambaquis
- Stalingrado III
- Sulmoura
- TriploV
- tábua de marés
- Umbigo do Sonho
- Vá andando
- Xavier Zarco

