"Abre a romã, mostrando a rubicunda Cor,com que tu, rubi, teu preço perdes; (...........)" Luis Vaz de Camões, Os Lusíadas,IX,59
sábado, fevereiro 19, 2005
na melodia
a chuva tem a cor dos pássaros
as mãos nuas correndo a noção da noite
como qualquer coisa cardíaca
cai
se aqui estivesses
se a tua voz fosse cal da minha asa
haveria um verso
a casa
na melodia da ruína.
mariagomes
fev.2005
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2/19/2005 01:39:00 da tarde
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sexta-feira, fevereiro 18, 2005
a certeza
tenho na pedra o condão
esta fúria viva onde tudo é água
tudo me cativa
falta-me a palavra
e o perdão
a certeza de dizer futuro
harpa
flor furtiva.
mariagomes
fev.2005
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2/18/2005 11:19:00 da manhã
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quinta-feira, fevereiro 17, 2005
o mundo, Sofia
( a minha neta)
é teu o mundo, Sofia.
são teus o sol, a lua e o vento.
é tua a concha da canção do entendimento,
na fogueira, que fixa os olhos dos bichos, acesos,
na possibilidade da fábula nascida de palavra verdadeira.
é tua a planície, é teu o monte, é tua a flor que sorri à pedra,
são teus os pássaros voados no azul que medra à passagem única
da música que se vê inteira. e será tudo, intimamente teu, Sofia,
[quando os olhos
da noite, repletos, projectarem sonhos de água no espelho do teu nome,
[ em sabedoria.
mariagomes
21 de junho 2003
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2/17/2005 07:43:00 da tarde
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"a arvore da vida indígena" Siegfried Kreutzberg
"Silêncio é o Barulho baixinho!..."
Sara Peixoto, 3 anos
"Um livro tem palavras que fazem sonhos."
Joana Cruz, 3 anos
"Poesia é uma coisa que não é a mesma coisa mas é igual"
Beatriz Bruno Antunes, 4 anos
"Este gelado até inverna as mãos."
Gonçalo Gonçalves, 4 anos
"Estou com tosse. Engoli frio um dia."
Inês Fernandes, 4 anos
"Eu faço magia quando abraço o meu pai.
Cláudio Almeida, 4 anos
"Quando o ar cheira bem é porque os autronautas no espaço estão a comer rebuçados."
Gustavo Almeida, 5 anos
"O céu à noite é um lençol com estrelas."
Gustavo Almeida, 5 anos
"O Amor é o dobro."
João Cassola, 5 anos
"Os namorados são amigos de casamento"
Areana Semedo, 6 anos
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2/17/2005 07:24:00 da tarde
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Maria Rosa Colaço
Escrever é tentar perceber o desalinho das coisas
....
P- A Lídia Jorge dizia que a "Rosa Colaço procura atingir a alma do mundo. Fá-lo de um modo lírico". Eu diria que também o faz através das crianças...
R: As crianças entendem muito bem a linguagem poética. Os adultos é que duvidam dessa capacidade.
....
Maria Rosa Colaço
arquivo de " a página da educação" ( nº 142, Fev.2005)
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2/17/2005 12:10:00 da manhã
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quarta-feira, fevereiro 16, 2005
ainda me lembro
ainda me lembro de sentir nos pés descalços, passeios de terra batida sombreada por acácias. não importa precisar o tempo, importa realçar que as acácias de benguela cobriam de vermelho o chão para eu brincar... as mangueiras emprestavam ao céu, a folhagem.
no bairro, havia um quarteirão de primos, tios, avós e amigos e lanches de chá servido num bule e pão com doce ou queijo de casca vermelha. ainda a amendoeira junto ao lago dos patos, os vasos para pintar, baloiços cobertos de colchas no palco dos meus teatros. cães, perús, galinheiros e uma mesa tosca debaixo de uma árvore para a avó zé migar as couves da criação.
o quarteirão transbordava de vida e pertencia-me tanto! cada esquina, rapidamente, transformava-se numa fértil passagem para a imaginação...em brincadeiras, pedalava numa bicicleta a encurtar distancias graúdas ou lançava-me em correrias a adivinhar trambolhões e choros. eu gostava tanto de chorar!
partia o coconote depois de chupado o dendém maduro e por todos dividia os tamarindos. as mangas eram mais doces que os doces de ginguba. as bananas tinham sardas. comprava tudo com angolares, moedas que a avó zé depositava na minha mão fazendo milagres de carinho.
ainda oiço o som dos batuques que ensaiavam perto das cubatas, a dança dos tchinganges enfiados em fatos de rede e saias de sisal, no bairro do casseque, lá para as bandas das pescarias. em espaços vazios, os mascarados, faziam estalar chicotes delgados que me amedrontavam atrás dos vidros hermeticamente fechados do carro. então, pedia ao meu pai, no prazer de um choro, para irmos embora.
nas noites mornas, trincava rajás cobertos de chocolate que se faziam numa casa de adobe, na rua da flores. espreitava as tartarugas no hotel mombaka, e com palhinhas bebia puros sumos de ananás transportados por empregados enfarpelados de branco que atravessavam a rua estreita. bem no alto, as palmeiras, numa simbiose, acenavam , em meigos consentimentos, com bandeiras esfiapadas.
eu girava em torno de um gigante vulto que possuía braços morenos e um olhar que derramava poesia, meu pai. naqueles braços, na bóia do mar da minha infância, naveguei milhas de fantasia à superfície de verdades.
havia a praia morena... e o sombreiro que para mim se figurava num chapéu em jeito de cogumelo. só para além existia o outro lado do mundo. o mundo do mal. tudo o que me poderia afligir estava, de algum modo, ligado àquela forma de morro e de mar. as trovoadas e as chuvas torrenciais faziam a curva e abatiam-se sobre a cidade. quando o meu pai me deixou, foi para o sul, também fez a curva do mar.
havia ( ainda há em mim!) uma curva de medo nos degraus que subi pela vida de mãozinhas dadas.
hoje, no sombreiro, morro de um farol apagado, eu perco o meu olhar... e penso que um dia, quando morrer, irei diluir-me naquela curva do mar.
mariagomes
Benguela,10 out.1999
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2/16/2005 06:59:00 da tarde
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"Fiz [esta carta] mais longa apenas porque me faltou o tempo de a fazer mais breve."
BLAISE PASCAL
BLAISE PASCAL
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2/16/2005 01:46:00 da manhã
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segunda-feira, fevereiro 14, 2005
à mercê do fogo
é inevitável o figurino da palavra ao vento
para que saibas que o poeta vive à mercê do fogo
a poesia não é um logro na música da razão
pode ser o amor a incendiar uma flauta pura
no coração da fala haver um deus maior
e parecer tão pouco
o que te toca com dedos de sol num cerne louco.
mariagomes
11dez.2004
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2/14/2005 11:16:00 da tarde
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a inflacção de Joaquim Pessoa

Patrick Demarchelier
Cada vez nos temos mais apenas
um ao outro.
Joaquim Pessoa
"125 poemas- antologia poética"
Litexa - Editora, 1989
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2/14/2005 09:08:00 da tarde
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domingo, fevereiro 13, 2005
nos meus versos
nos meus versos tens o amor; o entendimento
que sobrevive a um holocausto de palavras.
e o pensamento do papel que não é meu.
e as rimas que também não foram minhas.
nos meus versos, pelo fogo do amor que fica, tu caminhas.
mariagomes
set.2004, (revisto em fev.2005)
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2/13/2005 07:44:00 da tarde
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o papel plausível
denunciei ao mundo a ondulação do mar. o papel plausível dos acasos.
os traços que me fizeram sonhar. e perdi. perdi a luz vasta das estrias.
marítima encosto-me à cidade. tenho o hábito de um barco. juntos
o rio e o rumor da minha voz são um só lírio a uma lua lívida de frio.
mariagomes
fev.2005
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2/13/2005 12:50:00 da tarde
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quinta-feira, fevereiro 10, 2005
a emoção ao criar
Augusto dos Anjos
(1884 - 1914)
Em entrevista concedida a Licínio Dias dos Santos em 1914, o grande poeta Augusto dos Anjos indagado sobre o que sentia de anormal quando estava criando seus versos, respondeu:
- "Uma série indescritível de fenômenos nervosos acompanhados, muitas vezes de uma vontade de chorar. "
(Extraído do EU E OUTRAS POESIAS Editora Bertrand, 2001)
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2/10/2005 01:19:00 da tarde
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quarta-feira, fevereiro 09, 2005
palavras iguais
porque eu não quero palavras iguais nascerá a metáfora do aceno.
a promessa ainda que a expressiva anulação do silêncio
nos fale, irá o estio ao teu coração ao hemisfério
onde viveu o vento em mais que movimento ou valsa.
haverá um brio uma aventura ou uma espécie de remessa falsa.
mariagomes
9.fev.2005
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2/09/2005 08:09:00 da tarde
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segunda-feira, fevereiro 07, 2005
Ternura de Vinicius de Moraes
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar [ extático da aurora.
Vinicius de Moraes
antologia "Vinicius de Moraes
- Poesia completa e prosa",
Editora Nova Aguilar
- Rio de Janeiro, 1998, pág. 259
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2/07/2005 02:41:00 da tarde
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domingo, fevereiro 06, 2005
a neve caiu
ouve, a neve caiu vulgarmente.
É a branca aurora que se estende.
oh terra silenciosa,
traz-me a flor que chega a nascer, luminosa,
traz-me o fogo, o céu do inverno que vive,
sem as escuras nuvens a crivarem-se no lugar onde estive.
mariagomes
6fev.2005
É a branca aurora que se estende.
oh terra silenciosa,
traz-me a flor que chega a nascer, luminosa,
traz-me o fogo, o céu do inverno que vive,
sem as escuras nuvens a crivarem-se no lugar onde estive.
mariagomes
6fev.2005
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2/06/2005 10:17:00 da tarde
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sexta-feira, fevereiro 04, 2005
foi a lua
foi a lua que fez a forma dos cavalos lícitos
deu o trigo a galope para matar a fome.
a lua não tinha nome.
tinha a luz dos desenhos imprevistos .
mariagomes
fev.2005
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2/04/2005 01:22:00 da tarde
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quinta-feira, fevereiro 03, 2005
A la puta que llevó mis poemas
Charles Bukowski (EEUU, 1920-1994)
Algunos dicen que debemos eliminar del poema
los remordimientos personales,
permanecer abstractos, hay cierta razón en esto, pero
¡POR DIOS!
¡Doce poemas perdidos y no tengo copias!
¡Y también te llevaste mis cuadros, los mejores!
¡Es intolerable!
¿Tratas de joderme como a los demás?
¿Por qué no te llevaste mejor mi dinero?
Usualmente lo sacan de los dormitorios y de los pantalones borrachos
[y enfermos en el rincón.
La próxima vez llévate mi brazo izquierdo o un billete de 50,
pero no mis poemas.
No soy Shakespeare pero puede ser que algún día ya no escriba más,
abstractos o de los otros.
Siempre habrá dinero y putas y borrachos
hasta que caiga la última bomba,
pero como dijo Dios,
cruzándose de piernas:
veo que he creado muchos poetas pero no mucha poesía.
Charles Bukowski (EEUU, 1920-1994)
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2/03/2005 04:28:00 da tarde
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quarta-feira, fevereiro 02, 2005
oração
oh mãe das alturas!
carrega a dor indómita dos homens
numa face de silêncio num poema sem face para além
percorre as ruas o sal que sai da vida
e se retrai
onde se chora sem ninguém.
oh mãe benevolente!
oh mãe do ventre que vives da memória
ata as tuas mãos às nossas tranças
às horas mansas às fogueiras
que explodem como preces derradeiras!
mariagomes
2fev.2005
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2/02/2005 08:53:00 da tarde
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photo by Steve McCurry
"Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simutâneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos priveligiados- a tais regressos se chama, às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formusura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos o sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso.A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais - a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint- Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis- elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta não diminui nem se extingue.O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam de fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia, pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus."
Eugénio de Andrade
em louvor das crianças,
in " rosto precário"
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2/02/2005 02:45:00 da tarde
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Anna Akhmatova
Último Brinde
Bebo ao lar em pedaços,
À minha vida feroz,
À solidão dos abraços
E a ti, num brinde, ergo a voz...
Ao lábio que me traiu,
Aos mortos que nada vêem,
Ao mundo, estúpido e vil,
A Deus, por não salvar ninguém.
1934
Последний тост
Я пью за разоренный дом,
За злую жизнь мою,
За одиночество вдвоем,
И за тебя я пью,-
За ложь меня предавших губ,
За мертвый холод глаз,
За то, что мир жесток и груб,
За то, что бог не спас.
1934
Anna Akhmatova, pseudónimo de Anna Andreievna Gorenki nasceu nos arredores de Odessa em 1889 e faleceu nos arredores de Moscovo em 1966.
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2/02/2005 02:02:00 da tarde
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- Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
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