"Abre a romã, mostrando a rubicunda Cor,com que tu, rubi, teu preço perdes; (...........)" Luis Vaz de Camões, Os Lusíadas,IX,59
domingo, abril 03, 2005
tenho que escrever
tenho que escrever um poema deitado
na noite farta
apagando o candeeiro
que nos conduz à plataforma fria do asfalto
um poema sem culatra
na terra
um poema que não cale a lezíria
sobretudo que não fale
da guerra.
mariagomes
abril.2005
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4/03/2005 01:16:00 da manhã
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sábado, abril 02, 2005
Flaubert

"A linguagem é uma chaleira rachada que batemos para fazer os ursos dançarem. Quando o que queríamos mesmo era mexer com a clemência das estrelas. "
Gustave Flaubert (França,1821-1880).
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4/02/2005 01:23:00 da manhã
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quinta-feira, março 31, 2005
José António Gonçalves (N.13.06.54 F.29.03.05)

" ...
dêem-me o vosso arado. deixai-me cultivar vossas terras
áridas, vossos desertos secos. deixai-me soçobrar
nos vossos barcos náufragos. deixai-me criar epitáfios
fogueiras, lendas. deixai-me com os vossos filhos vagando pelas
montanhas, pela lã das ovelhas. pelas
ventanias. deixai-me construir um ruído mudo de silêncio
uma voz calada, mais vibrante que esta branda fala
para dizer-vos um poema sou poeta nasci rosa
no orvalho transparente das manhãs."
José António Gonçalves
(in «Vinte Textos Para Falar de Mim», Col. Cadernos Ilha, Nº. 1, 1988)
PORTO SANTO, VERÃO DE 1973
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3/31/2005 06:57:00 da tarde
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com um pássaro no coração
olha não é possível que regressem as buganvílias da vida
há o nada a manhã terrível a treva
que afoga a paisagem
que nos oferecem os comboios
de um abismo final ou
uma faca de palavras numa entrega
olha tremem difíceis as feições
de um território jazem janelas a cheirar a sol
e eu estou aqui com um pássaro no coração em ferida.
mariagomes
31março.2005, 17h
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3/31/2005 05:46:00 da tarde
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e a expressão
onde a rosa? onde o cravo? e a expressão
apensa de um jardim?
oiço um rumor a água tensa
de um trago de amor animal e delicado
oiço um recado
sereníssima
vou buscar a noite e tranco-a dentro de mim.
mariagomes
março.2005
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3/31/2005 12:59:00 da tarde
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segunda-feira, março 28, 2005

"Não há pergunta sobre o para quê de uma flor que lhe tire o encantamento. O sentido de ser é o ser. "
Vergílio Ferreira (1916-1997)
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3/28/2005 08:55:00 da tarde
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domingo, março 27, 2005
nada de novo
lamento, amigo, não trazer nada de novo.
nem a procura é intensa
nem o encontro de um nome nos diz seja o que for.
as mesas permanecem
à espera dos retratos da família.
e os livros guardam toda a poesia.
mariagomes
27março.2005
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3/27/2005 10:47:00 da tarde
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sexta-feira, março 25, 2005
as fogueiras de Pavese
estão prontas as fogueiras de Pavese
vertem-se os sinais
as chamas
que as portas atravessam
e a voz estática nas nuvens
clama
está pronto o livre exílio
do mar
este navio onde morri e vivo.
mariagomes
março.2005
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3/25/2005 09:11:00 da tarde
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"Algo sobreviveu no meio das ruínas. Algo acessível e próximo: a linguagem. Contudo, a própria linguagem teve que se erguer por entre as suas próprias ruínas, salvar os espaços em que se quedou mudo o horror, por entre as mil trevas que mortificam o discurso. Nesta língua, o alemão, procurei escrever poesia. Apenas para falar, orientar-me, indagar, imaginar a realidade. Deste modo a poesia encontra-se sempre no caminho para a língua originária."
Paul Celan, ao receber o Prémio Büchner, em 1962
excerto de uma crónica do Jornal " O Público", 27jan.2oo5
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3/25/2005 07:06:00 da tarde
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quinta-feira, março 24, 2005
o olhar

Afghan Girl, Pakistan, 1985, by Steve McCurry
talvez não seja o olhar que prende
é a pele que sai da lua lavada
a parede que coincide
num dedo
encosta a noite à palavra.
mariagomes
março.2005
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3/24/2005 01:02:00 da tarde
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quarta-feira, março 23, 2005

"Um escritor é uma pessoa para quem escrever é mais difícil do que para as outras pessoas"
Thomas Mann
N. 06/06/1875, Lübeck, Alemanha, F.12/08/1955, Zürich, Suíça
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3/23/2005 03:21:00 da tarde
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sexta-feira, março 18, 2005
ao solo ao luar
voltei a ouvir a música descendo na delicadeza funda
de uma chama
voltei ao lugar do sono e do incêndio
ao solo ao luar magro dos cães
voltei e vi a pátria escorrendo na esmola tranquila dos sóis.
mariagomes
18março.2005
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3/18/2005 05:16:00 da tarde
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quinta-feira, março 17, 2005
A Função Social da Poesia por T. S. Eliot ...parte 3ª

"Observamos que a poesia distingue-se de toda outra arte por ter um valor pelo povo que é da raça e língua do poeta, valor que não pode ter por nenhum outro. É verdade que até a música e a pintura possuem um caráter local e racial: mas certamente as dificuldades de apreciação nessas artes, para um estrangeiro, são muito menores. É verdade por outro lado que textos em prosa têm um significado em sua língua original que se perde na tradução; mas todos sentimos que perdemos muito menos ao ler um romance em tradução que ao ler um poema; e na tradução de alguns tipos de trabalho científico a perda é virtualmente nula. Que a poesia é muito mais local que a prosa pode-se ver na história das línguas europeias. Ao longo da Idade Média e até há poucas centenas de anos, o latim permanecia a língua para filosofia, teologia e ciência. O impulso rumo ao uso literário das línguas dos povos começou com a poesia. E isso parece perfeitamente natural quando percebemos que a poesia, primariamente, diz respeito à expressão do sentimento e da emoção; e que o sentimento e a emoção são particulares, enquanto o pensamento é geral. É mais fácil pensar numa língua estrangeira do que nela sentir. Portanto, nenhuma arte é mais obstinadamente nacional que a poesia. Um povo pode ter sua língua detraída, suprimida, e outra língua compelida sobre as escolas; mas a menos que se lhe ensine a sentir numa nova língua, a antiga não foi erradicada e reaparecerá na poesia, que é o veículo do sentimento. Acabo de dizer "sentir numa nova língua", e quero dizer algo mais que meramente "exprimir seus sentimentos numa nova língua". Um pensamento expresso numa língua diferente pode ser praticamente o mesmo pensamento, mas um sentimento ou uma emoção expressa numa língua diferente não é o mesmo sentimento ou emoção. Uma das razões para aprendermos bem pelo menos uma língua estrangeira é que adquirimos um tipo de personalidade suplementar; uma das razões para não adquirirmos uma nova língua em lugar da nossa é que a maioria de nós não quer tornar-se uma pessoa diferente. Uma língua superior raramente pode ser exterminada exceto pelo extermínio das pessoas que a falam. Quando uma língua suplanta outra é muitas vezes porque possui vantagens que a elevam e que oferecem não uma mera diferença, mas uma gama mais ampla e mais refinada que a língua primitiva não só para pensar, mas para sentir.
Emoção e sentimento são então mais bem expressos na língua comum das pessoas isto é, na língua comum a todas as classes: a estrutura, o ritmo,a sonoridade, o estilo de uma língua exprimem a personalidade do povo que a fala. Quando digo que é a poesia, em vez da prosa, que se preocupa com a expressão da emoção e do sentimento, não quero dizer que a poesia não precisa possuir conteúdo intelectual ou significado, ou que a grande poesia não contém mais desse significado que a poesia inferior. Porém, desenvolver esta investigação me tiraria de meu objetivo imediato. Considerarei de acordo que as pessoas encontram a expressão mais consciente de suas mais profundas emoções na poesia de sua própria língua, em vez de em qualquer outra arte ou na poesia de outras línguas. Isso não significa, é claro, que a verdadeira poesia está limitada a sentimentos que todos podem reconhecer e compreender; não devemos limitar a poesia à poesia popular. Basta que, num povo homogêneo, os sentimentos dos mais refinados e complexos indivíduos tenham algo em comum com os sentimentos dos mais grosseiros e simples, algo que não têm em comum com os de pessoas de seu mesmo nível que falam outra língua. E, quando uma civilização é saudável, o grande poeta terá algo a dizer a seus compatriotas em todos os níveis de educação.
Podemos dizer que o dever do poeta, como poeta, é apenas indiretamente para com seu povo; seu dever direto é para com sua língua: primeiro, preservar e, segundo, ampliar e aperfeiçoar. Ao exprimir o que outras pessoas sentem,ele também está mudando o sentimento, por torná-lo mais consciente; está fazendo-as mais sabedoras do que já sentem, e portanto ensinando-as algo sobre si mesmas. Ele, no entanto, não é apenas uma pessoa mais conscienteque as demais; é, além disso, individualmente distinto das outras pessoas,e também de outros poetas, e pode fazer seus leitores conscientemente compartilhar novos sentimentos que até então não haviam vivenciado. Essa é a diferença entre o escritor que é meramente excêntrico ou louco e o autêntico poeta. Aquele pode ter sentimentos que são únicos mas não podem ser compartilhados, e que são, portanto, inúteis; este descobre novas variações de sensibilidade que podem ser apropriadas por outrem. E, ao exprimi-las, ele está desenvolvendo e enriquecendo a língua que fala.
Já disse quase o suficiente sobre as diferenças impalpáveis do sentir entre um povo e outro, diferenças que são confirmadas, e ampliadas, por suas diferentes línguas. Mas as pessoas não apenas vivenciam o mundo diferentemente em diferentes lugares; vivenciam-no diferentemente em tempos diferentes. De fato, nossa sensibilidade está constantemente mudando, como muda o mundo em nosso redor: o nosso não é o mesmo que o dos chineses ou dos hindus, mas também não é o mesmo que o dos nossos ancestrais, passadas várias centenas de anos. Não é o mesmo que o de nossos pais; e, finalmente, nós próprios não somos bem as mesmas pessoas que éramos há um ano. Isto é óbvio; mas o que não é tão óbvio é que esta é a razão por que não podemos nos permitir parar de escrever poesia. A maioria das pessoas educadas sente certo orgulho dos grandes autores de sua língua embora possa nunca lê-los, exatamente como é orgulhosa de qualquer outro mérito de seu país: uns poucos autores até se tornam célebres o bastante para serem mencionados de vez em quando em discursos políticos. Porém, a maior parte das pessoas não se dá conta de que isso não é suficiente; de que a menos que elas continuem a produzir grandes autores, e especialmente grandes poetas, sua língua se deteriorará, sua cultura se deteriorará e talvez seja absorvida por uma mais forte.
Um ponto, é claro, é que se não temos literatura viva nos tornaremos mais e mais alienados da literatura do passado; a não ser que mantenhamos uma continuidade, nossa literatura do passado se tornará mais e mais remota até que nos esteja tão estranha quanto a literatura de um povo estrangeiro. Porque nossa língua continua mudando; nosso modo de vida muda de todas as maneiras sob a pressão de mudanças materiais em nosso meio ambiente; e a não ser que tenhamos aqueles poucos homens que combinem uma excepcional sensibilidade com um poder excepcional sobre as palavras, nossa própria habilidade não apenas de exprimir, mas até de sentir mesmo as mais grosseiras emoções, degenerará."
( continua...)
T. S. Eliot, 1943
Ensaio retirado de seu livro On Poetry and Poets, London,
Faber and and Faber, 1971.
Tradução de Bruno I. Mori
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3/17/2005 01:36:00 da tarde
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quarta-feira, março 16, 2005
no amor e no medo
no amor e no medo as árvores acendem a luz
os remos
a única raiz que nos despe os braços
todos os recados se traçam
inflamam aragens a fundo
não temos mais do que estas margens
para cerzir as cinzas volúveis do mundo
não pedimos mais do que os breves espaços
que se abrem
miraculosamente
entre a alegria e as lágrimas.
mariagomes
2005
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3/16/2005 07:40:00 da tarde
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vestígios
vê como fremem os poentes
e de outrora nos chegam definidas
as fronteiras.
entrego-me à ternura que explora os abismos
inquieta quero a torre mais alta
de um eclipse no meu âmago. quero amar
a pele as palavras uns vestígios.
mariagomes
março,2005
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3/16/2005 01:50:00 da tarde
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segunda-feira, março 14, 2005
Rui Mendes e Álvaro de Portugal

" Sem título" - Álvaro de Portugal
"Podes entrar, mas não feches a luz, nem as portadas das janelas.
Se o fizesses, eu morreria por aqui, debaixo do abismo desta noite contínua, onde possuo o esquecimento dos meus dias num livro fechado, como o limbo de uma bela adormecida.
Ouve: só tenho esta luz por companhia, só esta luz na sua centrífuga piedade é quem guarda o ermo dos meus soturnos pensamentos.
Senta-te aí, mas de forma que te não veja!
Sim, também é o desejo de não ter sede de nada, ou de ninguém, dentro de mim, que faz com que eu chegue a pontos, por vezes, de não conseguir fechar os olhos, ou abrir os dedos das mãos, com receio que a luz de mim se arrependa, e parta para outro lugar, sempiterno, e me venha a deixar órfã de si, flagelada.
Sim, eu sei em que estás a pensar.
É verdade, sustento-me das imagens fugazes, despojos de anjos e demónios, que se me plasmam fixamente nos olhos, lívidos assombros girando velozmente na retina, e isso deixa-me prostrada, envenena-me, até ao árctico fogo das lágrimas.
E é por isso, é bem por isso, que os meus olhos, estás a ouvir-me, estão cheios de sombras, pesados das sombras que atravessam o infinito da clausura dos espelhos que, por todo o lado, vagueiam por esta casa minguante, despojada, sem purpurinas nem grinaldas, pelas escadas e pelos corredores.
Pelas minhas escadas e corredores, quando a febre do cansaço se apodera do labirinto do meu corpo, e começa a cortar-me o sangue nas veias, e eu procuro arrastar-me pelo chão para, respirando melhor, me afastar da minha morte.
É assim. Vou guardando, no regaço da alma, estas paredes massacradas pela viuvez dos retratos, desde a infância dos meus sentidos, sempre a idear que ainda deve ser possível haver jardins frondosos, plantados no alto mar, e crianças lá dentro, brincando, na insónia vibrante dos ventos e das marés.
Custa a acreditar, mas é bem verdade: tens razão – alimento-me das mortificadas trevas do sonho!
Escusas de me olhar de maneira tão assassina, eu sei que estou nua.
Estou nua como uma pedra ou uma árvore peregrina, porque sinto, tumultuosa, a dor que regressa à solidão.
Ouço em ti, uma insodável e saudosa canção de embalar!
Rui Mendes
Janeiro, 2005
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3/14/2005 09:30:00 da tarde
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sexta-feira, março 11, 2005

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3/11/2005 12:54:00 da manhã
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terça-feira, março 08, 2005
de van gogh
creio que nunca te falei de maio de um país
imaginado
dos girassóis de van gogh
eu existi nos braços nus
das janelas
entre o pólen do amanhecer e o passado.
mariagomes
março.2005
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3/08/2005 06:26:00 da tarde
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HONORÉ DAUMIER ( 1808 - 1879 )

"Famoso por suas litografias, Daumier não se considerava um pintor. Republicano, ele encontrou na defesa de seus ideais liberais o tema de seus desenhos. Grande caricaturista, satirizava a política, a corrupção dos ministros e deputados da França após a restauração da monarquia de Luis Felipe. Faz litografias para a Imprensa e com os seus trabalhos denuncia o autoritarismo, a hipocrisia, a violência e a inquietude do período em que viveu.
Uma observação de um amigo sobre Daumier:
...Passando por um bairro operário de Paris, o artista deteve-se um instante, apertou o braço do outro e sussurrou, com voz emocionada: 'Nós, nós ainda temos a arte para nos consolar. Mas, e eles? O que é que eles têm?' Logo depois, despediu-se em silêncio e subiu, triste, as ruelas que levavam a seu estúdio. "
Gênios da Pintura, Daumier, Abril Cultural.
1999, Colégio Rainha da Paz, projectos educação artística
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3/08/2005 02:45:00 da tarde
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Ernst Cassirer , Alemanha, (1874-1945)
"A poesia é uma das formas em que um homem pode julgar-se a si e à sua vida. É um autoconhecimento e autocrítica."
Ernst Cassirer
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3/08/2005 01:07:00 da manhã
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- Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
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