"Abre a romã, mostrando a rubicunda Cor,com que tu, rubi, teu preço perdes; (...........)" Luis Vaz de Camões, Os Lusíadas,IX,59
sexta-feira, julho 08, 2005
Pedro Oom
"Poesia não é uma medalha para por no peito dos tiranos mas uma imensa solidão feita de pedras, onde o despotismo pode encomendar o ataúde. Cada um de nós odeia o que ama. Por isso o poeta não ama a poesia que é só desespero e solidão mas acalenta ao peito as formigas da revolta e da rebeldia, que todos os déspotas querem submissas e procriadoras. Só os voluntários da miséria e da submissão patriarcal querem a poesia na arca da aliança com a tradição pacóvia e regionalista dos pretéritos dias, glórias patrioteiras, heroicidades frustes, pirataria ignara.Todo o verdadeiro poeta despreza o pequeno monte de esterco onde o dejectaram no planeta e a que os outros chamam pátria, e só ama os grandes continentes mares e oceanos da liberdade e do amor. Só nos vastos espaços incriados a poesia serve o seu destino – catapultar o homem nos abismos do desejo incontrolado onde o próprio assassinato é um acto de poesia e de amor. Este assassinato de que falo é o grande amplexo de homem para homem a solidariedade e a ternura, não a caridade hipócrita ou a cama de família, com todo o seu pequeno cortejo de horrores, onde a exploração do filho pelo pai dita a sua lei."
[Pedro Oom, Poema, in Grifo 1968 (?)]
*Pedro dos Santos Oom do Vale (1926 - 1974) foi um escritor surrealista português, que fez parte do Grupo Surrealista Dissidente, juntamente com nomes como Mário Cesariny e Alexandre O'Neill.
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7/08/2005 07:20:00 da tarde
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quinta-feira, julho 07, 2005
EU QUERO QUE AS FLORES SE PONHAM
EU QUERO QUE AS FLORES SE PONHAM SEMPRE COMO AMENDOEIRAS
BRANCAS BRANCAS BRANCAS
ÀS VEZES ESTOU NUM VERSO E EXPLODEM BOMBAS
ENTRA UM VENTO REFLECTIDO COMO AREIA QUE PROCURA OPOR-SE
E EU VEJO AS COISAS QUE ELE OFERECE
ELE TECE UM CÍRCULO UM MOVIMENTO O SANGUE
INCÓGNITO DA CEGUEIRA ONDE UM VERÃO SE ESCONDE
EU QUERO QUE AS FLORES SE PONHAM SEMPRE LONGE DA VISÃO DO FOGO
EU QUERO AS FLORES SE PONHAM.
mariagomes
7 julho.2005
BRANCAS BRANCAS BRANCAS
ÀS VEZES ESTOU NUM VERSO E EXPLODEM BOMBAS
ENTRA UM VENTO REFLECTIDO COMO AREIA QUE PROCURA OPOR-SE
E EU VEJO AS COISAS QUE ELE OFERECE
ELE TECE UM CÍRCULO UM MOVIMENTO O SANGUE
INCÓGNITO DA CEGUEIRA ONDE UM VERÃO SE ESCONDE
EU QUERO QUE AS FLORES SE PONHAM SEMPRE LONGE DA VISÃO DO FOGO
EU QUERO AS FLORES SE PONHAM.
mariagomes
7 julho.2005
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7/07/2005 08:21:00 da tarde
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Marc Chagall

só é meu
o país que trago dentro da alma.
entro nele sem passaporte
como em minha casa.
ele vê a minha tristeza
e a minha solidão.
me acalanta.
me cobre com uma pedra perfumada.
dentro de mim florescem jardins.
minhas flores são inventadas.
as ruas me pertencem
mas não há casas nas ruas.
as casas foram destruídas desde a minha infância.
os seus habitantes vagueiam no espaço
à procura de um lar.
instalam-se em minha alma.
eis por que sorrio
quando mal brilha o meu sol.
ou choro como uma chuva leve
na noite.
houve tempo em que eu tinha duas cabeças.
houve tempo em que essas duas caras
se cobriam de um orvalho amoroso.
se fundiam como o perfume de uma rosa.
hoje em dia me parece
que até quando recuo
estou avançando
para uma alta portada
atrás da qual se estendem altas muralhas
onde dormem trovões extintos
e relâmpagos partidos.
só é meu
o mundo que trago dentro da alma.
Marc Chagall*
(tradução: manuel bandeira)
*Marc Chagall nasceu em 1887 na Rússia Czarista. Filho mais velho de uma família pobre, educou-se em um ambiente de perseguição aos judeus. Em 1910, mudou-se para Paris, onde viveu até 1914 e onde teve contato com as sucessivas vanguardas do mundo das artes plásticas.Inicialmente aceito pelo regime soviético, em 1922 afastou-se dele e regressou para a França. Durante a Segunda Guerra Mundial viveu nos Estados Unidos. Múltiplo artista, cultivou, além da pintura, a cenografia, os vitrais, os mosaicos, etc. O seu mundo pictórico desligou-se em certo modo das vanguardas e tornou-se profundamente pessoal, contendo elementos cubistas e surrealistas, assim como símbolos judaicos e russos. O caráter onírico, a variedade cromática, um aparente infantilismo e a facilidade decorativa repetem-se incessantemente na sua pintura. Reconhecido como um dos principais pintores do século XX, Marc Chagall morreu em 1985, na França.
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7/07/2005 05:41:00 da tarde
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segunda-feira, julho 04, 2005
pergunta ao renascer
cantar sem a nostalgia,
porque sempre vai à frente
o sol da madrugada.
vento livre de verso humano,
na tua mão traçada,
pergunta ao renascer
:
poderá um critério,
cantar, cantar a forma,
viver em poesia, carne do teu ser?
(que poderá a memória?)
mariagomes
4 julho.2005
porque sempre vai à frente
o sol da madrugada.
vento livre de verso humano,
na tua mão traçada,
pergunta ao renascer
:
poderá um critério,
cantar, cantar a forma,
viver em poesia, carne do teu ser?
(que poderá a memória?)
mariagomes
4 julho.2005
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7/04/2005 04:48:00 da tarde
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domingo, julho 03, 2005
Mia Couto
"Dizem que os poetas sabem, sentindo. Distinguem-se dos homens da ciência porque estes estão credenciados por um saber contabilizável. Mas não há fronteira entre sentir e raciocinar. Persiste em todo o acto de sabedoria um diálogo secreto entre coisas e seres."
....
Mia Couto
excerto do prefácio de " os joelhos do silêncio"
de Heliodoro Baptista
editorial caminho
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7/03/2005 02:31:00 da manhã
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Ave Solitária / Manuel C. Amor

À Maria Gomes
"Separados fomos por cítaras e canto
Como outros por prisões ou por espadas "
(Sophia Mello Breyner Andresen)
Ave solitária voando sobre o mar
arrancando o corpo às tempestades.
Vieste do tempo
em que tudo nasce e tudo morre.
Assistes a esta nossa vida
longe da terra combalida.
Nenhuma nostalgia
matará as palavras
com que fazes os versos.
Manuel C. Amor
Julho 2005.
em Escritas
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7/03/2005 02:04:00 da manhã
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O céu contra os eclipses / Maria do Sameiro Barroso

(fotografia de "a rota dos ventos")
Rosas de um deserto vermelho, num tempo de morrer,
pela primavera, como os reis solares,
para exercitar a beleza, a criação,
o céu contra os eclipses adormecendo na turbulência lírica
dos dias, os meses passando suavemente.
Ontem Giuseppe Sinopoli morreu, em Berlim,
a dirigir o terceiro acto da Aïda.
Debruçada sobre os desertos, pensei no Egipto
dos faraós, em Belzoni, nas primeiras escavações,
num verso de António Ramos Rosa:
— “Desertei da biografia e dos relógios”.
E as lacunas emaranharam-se para construir a súbita
vastidão, os degraus e sua beleza resoluta,
pelos instantes nocturnos onde a intensidade se revela,
o mundo transpira, em cada instante,
o esplendor da claridade estende-se, pelas esfinges
lentas, diuturnas,
sobre a água e os papiros, as pirâmides grandiosas;
Hórus, o Deus Falcão, estendendo as suas asas,
pela agilidade que se ergue
e as luas lentas aproximam-se, porque amo os desertos,
os violoncelos verdes, o ímpeto radioso
e a poesia que se consuma,
pela aventura íngreme de todos os textos.
Maria do Sameiro Barroso*
(21-IV-2001)
(In Revista Mealibra, nº 9, Viana do Castelo, Dezembro, 2001, pg. 167.)
* o meu beijinho de agradecimento à Maria do Sameiro, por este poema oferecido à romã de vidro.
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7/03/2005 12:44:00 da manhã
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sábado, julho 02, 2005
Nem tudo o que escrevo é poesia. Nem sempre "voo fora das asas" (1), escrevo todos os dias para poder tocar as teclas ou ver no papel correr a caligrafia.
Mas o poema vem quase sempre de um papel.
Se reparo que, se há traços que são inimitáveis na minha caligrafia, reparo também que há dias em que ela se apresenta com ligeiras diferenças, mais fechada ou mais aberta. Julgo que será por essas diferenças que a poesia deve entrar.
mariagomes
2julho.2005
(1) Manoel de Barros
Mas o poema vem quase sempre de um papel.
Se reparo que, se há traços que são inimitáveis na minha caligrafia, reparo também que há dias em que ela se apresenta com ligeiras diferenças, mais fechada ou mais aberta. Julgo que será por essas diferenças que a poesia deve entrar.
mariagomes
2julho.2005
(1) Manoel de Barros
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7/02/2005 04:48:00 da tarde
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Piazzolla é um adeus inacabado

A Silvia Chueire do blog eugeniainthemeadow, perguntou-me numa Lista de Poesia como tinha surgido o poema que escrevi sem título, e eu disse-lhe que tinha surgido da música. Alguns dos meus poemas nascem da música que me fragiliza, e Piazzolla é um dos compositores que tem esse poder. Oiço-o até à exaustão, tocado de mil maneiras, seja pela Orquestra Filarmónica de Berlim, seja pela Orquestra do Teatro de Cólon. Há variadíssimas composições, fruto da fusão cultural que lhe é característica. Quando parece que tudo foi ouvido, surge uma nova versão ( e qual delas a mais bela?!)
Piazzolla é um adeus inacabado.
Ou um poema inacabado porque, numa outra oficina, Escritas, o Xavier Zarco e o José Félix, depois, escreveram:
ninguém morre de morte natural (1)
são decepadas as árvores
no consumismo das urbes.
só uma sílaba
percebeu o desígnio da morte
fugindo com vento
numa folha velha
de fuligem.
houve cânticos
no canavial da ravina.
josé félix
(1) jorge de sena
.../...
...e converter-se-á
semeados os lábios na sede
indagarão as secretas
águas dos templos
sobre a ara
a flor vermelha
as mãos em silêncio
do frio dos joelhos colherão
as sílabas de cada
uma
das suas pétalas...
Xavier Zarco
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7/02/2005 03:33:00 da tarde
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sexta-feira, julho 01, 2005
talvez a terra se converta,
e volte co'a flor vermelha.
olha, nunca mais eu vou morrer.
piazzolla tocou, ontem, pela enésima vez.
é preferível que do campo se livre um outono, como a morte.
mariagomes
1julho.2005
e volte co'a flor vermelha.
olha, nunca mais eu vou morrer.
piazzolla tocou, ontem, pela enésima vez.
é preferível que do campo se livre um outono, como a morte.
mariagomes
1julho.2005
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7/01/2005 11:53:00 da tarde
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quarta-feira, junho 29, 2005
em desalinho
os cabelos nasceram-me mortais e louros.
vê como adormeci à beira do monte.
onde tudo é simples,
existem lugares, em desalinho.
as palavras estão quase tristes.
mariagomes
29junho.2005
vê como adormeci à beira do monte.
onde tudo é simples,
existem lugares, em desalinho.
as palavras estão quase tristes.
mariagomes
29junho.2005
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6/29/2005 07:42:00 da tarde
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segunda-feira, junho 27, 2005
um país de cordas
venho falar-te de um país de cordas
que coincidem.
o voo guarda, na mão, o banho dos rios.
ali, o sol morre.
inicial,
o mar é a morte líquida.
zeus respira na coroação, numa acácia,
num ímpeto de sangue
de terra copiosa
de mães de muito mais.
ali, é lícita a lágrima
:
o homem
e a clareira abrem-se como caracteres que se consomem.
mariagomes
27junho.2005
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6/27/2005 04:58:00 da tarde
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domingo, junho 26, 2005
na palavra*
não falemos de ilhas,
a brevidade baloiça num rio redondo.
louco,
o inventário pertence a uma canoa de pássaros.
há tanto tempo
ou
hoje,
apenas hoje,
a preguiça presa ao sol
despontou.
de súbito, aqueceu a pedra
naquela língua
que lida
pula
pula
pula.
eu tenho na palavra uma pedra,
a língua que perdura.
há muito mar,
e os meus olhos nem azuis são.
mariagomes
26junho.2005
*ukulele ( no blogue quartzo, feldspato e mica)
a brevidade baloiça num rio redondo.
louco,
o inventário pertence a uma canoa de pássaros.
há tanto tempo
ou
hoje,
apenas hoje,
a preguiça presa ao sol
despontou.
de súbito, aqueceu a pedra
naquela língua
que lida
pula
pula
pula.
eu tenho na palavra uma pedra,
a língua que perdura.
há muito mar,
e os meus olhos nem azuis são.
mariagomes
26junho.2005
*ukulele ( no blogue quartzo, feldspato e mica)
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6/26/2005 01:23:00 da manhã
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sexta-feira, junho 24, 2005
onde ouvir histórias

welwitcha mirabilis, deserto do Namibe, Angola, fotografia de mariagomes
onde ouvir histórias com deus
e o deserto?
sabes, as espinheiras em declínio, exactas,
peremptoriamente
querem escolher dunas
e o esquecimento irrompe de uma chuva de claves.
deus desapareceu no deserto
a escrever versos muito verdes muito
verdes.
mariagomes
24dejunho.2005
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6/24/2005 03:02:00 da tarde
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um índice
"Avó, desliga o vento"
Sofia Gomes
nunca mais desliguei o poema do vento
porque o poema atravessa o pátio
e as palavras
a medula tem o vagar dos teus laços,
oiço-a na respiração,
como púcaros que bebi.
um índice ilumina as entranhas.
que a primavera me devolva o ouro a pupila,
de um tempo quente
uma ponte
para que, serenamente, possam
seguir-te as águas.
mariagomes
24junho, 2005
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6/24/2005 01:43:00 da manhã
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quinta-feira, junho 23, 2005

"Menina da Boina Verde"
Autor: Mily Possoz (1888 - 1967)
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6/23/2005 03:12:00 da tarde
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terça-feira, junho 21, 2005
a poesia de sofia...
"Avó, desliga o vento."
Sofia Gomes ( 2 anos e 9 meses)
coimbra, junho.2005
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6/21/2005 03:50:00 da tarde
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cantando a neve
mãe, se auréolas chegarem cantando a neve, o copo,
a colina da lua antiga e a carne, na mão,
beber da música do meu silêncio
inteira e selada, eu inflamarei as estrelas
e depois saberei de tudo;
da madrugada imperfeita em que nasci, o nome do sol
na febre... com que palavras me acordaram a esse sono.
mãe, se cada poema morrer, antes de mim
pede a Sipho Gumede(1) que os leve para Sul.
que tombe o meu corpo sobre aquele sopro todo.
e eu fique, assim eternamente,
entregue e com sentido.
mariagomes
21.junho.2005
(1) cantor sul-africano
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6/21/2005 01:54:00 da manhã
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segunda-feira, junho 20, 2005
sobre uma fotografia...
(" ao fundo ", fotografia de Carlos Peres Feio*)
há neste incêndio a felicidade,
uma luz a subir pela árvore, do lado errado.
mariagomes
20junho 2005
* em http://moinhoalto.nafoto.net/
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6/20/2005 04:45:00 da tarde
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sábado, junho 18, 2005
o que eu te queria dizer
este dia prende-se a todas as formas líquidas.
e no céu verde,
sem me aperceber,
os dedos tremem para além do desejo
que consegue tocar as tulipas.
e a comunhão é como aquela vontade de guardar mãos infinitas.
era só isto o que eu te queria dizer.
mariagomes
18junho.2005
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6/18/2005 02:56:00 da tarde
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- Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
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