até esse amor ficou,
preciso de acordar as pedras do sol.
só depois partirei comigo,
como eu sou,
na delonga do mar
interior
ante a margem e um equívoco.
mariagomes
julho.2005
"Abre a romã, mostrando a rubicunda Cor,com que tu, rubi, teu preço perdes; (...........)" Luis Vaz de Camões, Os Lusíadas,IX,59
quarta-feira, julho 27, 2005
terça-feira, julho 26, 2005
e.e.cummings
"...citarei muito brevemente um livro maravilhoso, com o qual me familiarizei pela primeira vez através de uma amiga maravilhosa chamada Hildegarde Watson - um livro cujo título em português é Cartas A Um Jovem Poeta, e cujo autor é o poeta alemão Rainer Maria Rilke:
'As obras de arte são de uma solidão infinita e nada nos toca tão pouco como a crítica. Apenas o amor as pode alcançar e deter e julgar equitativamente.'
Na minha orgulhosa e modesta opinião, estas duas frases valem toda a soi-disant crítica das artes que já existiu ou que algum dia existirá. Discordem delas tanto quanto quiserem, mas nunca as esqueçam; porque se as esquecerem terão esquecido o mistério que vocês têm sido, o mistério que serão, e o mistério que agora são-
tantos seres ( tantos demónios e deuses
cada qual mais ganancioso de que todos) é um homem
( tão facilmente um em outro se esconde;
e não pode o homem, sendo todos, fugir a nenhum)
tão vasto tumulto é o mais simples desejo:
tão impiedoso massacre a esperança
mais inocente ( tão profunda é a mente da carne
e tão desperto o que o acordar chama dormir)
assim nunca está mais sozinho o homem só
( o seu mais breve respirar vive o ano de algum planeta,
a sua mais longa vida é a pulsação de algum sol;
a sua menor imobilidade percorre a mais jovem estrela)
- como pode um louco que a si próprio se chama " Eu" supor
que entende um não numerável quem? "
....
E.E. Cummings
in " eu seis inconferências"
edição assírio e alvim
'As obras de arte são de uma solidão infinita e nada nos toca tão pouco como a crítica. Apenas o amor as pode alcançar e deter e julgar equitativamente.'
Na minha orgulhosa e modesta opinião, estas duas frases valem toda a soi-disant crítica das artes que já existiu ou que algum dia existirá. Discordem delas tanto quanto quiserem, mas nunca as esqueçam; porque se as esquecerem terão esquecido o mistério que vocês têm sido, o mistério que serão, e o mistério que agora são-
tantos seres ( tantos demónios e deuses
cada qual mais ganancioso de que todos) é um homem
( tão facilmente um em outro se esconde;
e não pode o homem, sendo todos, fugir a nenhum)
tão vasto tumulto é o mais simples desejo:
tão impiedoso massacre a esperança
mais inocente ( tão profunda é a mente da carne
e tão desperto o que o acordar chama dormir)
assim nunca está mais sozinho o homem só
( o seu mais breve respirar vive o ano de algum planeta,
a sua mais longa vida é a pulsação de algum sol;
a sua menor imobilidade percorre a mais jovem estrela)
- como pode um louco que a si próprio se chama " Eu" supor
que entende um não numerável quem? "
....
E.E. Cummings
in " eu seis inconferências"
edição assírio e alvim
Publicada por
mariagomes
à(s)
7/26/2005 05:27:00 da tarde
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
domingo, julho 24, 2005
imaginário
são minhas as águas que se calam,
é meu o poema perdido, e uns girassóis,
e esta ânsia
devoluta no silêncio que poderia ter nascido.
nada mais tenho, oh lago imaginário.
mariagomes
24julho2005
é meu o poema perdido, e uns girassóis,
e esta ânsia
devoluta no silêncio que poderia ter nascido.
nada mais tenho, oh lago imaginário.
mariagomes
24julho2005
Publicada por
mariagomes
à(s)
7/24/2005 01:47:00 da tarde
4 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
sexta-feira, julho 22, 2005
" Memória"

(@ fotografia de mariagomes)
De todos os cilícios, um, apenas,
Me foi grato sofrer:
Cinquenta anos de desassossego
A ver correr,
Serenas,
As águas do Mondego.
Coimbra, 1 de Novembro de 1983
Miguel Torga
Publicada por
mariagomes
à(s)
7/22/2005 07:58:00 da tarde
6 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
quinta-feira, julho 21, 2005
Publicada por
mariagomes
à(s)
7/21/2005 06:42:00 da tarde
5 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Mia Couto
“Eis a diferença:
Os que antes morriam de fome
Passaram a morrer por falta de comida.”
( taberneiro Tuzébio)
Mia Couto
in “ Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra”
Editorial caminho
Os que antes morriam de fome
Passaram a morrer por falta de comida.”
( taberneiro Tuzébio)
Mia Couto
in “ Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra”
Editorial caminho
Publicada por
mariagomes
à(s)
7/21/2005 01:48:00 da manhã
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
quarta-feira, julho 20, 2005
A Morte do Valente
Mamava no verde das tetas de coqueiros,
e no regaço de areias amadas pelo vento,
gostava de brincar com pedras fixas
sem medo, batidas pelo mar.
Um dia descobriu outra identidade;
nome: Valente
filho de: Vontades
idade: Militar
E marchou.
Tanto marchou que, num voo desventrou a terra,
qual ave ferida caiu na cratera da vida.
Ficou-lhe a bater o coração, e à cintura
um coágulo de revólver figurado...
Circulou num andar de ruínas pelas ruas,
lambeu o lixo de muitas vaidades.
Com raiva engolida no tempero da fome
consultou o mercado trocado de valores:
- uma galinha valia mais do que a pólvora!
num gesto herdado de pensar ao vento,
acariciou a cintura...
Logo, de todos os quadrantes partiram balas...
O mundo armado no medo da verdade
atingiu um astro na sua idoneidade.
mariagomes
dezembro, 2002
e no regaço de areias amadas pelo vento,
gostava de brincar com pedras fixas
sem medo, batidas pelo mar.
Um dia descobriu outra identidade;
nome: Valente
filho de: Vontades
idade: Militar
E marchou.
Tanto marchou que, num voo desventrou a terra,
qual ave ferida caiu na cratera da vida.
Ficou-lhe a bater o coração, e à cintura
um coágulo de revólver figurado...
Circulou num andar de ruínas pelas ruas,
lambeu o lixo de muitas vaidades.
Com raiva engolida no tempero da fome
consultou o mercado trocado de valores:
- uma galinha valia mais do que a pólvora!
num gesto herdado de pensar ao vento,
acariciou a cintura...
Logo, de todos os quadrantes partiram balas...
O mundo armado no medo da verdade
atingiu um astro na sua idoneidade.
mariagomes
dezembro, 2002
Publicada por
mariagomes
à(s)
7/20/2005 10:37:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Sebastião Salgado

"Refugee From Gondan, Mali 1985 "
Publicada por
mariagomes
à(s)
7/20/2005 02:55:00 da tarde
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
terça-feira, julho 19, 2005
OBJETIVO

"Os verdadeiros versos não são para embalar, mas para abalar"
Mário Quintana
Publicada por
mariagomes
à(s)
7/19/2005 12:50:00 da tarde
3 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
gradualmente
despir os olhos gradualmente à emoção dos regatos
algo visto intocável
é esse manto de cambraia
o azul da carne
a cintura
no prolongamento de um vulto que sustenta a luxúria.
mariagomes
julh.2005
Publicada por
mariagomes
à(s)
7/19/2005 11:04:00 da manhã
4 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
domingo, julho 17, 2005
" Regatas em Argenteiul"

"...a primeira impressão a que somos sensíveis, nunca deve ser perdida"...
Claude Monet
Publicada por
mariagomes
à(s)
7/17/2005 07:32:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
( a enrique granados)
hoje, não há rosas em casa.
há a consagração vermelha de guitarras
e o navio
saindo das profundezas
com muitas partituras de paris tocadas,
em valsa, por monet.
mariagomes
julho2005
há a consagração vermelha de guitarras
e o navio
saindo das profundezas
com muitas partituras de paris tocadas,
em valsa, por monet.
mariagomes
julho2005
Publicada por
mariagomes
à(s)
7/17/2005 07:23:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
sexta-feira, julho 15, 2005
difícil aventura
vem comigo fazer a tal viagem.
a poesia foi pensada
na funda, difícil, aventura de filtrar o que somos.
oferece-me um rio,
o outro lado
do trigo que sobrou da eternidade.
mariagomes
julho.2005
a poesia foi pensada
na funda, difícil, aventura de filtrar o que somos.
oferece-me um rio,
o outro lado
do trigo que sobrou da eternidade.
mariagomes
julho.2005
Publicada por
mariagomes
à(s)
7/15/2005 11:59:00 da tarde
4 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
quinta-feira, julho 14, 2005
a pergunta de Sofia...
A Sofia* apontou o dedo para um livro, e fez-me a seguinte pergunta : "de quem é essa palavra?"
Hoje, aprendi com a minha neta que a palavra é um livro.
mariagomes
( * com 2 anos e 10 meses)
Hoje, aprendi com a minha neta que a palavra é um livro.
mariagomes
( * com 2 anos e 10 meses)
Publicada por
mariagomes
à(s)
7/14/2005 10:47:00 da tarde
2 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
artCanal

"Vênus" de Zamboni
téc: mista - 80x100- ano 2000
Publicada por
mariagomes
à(s)
7/14/2005 08:32:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
terça-feira, julho 12, 2005
a obsessão
porque me espreita de um piano
a nota solta
minúscula iniciando o mundo
porque é breve a obsessão
e o litoral vai
para uma ilha onde se altiva
porque o milagre é absoluto
de animais que afiam as miragens
porque na música há palavras
eu posso escrever
meu amor.
mariagomes
julho.2005
a nota solta
minúscula iniciando o mundo
porque é breve a obsessão
e o litoral vai
para uma ilha onde se altiva
porque o milagre é absoluto
de animais que afiam as miragens
porque na música há palavras
eu posso escrever
meu amor.
mariagomes
julho.2005
Publicada por
mariagomes
à(s)
7/12/2005 12:45:00 da tarde
4 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
sábado, julho 09, 2005
e os milhafres
e os milhafres que me ardem na mão,
o cacto, a cor do exílio delirante,
tudo isso exacto em claves e claustros
repartidos pelos dedos de um poente marítimo
a acontecer nos meus deuses, quando ainda havia deuses
qu’ eu podia amar,
o que deles faço?
mariagomes
9 de julho.2005
o cacto, a cor do exílio delirante,
tudo isso exacto em claves e claustros
repartidos pelos dedos de um poente marítimo
a acontecer nos meus deuses, quando ainda havia deuses
qu’ eu podia amar,
o que deles faço?
mariagomes
9 de julho.2005
Publicada por
mariagomes
à(s)
7/09/2005 05:04:00 da tarde
4 comentários:
Hiperligações para esta mensagem
sexta-feira, julho 08, 2005
Paulo Leminski

ODE À POESIA
"Parem, eu confesso, sou poeta. Cada manhã que nasce me nasce uma rosa na face. Parem, eu confesso, sou poeta. Só meu amor é meu deus, eu sou o seu profeta".
Paulo Leminski ( Brasil, 1944/1989)
Publicada por
mariagomes
à(s)
7/08/2005 10:51:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Pedro Oom
"Poesia não é uma medalha para por no peito dos tiranos mas uma imensa solidão feita de pedras, onde o despotismo pode encomendar o ataúde. Cada um de nós odeia o que ama. Por isso o poeta não ama a poesia que é só desespero e solidão mas acalenta ao peito as formigas da revolta e da rebeldia, que todos os déspotas querem submissas e procriadoras. Só os voluntários da miséria e da submissão patriarcal querem a poesia na arca da aliança com a tradição pacóvia e regionalista dos pretéritos dias, glórias patrioteiras, heroicidades frustes, pirataria ignara.Todo o verdadeiro poeta despreza o pequeno monte de esterco onde o dejectaram no planeta e a que os outros chamam pátria, e só ama os grandes continentes mares e oceanos da liberdade e do amor. Só nos vastos espaços incriados a poesia serve o seu destino – catapultar o homem nos abismos do desejo incontrolado onde o próprio assassinato é um acto de poesia e de amor. Este assassinato de que falo é o grande amplexo de homem para homem a solidariedade e a ternura, não a caridade hipócrita ou a cama de família, com todo o seu pequeno cortejo de horrores, onde a exploração do filho pelo pai dita a sua lei."
[Pedro Oom, Poema, in Grifo 1968 (?)]
*Pedro dos Santos Oom do Vale (1926 - 1974) foi um escritor surrealista português, que fez parte do Grupo Surrealista Dissidente, juntamente com nomes como Mário Cesariny e Alexandre O'Neill.
Publicada por
mariagomes
à(s)
7/08/2005 07:20:00 da tarde
Sem comentários:
Hiperligações para esta mensagem
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Arquivo do blogue
Acerca de mim
- mariagomes
- Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
Links
- A arquitectura das palavras
- a luz do voo
- A Palavra e o Canto
- A Teia de Aranha
- aguarelas de Turner
- ALI_SE
- Amazonic Haijin
- amoralva
- Angola, Debates & Ideias
- Ao Longe os Barcos de Flores
- ArteLetras
- Assimetria Do Perfeito
- Associação José Afonso
- Bar do Bardo
- canto.chão
- Casa Museu João de Deus
- Casulo Temporário
- Coisas do Chico
- Coisas para fazer com palavras
- Colóquio Letras
- Contra a Indiferença
- Daniel Faria
- dias felizes
- Diário Poético
- Do Inatingível e outros Cosmos
- emedemar
- Escrevinhamentos
- Estrela da Madrugada
- Eu,X.Z.
- Extensa Madrugada, Mãos Vazias
- Fundação Eugénio de Andrade
- Harmonia do Mundo
- InfinitoMutante
- Inscrições
- Inscrições
- Jornal de Poesia
- José Afonso
- josé saramago
- Linha de Cabotagem III
- Local & Blogal
- Luiz Carlos de Carvalho
- meia-noite todo dia
- Nas horas e horas meias
- nas margens da poesia
- naturezaviva
- No Centro do Arco
- O Arco E A Lira
- O mar atinge-nos
- O pó da Escrita
- Odisseus
- Ofício Diário
- Ombembwa Angola
- ParadoXos
- Poema Dia
- POEMARGENS
- Poesia de Vieira Calado
- Poesia Dos Dias úteis
- Poesia Sim
- Poeta Salutor
- Poetas del Mundo
- Revista Agulha
- Rolando Revagliatti
- Rosangela_Aliberti
- Sambaquis
- Stalingrado III
- Sulmoura
- TriploV
- tábua de marés
- Umbigo do Sonho
- Vá andando
- Xavier Zarco



