perco as pérolas e o encarnado pede-me o que não tenho.
o sol do regresso a sombra acocorada
o princípio subversivo da chuva
e as minhas mãos que se cravaram no nada.
corpo a corpo arranco os espelhos que ficaram à espera.
mariagomes
agosto.2005
"Abre a romã, mostrando a rubicunda Cor,com que tu, rubi, teu preço perdes; (...........)" Luis Vaz de Camões, Os Lusíadas,IX,59
terça-feira, agosto 02, 2005
domingo, julho 31, 2005
esta lua
esta lua é uma criança,
e ninguém sabe que enlaça o poema dos verdes ramos.
esta lua é uma graça, à distância estremece
ao ser de sábia mão.
esta lua é um redondo manifesto.
o meu barco, de repente, balança, em silêncio, em fúria;
esta lua insinua.
mariagomes
julh.2005
e ninguém sabe que enlaça o poema dos verdes ramos.
esta lua é uma graça, à distância estremece
ao ser de sábia mão.
esta lua é um redondo manifesto.
o meu barco, de repente, balança, em silêncio, em fúria;
esta lua insinua.
mariagomes
julh.2005
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7/31/2005 10:42:00 da tarde
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fotografia de Ansel Adams in art.transindex.ro
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7/31/2005 10:38:00 da tarde
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sábado, julho 30, 2005
sem ambição
combino formas sem ambição infinita
cai uma frente o futuro uma chuva que avança
para um refúgio de horas que se quebram nos quadris.
há uma claridade audaz que me cega
há um abismo doente de alegria
a infância que vê o mar sempre assim iluminado.
ó deserto impassível ó água corrente e castanha ó rio feliz
abre o meu coração como se a morte fosse uma taça
com feitio de coisas feitas pelo oceano.
o meu coração está mais calmo bate como espírito incriado.
mariagomes
julho.2005
cai uma frente o futuro uma chuva que avança
para um refúgio de horas que se quebram nos quadris.
há uma claridade audaz que me cega
há um abismo doente de alegria
a infância que vê o mar sempre assim iluminado.
ó deserto impassível ó água corrente e castanha ó rio feliz
abre o meu coração como se a morte fosse uma taça
com feitio de coisas feitas pelo oceano.
o meu coração está mais calmo bate como espírito incriado.
mariagomes
julho.2005
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7/30/2005 08:19:00 da tarde
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quinta-feira, julho 28, 2005
( sem título)
perdi-me num requesto secular...
perdi-me no perfil de um poente,
e as amoras amadurecem.
o que escrevo é nada, enquanto os luares correm.
há uma dilatação a urdir a fábula, e o ébano.
meu amor, deixa que seja minha a anuência da música.
a música é uma ínsua no tempo.
mariagomes
julho.2005
perdi-me no perfil de um poente,
e as amoras amadurecem.
o que escrevo é nada, enquanto os luares correm.
há uma dilatação a urdir a fábula, e o ébano.
meu amor, deixa que seja minha a anuência da música.
a música é uma ínsua no tempo.
mariagomes
julho.2005
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7/28/2005 09:55:00 da tarde
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quarta-feira, julho 27, 2005

....
"Digo no meu escandir privado:
já alcancei a membrana da romã
fruto áfrico neste patamar sagrado
onde o repouso cala o grito da manhã."
....
Heliodoro Baptista
excerto do poema "história irrasurável"
in " Nos Joelhos do Silêncio"
editorial caminho, 2005
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7/27/2005 06:50:00 da tarde
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ante a margem
até esse amor ficou,
preciso de acordar as pedras do sol.
só depois partirei comigo,
como eu sou,
na delonga do mar
interior
ante a margem e um equívoco.
mariagomes
julho.2005
preciso de acordar as pedras do sol.
só depois partirei comigo,
como eu sou,
na delonga do mar
interior
ante a margem e um equívoco.
mariagomes
julho.2005
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7/27/2005 12:38:00 da tarde
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terça-feira, julho 26, 2005
e.e.cummings
"...citarei muito brevemente um livro maravilhoso, com o qual me familiarizei pela primeira vez através de uma amiga maravilhosa chamada Hildegarde Watson - um livro cujo título em português é Cartas A Um Jovem Poeta, e cujo autor é o poeta alemão Rainer Maria Rilke:
'As obras de arte são de uma solidão infinita e nada nos toca tão pouco como a crítica. Apenas o amor as pode alcançar e deter e julgar equitativamente.'
Na minha orgulhosa e modesta opinião, estas duas frases valem toda a soi-disant crítica das artes que já existiu ou que algum dia existirá. Discordem delas tanto quanto quiserem, mas nunca as esqueçam; porque se as esquecerem terão esquecido o mistério que vocês têm sido, o mistério que serão, e o mistério que agora são-
tantos seres ( tantos demónios e deuses
cada qual mais ganancioso de que todos) é um homem
( tão facilmente um em outro se esconde;
e não pode o homem, sendo todos, fugir a nenhum)
tão vasto tumulto é o mais simples desejo:
tão impiedoso massacre a esperança
mais inocente ( tão profunda é a mente da carne
e tão desperto o que o acordar chama dormir)
assim nunca está mais sozinho o homem só
( o seu mais breve respirar vive o ano de algum planeta,
a sua mais longa vida é a pulsação de algum sol;
a sua menor imobilidade percorre a mais jovem estrela)
- como pode um louco que a si próprio se chama " Eu" supor
que entende um não numerável quem? "
....
E.E. Cummings
in " eu seis inconferências"
edição assírio e alvim
'As obras de arte são de uma solidão infinita e nada nos toca tão pouco como a crítica. Apenas o amor as pode alcançar e deter e julgar equitativamente.'
Na minha orgulhosa e modesta opinião, estas duas frases valem toda a soi-disant crítica das artes que já existiu ou que algum dia existirá. Discordem delas tanto quanto quiserem, mas nunca as esqueçam; porque se as esquecerem terão esquecido o mistério que vocês têm sido, o mistério que serão, e o mistério que agora são-
tantos seres ( tantos demónios e deuses
cada qual mais ganancioso de que todos) é um homem
( tão facilmente um em outro se esconde;
e não pode o homem, sendo todos, fugir a nenhum)
tão vasto tumulto é o mais simples desejo:
tão impiedoso massacre a esperança
mais inocente ( tão profunda é a mente da carne
e tão desperto o que o acordar chama dormir)
assim nunca está mais sozinho o homem só
( o seu mais breve respirar vive o ano de algum planeta,
a sua mais longa vida é a pulsação de algum sol;
a sua menor imobilidade percorre a mais jovem estrela)
- como pode um louco que a si próprio se chama " Eu" supor
que entende um não numerável quem? "
....
E.E. Cummings
in " eu seis inconferências"
edição assírio e alvim
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7/26/2005 05:27:00 da tarde
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domingo, julho 24, 2005
imaginário
são minhas as águas que se calam,
é meu o poema perdido, e uns girassóis,
e esta ânsia
devoluta no silêncio que poderia ter nascido.
nada mais tenho, oh lago imaginário.
mariagomes
24julho2005
é meu o poema perdido, e uns girassóis,
e esta ânsia
devoluta no silêncio que poderia ter nascido.
nada mais tenho, oh lago imaginário.
mariagomes
24julho2005
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7/24/2005 01:47:00 da tarde
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sexta-feira, julho 22, 2005
" Memória"

(@ fotografia de mariagomes)
De todos os cilícios, um, apenas,
Me foi grato sofrer:
Cinquenta anos de desassossego
A ver correr,
Serenas,
As águas do Mondego.
Coimbra, 1 de Novembro de 1983
Miguel Torga
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7/22/2005 07:58:00 da tarde
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quinta-feira, julho 21, 2005
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7/21/2005 06:42:00 da tarde
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Mia Couto
“Eis a diferença:
Os que antes morriam de fome
Passaram a morrer por falta de comida.”
( taberneiro Tuzébio)
Mia Couto
in “ Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra”
Editorial caminho
Os que antes morriam de fome
Passaram a morrer por falta de comida.”
( taberneiro Tuzébio)
Mia Couto
in “ Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra”
Editorial caminho
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7/21/2005 01:48:00 da manhã
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quarta-feira, julho 20, 2005
A Morte do Valente
Mamava no verde das tetas de coqueiros,
e no regaço de areias amadas pelo vento,
gostava de brincar com pedras fixas
sem medo, batidas pelo mar.
Um dia descobriu outra identidade;
nome: Valente
filho de: Vontades
idade: Militar
E marchou.
Tanto marchou que, num voo desventrou a terra,
qual ave ferida caiu na cratera da vida.
Ficou-lhe a bater o coração, e à cintura
um coágulo de revólver figurado...
Circulou num andar de ruínas pelas ruas,
lambeu o lixo de muitas vaidades.
Com raiva engolida no tempero da fome
consultou o mercado trocado de valores:
- uma galinha valia mais do que a pólvora!
num gesto herdado de pensar ao vento,
acariciou a cintura...
Logo, de todos os quadrantes partiram balas...
O mundo armado no medo da verdade
atingiu um astro na sua idoneidade.
mariagomes
dezembro, 2002
e no regaço de areias amadas pelo vento,
gostava de brincar com pedras fixas
sem medo, batidas pelo mar.
Um dia descobriu outra identidade;
nome: Valente
filho de: Vontades
idade: Militar
E marchou.
Tanto marchou que, num voo desventrou a terra,
qual ave ferida caiu na cratera da vida.
Ficou-lhe a bater o coração, e à cintura
um coágulo de revólver figurado...
Circulou num andar de ruínas pelas ruas,
lambeu o lixo de muitas vaidades.
Com raiva engolida no tempero da fome
consultou o mercado trocado de valores:
- uma galinha valia mais do que a pólvora!
num gesto herdado de pensar ao vento,
acariciou a cintura...
Logo, de todos os quadrantes partiram balas...
O mundo armado no medo da verdade
atingiu um astro na sua idoneidade.
mariagomes
dezembro, 2002
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7/20/2005 10:37:00 da tarde
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Sebastião Salgado

"Refugee From Gondan, Mali 1985 "
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7/20/2005 02:55:00 da tarde
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terça-feira, julho 19, 2005
OBJETIVO

"Os verdadeiros versos não são para embalar, mas para abalar"
Mário Quintana
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7/19/2005 12:50:00 da tarde
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gradualmente
despir os olhos gradualmente à emoção dos regatos
algo visto intocável
é esse manto de cambraia
o azul da carne
a cintura
no prolongamento de um vulto que sustenta a luxúria.
mariagomes
julh.2005
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7/19/2005 11:04:00 da manhã
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domingo, julho 17, 2005
" Regatas em Argenteiul"

"...a primeira impressão a que somos sensíveis, nunca deve ser perdida"...
Claude Monet
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7/17/2005 07:32:00 da tarde
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( a enrique granados)
hoje, não há rosas em casa.
há a consagração vermelha de guitarras
e o navio
saindo das profundezas
com muitas partituras de paris tocadas,
em valsa, por monet.
mariagomes
julho2005
há a consagração vermelha de guitarras
e o navio
saindo das profundezas
com muitas partituras de paris tocadas,
em valsa, por monet.
mariagomes
julho2005
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7/17/2005 07:23:00 da tarde
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sexta-feira, julho 15, 2005
difícil aventura
vem comigo fazer a tal viagem.
a poesia foi pensada
na funda, difícil, aventura de filtrar o que somos.
oferece-me um rio,
o outro lado
do trigo que sobrou da eternidade.
mariagomes
julho.2005
a poesia foi pensada
na funda, difícil, aventura de filtrar o que somos.
oferece-me um rio,
o outro lado
do trigo que sobrou da eternidade.
mariagomes
julho.2005
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mariagomes
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7/15/2005 11:59:00 da tarde
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- mariagomes
- Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
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