quarta-feira, setembro 14, 2005


(fotografia de Augusto Mota)


"Os dias deviam começar sempre assim, a transbordar de uma suave religiosidade panteísta!"

Augusto Mota
13 Set. 2005

terça-feira, setembro 13, 2005

falo de jardins

falo de jardins.
resvalo por te querer, flor verde do meu seio.

sem caminho,
levanto a aurora com um arado,

colho câmaras de sede que hão-de vir.

preciso da tua eternidade
da noite meia,
dessa contínua canção que me descobre

quando digo que
- hoje irá anoitecer.

mariagomes
13 Set.2005

sexta-feira, setembro 09, 2005

oh meu amor, gotejam corredores gelados,
senta-se o destino da chuva
a delinear a humanidade de ninguém.

mariagomes
9set.2005

Orazio Centaro


"Greek Tragedy,I" fotografia de Orazio Centaro

quinta-feira, setembro 08, 2005

a rua respira

a rua respira de um amarelo minúsculo,
nos dedos a poesia gasta-se.
com algemas nasceu uma rosa corroendo a paisagem,
e é setembro.
chegaram os sopros pungentes da iluminação.

certamente vestirei um acto inútil,
perderei do sentido a noção.

ouve-me,
ainda que as esferas no meu sangue se esbarrem, o vento
continua a empurrar as aves
que conduzem trenós, e a ternura é veloz.

mariagomes
7 de Set.2005

sábado, setembro 03, 2005

o amor

todo o deserto cabe na boca.

os levantes vêm do fim.

é assim o amor, ondulação lírica
na língua
inexplicável do fogo.

um roubo.

mariagomes
3set.2005

sexta-feira, setembro 02, 2005




"a Poesia é a confissão sincera do Pensamento mais íntimo de uma idade"


Antero de Quental


(In Prosas I, p.306, Coimbra, Imprensa da Universidade)

*Antero de Quental (1842-1891) nasceu em Ponta Delgada, Açores. Frequentou a Universidade de Coimbra, tendo passado depois algum tempo em Paris. Viajou pelos Estados Unidos e Canadá, fixando-se em Lisboa. Pertenceu à à chamada Geração de Setenta, grupo que pretendia renovar a mentalidade portuguesa, e participou nas Conferências do Casino. Foi amigo, entre outros, de Eça de Queirós e Oliveira Martins. Atacado por uma doença do foro psiquiátrico, regressa aos Açores onde se suicida. As suas obras vão da poesia à reflexão filosófica: Raios de Extinta Luz, Odes Modernas, Primaveras Românticas, Sonetos, Prosas e Cartas.






terça-feira, agosto 30, 2005

inquietação

mostra à terra a lonjura que te surpreende.
há nisto tudo uma inquietação como se a morte viesse vestida.
vê pela palavra. a palavra sabe o que é amar
e no entanto
tenta a solidão das cinzas.

mariagomes
30agosto2005

domingo, agosto 21, 2005

Daniel Faria





"Socorre-me, devolve-me a leveza
Da tão primeira nuvem que avistares."

Daniel Faria

in" Explicação das Árvores e de outros animais"
edição Fundação Manuel Leão
pág.58

sábado, agosto 13, 2005

existir


@fotografia de Fernando Costa ( Maputo), "Kruger National Park, S.A."


pela idêntica razão de existir
os pássaros caminham sobre a voz dos búzios.


mariagomes
agosto.2005

de um sopro


fotografia de Fernando Costa ( Maputo) " Kruger National Park, S.A."




as naus entardecem de um sopro ébrio.
e eu sonho, órfã,

com o pão da seriedade,
com a luz do sol
que conforta
e se afunda convalescente.

encontrarei a paz neste tumulto
a esvair-se
por um ministério.

mariagomes
agosto.2005

sexta-feira, agosto 12, 2005

é feio receber e não retribuir!
No último post esqueci-me de deixar o meu beijinho de agradecimento ao meu irmão de Maputo, Fernando Costa, pela fotografia. Ou pelas fotografias, porque ele enviou, quase, um album. Irei seleccioná-las e publicá-las, são belíssimas e falam de África.

Muito obrigada, pelo brilho que vieste dar à Romã.

mariagomes

Kruger National Park, África do Sul


@fotografia de Fernando Costa ( Maputo)

quarta-feira, agosto 10, 2005

com amor


com amor deram-me o sol.
em jorro,

a viagem que ilibava a janela.

era o crepúsculo,
alterno à capela, de um riso fundo.

mariagomes
agosto.2005

terça-feira, agosto 09, 2005

A poesia... de Torquato da Luz


A poesia não é um código secreto
acessível apenas a alguns
nem uma sucessão de palavras
ininteligível pelo próprio autor.

A poesia é uma tentativa
de entender a vida.

(2005)

Torquato da Luz

segunda-feira, agosto 08, 2005

a dor antiga

ardem-me as mãos;
voltou a dor antiga, a que definia a fronteira.
sei que trago a pétala que se estiola,
ponta a ponta,
e que a poesia padece.

converto-me numa frente,
arquejante,
como a vela que, em junho, acendeste a nossa senhora.

era, ainda, a infância.
eu morria, matinal, só com a minha sede,
perseguindo a paz de abraçar vendavais.


ardem-me as mãos, mãe!

mariagomes
agosto.2005

domingo, agosto 07, 2005

Silêncio Que Estão Dormindo Os Lagos E As Açucenas

Adeus Ibrahim...





"Hoy siento gran emoción
Voy a cantarle a mi tierra
A esa famosa región
llamada "perla sureña"

...

"Cienfuegos, yo a ti te llevo
metido en mi corazón, "
...

Ibrahim Ferrer
excerto de "Cienfuegos, Tiene Su Guaguancóby "

quando as gaivotas cantam

quando as gaivotas cantam
o dorso, a um céu aberto

tu perguntas: acendem-se ofertas?

abrigo os braços

num grito insondável
no azul
no teu sexo

quando as gaivotas cantam

é como se nada mais houvesse.

mariagomes
agosto.2005

sexta-feira, agosto 05, 2005

O sol do incêndio


Coimbra, 5 de Agosto, 17 e 50

o que andamos a fazer?


Coimbra, 5 de Agosto, 16 e 58


O horizonte ainda é verde, só que coberto de fumo.
mariagomes

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Acerca de mim

A minha foto
Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
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