"Abre a romã, mostrando a rubicunda Cor,com que tu, rubi, teu preço perdes; (...........)" Luis Vaz de Camões, Os Lusíadas,IX,59
sexta-feira, novembro 11, 2005
da tranquilidade da palavra arranca o retrato da loucura,
aí cabe um limite.
Ou talvez, de tuas mãos, ninguém grite.
mariagomes
10.Nov.2005
aí cabe um limite.
Ou talvez, de tuas mãos, ninguém grite.
mariagomes
10.Nov.2005
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11/11/2005 01:27:00 da tarde
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quinta-feira, novembro 10, 2005
"Esta mulher exilada não pára de morrer
Voltai-lhe o rosto para a terra natal, para que ela exale o último suspiro."
Sayd Bahodine Majrouh
in " A Voz secreta das mulheres afegãs,
o suicídio e o canto"
p, 49
versão de Ana Hatherly
edições cavalo de ferro
Voltai-lhe o rosto para a terra natal, para que ela exale o último suspiro."
Sayd Bahodine Majrouh
in " A Voz secreta das mulheres afegãs,
o suicídio e o canto"
p, 49
versão de Ana Hatherly
edições cavalo de ferro
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11/10/2005 07:25:00 da tarde
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Apontamento do Filo-Café de Vigo, a 5 de Novembro...

(Pub " Sete Mares", Vigo)
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11/10/2005 06:20:00 da tarde
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terça-feira, novembro 08, 2005
em pedra, a minha coroa

( Quinta das Lágrimas, 7.Nov.2005, Coimbra)
para haver uma árvore, lançarei a terra à tua luz;
o orvalho fulminante
agarrado secretamente ao lume.
depois, irromperá a folha
da impressão de um ramo doce e nu.
como tu, Inês, eu peço que talhem, em pedra,
a minha coroa
no pecado que propaga o linho, na fonte trigueira;
no gume da humanidade que ainda se transfigura,
para haver uma árvore.
mariagomes
out/nov.2005
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11/08/2005 10:00:00 da manhã
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segunda-feira, outubro 31, 2005
o significado das águas
Havia uma cidade de chuva incendiada,
a mágoa que se expunha a cobrir o mel da manhã.
e nós lá dentro
como se tudo estivesse, abertamente
no rumor da falésia.
um pássaro forjou o significado das águas.
mariagomes
31deout.2005
a mágoa que se expunha a cobrir o mel da manhã.
e nós lá dentro
como se tudo estivesse, abertamente
no rumor da falésia.
um pássaro forjou o significado das águas.
mariagomes
31deout.2005
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10/31/2005 11:57:00 da manhã
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sábado, outubro 29, 2005
a seiva
Outrora, eclodiam os desertos.
Chegava a integridade de um outono -
a seiva, àquela simples casa que morria
de súbito, e amava.
mariagomes
out.2005
Chegava a integridade de um outono -
a seiva, àquela simples casa que morria
de súbito, e amava.
mariagomes
out.2005
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10/29/2005 02:19:00 da tarde
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quarta-feira, outubro 26, 2005
os últimos peregrinos
Inventamos palavras cerceando o interior,
e o resto aberto a quem passa
e nos diz:
- estes são os últimos peregrinos,
têm o nódulo da língua ligada ao sol.
amanhã o mar é o mesmo,
os mesmos peixes lavrarão, no azul, a boca de outro caminho.
mariagomes
26out.2005
e o resto aberto a quem passa
e nos diz:
- estes são os últimos peregrinos,
têm o nódulo da língua ligada ao sol.
amanhã o mar é o mesmo,
os mesmos peixes lavrarão, no azul, a boca de outro caminho.
mariagomes
26out.2005
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10/26/2005 04:21:00 da tarde
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terça-feira, outubro 25, 2005
César Fernández Moreno

tienen cuerpo las palabras tocan y son tocadas
son caramelos se las puede lamer chupar mamar
hierven como peces en un estanque tropical
tienen tantas formas como las valvas según las rocas a que se adhieran
pero importa mucho más lo que contiene su nacarado seno
la vida deliciosa frágil del ser que las habita
son transparentes para que resplandezca su contenido
son crisálidas clavos ardiendo
granadas que revientan en la mano si no se arrojan a tiempo
sólo viven para morir (...)
fragmento de "Las palabras",
De Argentino hasta la muerte,
Editorial Sudamericana, Buenos Aires, 1963
César Fernández Moreno (Argentina, 1919-1985)
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10/25/2005 09:53:00 da tarde
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Paul Gauguin

"Where Do We Come From? What Are We? Where Are We Going?"
(Oil on canvas)
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10/25/2005 12:19:00 da manhã
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a música de um pássaro triste
eu não sei porque cantaste ao meu olvido,
a música de um pássaro triste.
lançariam os dédalos o projéctil
de um sinónimo destinado à rua?
de onde nasceram os pomos que o céu incorpora?
e esta árvore na imortalidade da lâmpada?
e um suicida?
vê como demora o silêncio, vê como se nega o poema
ao abandono, “nas estátuas que são gente nossa”.(1)
mariagomes
24 de out.2005
(1) in "Mãe", Miguel Torga
a música de um pássaro triste.
lançariam os dédalos o projéctil
de um sinónimo destinado à rua?
de onde nasceram os pomos que o céu incorpora?
e esta árvore na imortalidade da lâmpada?
e um suicida?
vê como demora o silêncio, vê como se nega o poema
ao abandono, “nas estátuas que são gente nossa”.(1)
mariagomes
24 de out.2005
(1) in "Mãe", Miguel Torga
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10/25/2005 12:06:00 da manhã
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domingo, outubro 23, 2005
na página
ouve, eu tenho uma lua nova,
dobro-a com os dedos,
na página.
o mar apagou-se não sei porquê!
os sinos ousam no deserto,
nada sabendo do coração ou do afago da pedra onde repousam.
mariagomes
23.out.2005
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10/23/2005 01:03:00 da tarde
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448
Eis um Poeta - Aquele que
Tira surpreendentes sentidos
Das significações habituais -
E uma Essência tão vasta
Das espécies familiares
Que pereceram diante da Porta -
Que nos espanta não termos sido Nós
A captá-la - antes-
De Imagens, o Revelador -
O Poeta - é Ele-
Quem nos investe - Por Antítese -
Numa perpétua Indigência -
Dessa Herança - tão inconsciente -
Que Roubo algum - o poderia prejudicar -
Ele próprio - para Si Próprio- um Tesouro-
Estranho - ao próprio Tempo -
Emily Dickinson
in "Emily Dickinson
Poemas e Cartas"
pag, 55, edições Cotovia
tradução de Nuno Júdice
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10/23/2005 11:52:00 da manhã
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sábado, outubro 22, 2005
de algum lado
não podemos perder o que sobra da luz
de algum lado;
sobre a pele, existe a hora de coisas impassíveis.
os comboios brancos,
aquela flor voltada à janela, falando-nos.
não, meu amor, não podemos perder a raiz
de um corpo incandescente, agora, derramado.
mariagomes
out.2005
de algum lado;
sobre a pele, existe a hora de coisas impassíveis.
os comboios brancos,
aquela flor voltada à janela, falando-nos.
não, meu amor, não podemos perder a raiz
de um corpo incandescente, agora, derramado.
mariagomes
out.2005
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10/22/2005 12:54:00 da tarde
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segunda-feira, outubro 17, 2005

(W. Eugene Smith in art.transidex.ro)
Ao despertar, nesta manhã cinzenta de chuva, a Sofia* exclamou:
-" Avó, apagaram a rua!"
(*Sofia Gomes, 3 anos)
mariagomes
Coimbra,17 , out.2005
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10/17/2005 12:17:00 da tarde
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domingo, outubro 16, 2005
Rudolf Steiner
"No meu interior vive algo que me guia com mais acerto do que o grau de discernimento que possuo atualmente."
( fotografia de Ruben Moraes)
"A natureza faz do homem um ser natural; a sociedade faz dele um ser social. Somente o homem é capaz de fazer de si um ser livre".
( fotografia de Ruben Moraes)
"A natureza faz do homem um ser natural; a sociedade faz dele um ser social. Somente o homem é capaz de fazer de si um ser livre".
Rudolf Steiner
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10/16/2005 06:06:00 da tarde
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sexta-feira, outubro 14, 2005
nada de novo
lamento, amigo, não trazer nada de novo.
nem a procura é intensa
nem o encontro de um nome nos diz seja o que for.
as mesas permanecem à espera dos retratos da família.
e os livros guardam toda a poesia.
mariagomes
27.março,2005
nem a procura é intensa
nem o encontro de um nome nos diz seja o que for.
as mesas permanecem à espera dos retratos da família.
e os livros guardam toda a poesia.
mariagomes
27.março,2005
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10/14/2005 07:42:00 da tarde
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quinta-feira, outubro 13, 2005

...
"Palavras, frases, sílabas, astros que giram ao redor de um centro fixo. Dois corpos, muitos seres que se encontram numa palavra. O papel cobre-se de letras indeléveis, que ninguém disse, que ninguém ditou, que caíram ali e ardem e queimam e se apagam. Assim pois, existe a poesia, o amor existe. E se eu não existo, existes tu." (...)
Octavio Paz " Águia ou Sol?"
(recolha de Amélia Pais in " Falar Poesia 1, 1ª série.)
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10/13/2005 12:19:00 da tarde
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quarta-feira, outubro 12, 2005

10 Quem é essa que desponta como a aurora bela como a lua
fulgurante como o sol terrível como as coisas insígnes?
Cântico dos Cânticos
pag. 67
edição bilingue
Tradução de José Tolentino Mendonça
edições Cotovia, Lda
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10/12/2005 04:33:00 da tarde
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domingo, outubro 09, 2005
Esta Mudança De Mor Espanto
Ta Muda Tenpu
Ta muda tenpu, ta muda vontadi,
Ta muda ser, ta muda konfiansa;
Tudu mundu é fetu di mudansa,
Ta toma senpri nobus kolidadi.
Sen nunka pára nu ta odja nobidadi,
Diferenti na tudu di speransa;
Máguas di mal ta fika na lenbransa,
Y di ben, si izisti algun, ta fika sodadi.
Tenpu ta kubri txon di berdi manta,
Ki di nébi friu dja steve kubertu,
Y, na mi, ta bira txoru u-ki n kantaba
Ku dosura.Y, trandu es muda sen konta,
Otu mudansa ta kontise ku más spantu,
Ki dja ka ta mudadu sima kustumaba.
Luís Vaz de Camões
tradução para crioulo de Cabo Verde é de José Luís Tavares
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10/09/2005 08:44:00 da tarde
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- mariagomes
- Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
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