(...)
"Eu não acredito na imortalidade de coisa alguma; e embora um poema deva valer por si próprio, como obra independente do autor e da sequência da criação a que este foi dando, eu todavia penso que é mais importante, humanamente, o espírito de peregrinar que o facto conclusivo de haver visitado lugares santos. Na peregrinação, que é a nossa vida, muito mais somos visitados do que visitamos. Diário íntimo ou fastos espiritualmente autobiográficos – a poesia é mais do que isso. A co-responsabilidade do tempo e nossa, que é a única garantia de uma autenticidade - pois que será esta senão a busca de uma verdade que está para lá da actividade estética , e que a actividade estética não tem por fim achar, mas testemunhar que insatisfeitamente ela é buscada? -, ultrapassa precisamente o solipsismo inerente mesmo à mais convincente das criações poéticas , e concede à poesia uma paradoxal objectividade que as fabricações da perfeição artista são incapazes de atingir, por demasiado dependentes do gosto, quando o testemunho vale pela reflectida espontaneidade que apela e apelará sempre para a comunhão de todos os inquietos, todos os insatisfeitos, todos os que exigem do mundo, para os outros, a generosidade que lhes foi negada."
Jorge de Sena
do prefácio ( 1960) da 1ª edição de Poesia-I ( 1961)
obras de Jorge de Sena, antologia poética, edições Asa
"Abre a romã, mostrando a rubicunda Cor,com que tu, rubi, teu preço perdes; (...........)" Luis Vaz de Camões, Os Lusíadas,IX,59
terça-feira, janeiro 31, 2006
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1/31/2006 03:05:00 da tarde
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segunda-feira, janeiro 30, 2006
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1/30/2006 03:30:00 da tarde
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sábado, janeiro 28, 2006
Memória de Carlos Gouveia, "GOIA"

in " Coração transplantado"
Carlos Gouveia, "Goia", nascido em Peniche, Portugal, há 76 anos, faleceu hoje, em Lisboa, vítima de doença prolongada.
Residiu 74 anos na cidade de Benguela, República de Angola. Autor de diversos livros de poesia e crónicas e exímio caricaturista, deixa-nos na certeza de que " chorar não é violência, chorar a ferida que nos dói é alimento"...
mariagomes
nota: " Coração transplantado" foi-me oferecido por Carlos Gouveia, " Goia", em forma de livro manufacturado, a 23 de Março de 2004, em Benguela. Não quis o poeta que eu ficasse com esse coração "transplantado" pela editora, mas com um exemplar totalmente trabalhado por si. Diz-nos , " há que salvar a poesia na mensagem que ela nos impõe, na sua liberdade de expressão, a preocupação de nenhuma regra" . Pelo facto de se ter dedicado, também e ainda mais à pintura, desenho e caricatura, "Goia" relativizava o trabalho de uma gráfica. Era o artista a dar lugar à urgência, e ao tempo.
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1/28/2006 10:53:00 da tarde
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" o caminho das flores", fotografia de mariagomes
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1/28/2006 09:12:00 da tarde
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domingo, janeiro 22, 2006
era uma casa
que elegia a imagem do entendimento como se fosse sua
era um país secreto onde eu te procurava como procurava o peixe
que disseminava a lua
era a infância anelada na palavra casa era um século mais à frente
era a modelação rara da manhã o folgo o ar subido ardente.
mariagomes
22jan.2006
que elegia a imagem do entendimento como se fosse sua
era um país secreto onde eu te procurava como procurava o peixe
que disseminava a lua
era a infância anelada na palavra casa era um século mais à frente
era a modelação rara da manhã o folgo o ar subido ardente.
mariagomes
22jan.2006
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1/22/2006 12:46:00 da tarde
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segunda-feira, janeiro 16, 2006
(a maria joão pires, pianista)
dói abrir o silêncio físico da asa
reter a rósea espuma
dói ouvir a mão sangrar seguir tão rente
verter no sangue o limite do mar como um mistério
dói possuir a sério.
mariagomes
16 de jan.2006
dói abrir o silêncio físico da asa
reter a rósea espuma
dói ouvir a mão sangrar seguir tão rente
verter no sangue o limite do mar como um mistério
dói possuir a sério.
mariagomes
16 de jan.2006
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1/16/2006 11:32:00 da tarde
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domingo, janeiro 15, 2006
a minha alma começa de um templo tatuado.
à sombra começam coisas a tomar forma:
a flor, a seara, a mesa.
numa dicção acesa alimentam-me as aves.
quando eu me for embora
levarei o corpo desprovido de promessas. a alma, não.
mariagomes
15Jan.2006
à sombra começam coisas a tomar forma:
a flor, a seara, a mesa.
numa dicção acesa alimentam-me as aves.
quando eu me for embora
levarei o corpo desprovido de promessas. a alma, não.
mariagomes
15Jan.2006
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1/15/2006 01:57:00 da tarde
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sábado, janeiro 14, 2006

Malangatana
" olhar e sentir Malangatana, saber como pregar esse olhar-e-sentir na casa moira"
Noé da Luz
o meu agradecimento a Noé da Luz pelo que me tem vindo a ensinar deste mestre da pintura moçambicana!
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1/14/2006 01:02:00 da tarde
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quarta-feira, janeiro 11, 2006
Desenha-me nas mãos a dormência dos olhos
há lágrimas silábicas quando se acendem as luzes
e o corpo reproduz-se numa infinita fórmula
oh amor edifica-me a tua trajectória!
mariagomes11Jan.2006
há lágrimas silábicas quando se acendem as luzes
e o corpo reproduz-se numa infinita fórmula
oh amor edifica-me a tua trajectória!
mariagomes11Jan.2006
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1/11/2006 09:07:00 da tarde
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"Pátria é uma palavra que podemos dizer
sem que a maioria do povo a reconheça
Ela não pertence ao léxico das palavras comuns
e se os políticos a referem é quase sempre com a violência
De uma retórica vã"
(…)
Excerto de" Pátria Soberana, seguido de Nova Ficção, 1999."
António Ramos Rosa , in " O Poeta Na Rua", edições Quasi
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1/11/2006 12:26:00 da manhã
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domingo, janeiro 01, 2006
algum dia virá que seja natal entre os nós altíssimos do deserto
algum dia desflorará o poema da justiça que se preveja
nas palavras que se fizeram por dentro
e eu criança ainda cante aquém
e o meu canto coincida com o rubro das rosas que desliza.
mariagomes
1Jan.2006
algum dia desflorará o poema da justiça que se preveja
nas palavras que se fizeram por dentro
e eu criança ainda cante aquém
e o meu canto coincida com o rubro das rosas que desliza.
mariagomes
1Jan.2006
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1/01/2006 04:06:00 da tarde
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sexta-feira, dezembro 30, 2005
"Genus irritabile vatum"
"Expresión de Horacio " ("Epístolas")
La poesía no es confiable:
es poesía.
*
No siendo poesía
la mala poesía
es confiable.
*
Si un poema no llega a ser un poema
no es un poema:
es lo que es
Un verdadero poema no es lo que es.
*
El poeta previsible
no es invisible
Al ser visible
no es poeta.
Rolando Revagliatti
"La raza irritable de los poetas", 1999
"Expresión de Horacio " ("Epístolas")
La poesía no es confiable:
es poesía.
*
No siendo poesía
la mala poesía
es confiable.
*
Si un poema no llega a ser un poema
no es un poema:
es lo que es
Un verdadero poema no es lo que es.
*
El poeta previsible
no es invisible
Al ser visible
no es poeta.
Rolando Revagliatti
"La raza irritable de los poetas", 1999
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12/30/2005 07:39:00 da tarde
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terça-feira, dezembro 27, 2005
domingo, dezembro 25, 2005
menino jesus dá-nos a solicitude plena dos violoncelos - o repouso.
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25 Dez.2005
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12/25/2005 05:08:00 da tarde
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sábado, dezembro 24, 2005
Um bom Natal

Angola, Uíge, 1991, pau preto, in Pública, " presépios do mundo"
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12/24/2005 06:51:00 da tarde
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quinta-feira, dezembro 15, 2005

( Hellenic Festival, 31 Aug.01, Ancient Theatre of Epidaurus)
agora só as árvores me dirigem
neste quase inverno mudaram a nudez da minha boca
sou uma pessoa resumida às árvores
sou uma folha
vejo uma flor eterna a cair
e chamo-a
inclino-me sobre a minha pele porque murmurei um nome
vê meu amor esta música não pára de subir.
mariagomes
14/15 de Dez.2005
nota- este poema deve ser lido com o acompanhamento da faixa musical nº 2) Lamentu I do cd Eurípedes Trojan Women, música de Eleni Karaindrou da ECM Records, 2002, cuja capa é exibida na foto)
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12/15/2005 03:22:00 da tarde
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terça-feira, dezembro 13, 2005

parque da cidade dr. manuel braga, coimbra, fotografia de mariagomes, 13 dez.05
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12/13/2005 07:54:00 da tarde
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segunda-feira, dezembro 12, 2005
quando a tua outra face tinha o futuro dentro de uma giesta
as coisas ouviam-se nos teus olhos
as coisas ouviam-se nos teus olhos
divinas
com subtérrea liberdade
eram um pranto o poético dos prados
e no entanto calei mais do que a morte fui a sombra a infância
dos sinos
em cada hora o sol é a memória mais longa que te cabe.
mariagomes
dez.2005
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12/12/2005 03:56:00 da tarde
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quarta-feira, dezembro 07, 2005
nunca é tarde mãe
as lâmpadas enternecem a noite do meu corpo
ainda minto ainda brinco na estria espacial chamo por ti
como o gelo que flameja convida-me um epitáfio escrevo o sono das aves que em mim poisam.
mariagomes
7 Dez.2005, 19 h.
as lâmpadas enternecem a noite do meu corpo
ainda minto ainda brinco na estria espacial chamo por ti
como o gelo que flameja convida-me um epitáfio escrevo o sono das aves que em mim poisam.
mariagomes
7 Dez.2005, 19 h.
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12/07/2005 07:54:00 da tarde
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segunda-feira, dezembro 05, 2005
esta voz que persegue como a pedra
que te escreve
esta voz ecoa no caminho
no que foi ternura
que te escreve
esta voz ecoa no caminho
no que foi ternura
- flor
- luar
- clausura
piano dentro da palavra.
mariagomes
5dez.2005
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12/05/2005 06:54:00 da tarde
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