os olhos não predizem o sereno abraço das quedas
o mar
e os morros
toda a prisão íntima arde longe de mim.
mariagomes
julh.2006
"Abre a romã, mostrando a rubicunda Cor,com que tu, rubi, teu preço perdes; (...........)" Luis Vaz de Camões, Os Lusíadas,IX,59
quarta-feira, julho 26, 2006
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7/26/2006 10:03:00 da tarde
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entrego-me ao abandono
como a aurora que derrama o mel das abelhas fluviais.
sou tua
nasci de uma lança fulgente. de um fôlego.
mariagomes
julho.06
como a aurora que derrama o mel das abelhas fluviais.
sou tua
nasci de uma lança fulgente. de um fôlego.
mariagomes
julho.06
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7/26/2006 07:39:00 da tarde
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segunda-feira, julho 24, 2006
doravante volvida nas puríssimas flores de pedra
ó derradeira pedra ponto em fuga ó criança intacta ao pé do mar
quem de ti me arrancou?
na tua face antevejo lágrimas
lá dentro lágrimas ceifando e a toada do sangue a fiar.
mariagomes
julh.06
ó derradeira pedra ponto em fuga ó criança intacta ao pé do mar
quem de ti me arrancou?
na tua face antevejo lágrimas
lá dentro lágrimas ceifando e a toada do sangue a fiar.
mariagomes
julh.06
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7/24/2006 09:30:00 da manhã
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quarta-feira, julho 19, 2006
ei-la continuamente cega intuitiva
é um poema a expiação um anjo ferido
o luar é ainda uma gota a mergulhar
ei-la de novo ao tear - a terra anciã
oráculo tremor invisível
sobe às mais altas torres da felicidade pela manhã.
mariagomes
julh.06
é um poema a expiação um anjo ferido
o luar é ainda uma gota a mergulhar
ei-la de novo ao tear - a terra anciã
oráculo tremor invisível
sobe às mais altas torres da felicidade pela manhã.
mariagomes
julh.06
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7/19/2006 05:16:00 da tarde
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domingo, julho 02, 2006
eu acolho-te na fonte de palidez pura
sonhei murar os cristais solares dos liames da loucura
a grande noite.
mariagomes
29jun.06
sonhei murar os cristais solares dos liames da loucura
a grande noite.
mariagomes
29jun.06
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7/02/2006 12:36:00 da tarde
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sexta-feira, junho 30, 2006
[...]"o poema, sendo como é uma forma de manifestação da linguagem e, por conseguinte, na sua essência dialógico, pode ser uma mensagem na garrafa, lançada ao mar na convicção - decerto nem sempre muito esperançada - de um dia dar a alguma praia, talvez a uma praia do coração. Também neste sentido os poemas estão a caminho - têm um rumo.
Para onde? Em direcção a algo aberto, de ocupável, talvez a um tu apostrofável, a uma realidade apostrofável. Penso que para o poema o que conta são essas realidades. E acredito ainda que raciocínios como este acompanham, não só os meus próprios esforços, mas também os de outros poetas da geração mais nova. São os esforços de quem, sem tecto, também neste sentido até agora nem sonhado e por isso desprotegido da forma mais inquietante, vai ao encontro da língua com a sua existência, ferido de realidade e em busca de realidade."[...]
PAUL CELAN
"arte poética, o meridiano e outros textos"
edições cotovia
tradução joão barrento
Para onde? Em direcção a algo aberto, de ocupável, talvez a um tu apostrofável, a uma realidade apostrofável. Penso que para o poema o que conta são essas realidades. E acredito ainda que raciocínios como este acompanham, não só os meus próprios esforços, mas também os de outros poetas da geração mais nova. São os esforços de quem, sem tecto, também neste sentido até agora nem sonhado e por isso desprotegido da forma mais inquietante, vai ao encontro da língua com a sua existência, ferido de realidade e em busca de realidade."[...]
PAUL CELAN
"arte poética, o meridiano e outros textos"
edições cotovia
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6/30/2006 07:54:00 da tarde
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domingo, junho 25, 2006
deixa que um pássaro cubra o contorno alucinante
e oculto do meu canto
porque eu estou na impressão das coisas
os meus olhos são pássaros
- os pássaros alma inclinada sobre a noite
falo-te devagar do ventre onde vivi
escuto o marulhar de um silêncio proferido
indizível divisa a tua alma
o que semeará o linho
se por ti espera o cosmos do meu leito
e as pedras caminham longas pela estrada
não sei o que te diga
fixam-me as paredes como se eu fosse o sol perdível
mais uma vez as coisas vivem
e o sol ( oh essência!)
deixa que um pássaro cubra o contorno alucinante
e oculto do meu canto.
mariagomes
jun.06
e oculto do meu canto
porque eu estou na impressão das coisas
os meus olhos são pássaros
- os pássaros alma inclinada sobre a noite
falo-te devagar do ventre onde vivi
escuto o marulhar de um silêncio proferido
indizível divisa a tua alma
o que semeará o linho
se por ti espera o cosmos do meu leito
e as pedras caminham longas pela estrada
não sei o que te diga
fixam-me as paredes como se eu fosse o sol perdível
mais uma vez as coisas vivem
e o sol ( oh essência!)
deixa que um pássaro cubra o contorno alucinante
e oculto do meu canto.
mariagomes
jun.06
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6/25/2006 05:29:00 da tarde
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quinta-feira, junho 08, 2006
"No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida. "
(...)
excerto do poema "Aniversário" de Álvaro de Campos
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida. "
(...)
excerto do poema "Aniversário" de Álvaro de Campos
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6/08/2006 10:47:00 da manhã
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quarta-feira, junho 07, 2006
serei eu o incêndio negro,
seduzirás tu os jasmins de junho.
virá o cunho de uma lágrima lunar,
ou um poema que tarda
e se desfolha.
mariagomes
7 jun.2006
seduzirás tu os jasmins de junho.
virá o cunho de uma lágrima lunar,
ou um poema que tarda
e se desfolha.
mariagomes
7 jun.2006
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6/07/2006 11:25:00 da tarde
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terça-feira, junho 06, 2006

"as flores", fotografia de mariagomes
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6/06/2006 09:47:00 da tarde
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sexta-feira, maio 26, 2006
deixarei a terra quando nada mais houver.
quando o amor se fizer e as garças trocarem os remos dos rios
lançarei as sibilas aos navios.
tu serás o concreto fio dócil do meu frio.
mariagomes
26.maio.06
quando o amor se fizer e as garças trocarem os remos dos rios
lançarei as sibilas aos navios.
tu serás o concreto fio dócil do meu frio.
mariagomes
26.maio.06
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5/26/2006 03:08:00 da tarde
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domingo, abril 30, 2006
Nicanor Parra: What is poetry?, 1989
todo lo que se dice es poesía
todo lo que se escribe es prosa
todo lo que se mueve es poesía
lo que no cambia de lugar es prosa
De Chistes para desorientar a la poesía, 1989.
En Poéticas
todo lo que se dice es poesía
todo lo que se escribe es prosa
todo lo que se mueve es poesía
lo que no cambia de lugar es prosa
De Chistes para desorientar a la poesía, 1989.
En Poéticas
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4/30/2006 03:38:00 da tarde
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sexta-feira, abril 28, 2006

"em abril, a sanfona e o cravo", fotografia de mariagomes
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4/28/2006 09:47:00 da tarde
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segunda-feira, abril 17, 2006
quando as palavras me não chegarem
irei colher a estrela morosa no mar
no mar que a terra me deu
ainda que me atormente o sangue de um açoite
louvo a noite a divina noite ilesa
onde rebenta a tristeza
ou uma rosa.
mariagomes
abril.2006
irei colher a estrela morosa no mar
no mar que a terra me deu
ainda que me atormente o sangue de um açoite
louvo a noite a divina noite ilesa
onde rebenta a tristeza
ou uma rosa.
mariagomes
abril.2006
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4/17/2006 07:04:00 da tarde
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terça-feira, abril 11, 2006
" Se é que já houve uma crise moral, então foi da cor, da matéria, do sangue e dos seus elementos, das palavras e sons, de tudo aquilo que cria tanto uma obra de arte como a vida. Pois, mesmo se cobrirmos uma tela com protuberâncias de cor, independemente do facto, se podemos ou não reconhecer nela uma silhueta - e até mesmo se recorrermos à palavra e aos sons -, não será por essa razão que nasce, forçosamente, uma autêntica obra de arte"
Marc Chagall
(1887/1985)
in "Marc Chagall
Poesia em quadros"
edição Taschen Público
Marc Chagall
(1887/1985)
in "Marc Chagall
Poesia em quadros"
edição Taschen Público
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4/11/2006 04:01:00 da tarde
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quarta-feira, março 29, 2006

" vou-me embora" fotografia de mariagomes
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3/29/2006 10:16:00 da tarde
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terça-feira, março 28, 2006
e se a poesia vier precipitará aquela velha ponte da infância
em propensão futura
em todo o corpo côncavo da boca
haverá primavera enquanto se deita o poema na flor imatura.
mariagomes
março.06
em propensão futura
em todo o corpo côncavo da boca
haverá primavera enquanto se deita o poema na flor imatura.
mariagomes
março.06
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3/28/2006 04:14:00 da tarde
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segunda-feira, março 27, 2006
este é o rio que nos vestiu com punhais de bruma
as bandeiras feriam a pele
à volta do pedúnculo
da lua
agora as aves abrigam a tonalidade
da sombra uma volúvel noite. e respondem.
mariagomes
26/27.março.06
as bandeiras feriam a pele
à volta do pedúnculo
da lua
agora as aves abrigam a tonalidade
da sombra uma volúvel noite. e respondem.
mariagomes
26/27.março.06
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3/27/2006 11:11:00 da tarde
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sexta-feira, março 24, 2006
O destino dos Livros está ... AQUI
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3/24/2006 04:59:00 da tarde
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...
" Ah,
o que não tem explicação
apetece colher dos teus olhos."
...
Amadeu Baptista
in "Salmo", pag 49
edições Asa
" Ah,
o que não tem explicação
apetece colher dos teus olhos."
...
Amadeu Baptista
in "Salmo", pag 49
edições Asa
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3/24/2006 04:35:00 da tarde
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