"Abre a romã, mostrando a rubicunda Cor,com que tu, rubi, teu preço perdes; (...........)" Luis Vaz de Camões, Os Lusíadas,IX,59
sábado, fevereiro 07, 2009
creio no elemento do azul , no enleio,
no deserto
em nossas mãos sereníssimas,
diáfanas, pelas dunas de cada dia radiante.
creio na pedra do exílio, no teu nome ausente.
ah!, meu amor creio no sal que me devora os lábios.
mariagomes
fev.2009
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2/07/2009 08:26:00 da tarde
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sexta-feira, fevereiro 06, 2009
grito - sou o sol que nasceu na provação dos dias
no corredor nu das calemas
junto ao espelho não ouso um céu.
mariagomes
fev,2009
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2/06/2009 05:43:00 da tarde
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agora escrevo na ciente voz que plana para além do medo
no silêncio legente onde a morte nos devassa o sangue
e o veste de aflições e o derrama num pequeno caudal
de flor veludo e alma.
mariagomes
fev.2009
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2/06/2009 02:53:00 da tarde
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quinta-feira, fevereiro 05, 2009
"A inconsciência é uma pátria; a consciência, um exílio."
Emile Michel Cioran
[8 de abril de 1911, Răşinari, Sibiu, Austria-Hungary (hoje Romênia) - 20 de junho de 1995]
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2/05/2009 03:01:00 da tarde
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segunda-feira, fevereiro 02, 2009
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2/02/2009 11:23:00 da manhã
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sábado, janeiro 31, 2009
Respondendo ao repto que me foi lançado por Ana Cecília do blogue Casulo Temporário transcrevo a 6ª linha, na página 161, de uma antologia de poesia moçambicana do poema “ Deixa passar o meu povo” de Noémia de Sousa. Posteriormente alinhavei uns versos.
Convido, agora, para esta ciranda o Fred Matos, a Gabriela Gouveia, o José Ribeiro Marto e o Henrique Pimenta. Leiam a 6ª linha da página 161 do livro que esteja mais próximo de vós transcrevam-na e… escrevam.
“abro-me e deixo-me embalar…”(1)
pela saudade da clareira que acende o meu povo
naquele oriente vago profuso
impelindo a noite que lhe lavou o rosto
e refulge
num suave ramo lunar
mariagomes
(1) Noémia de Sousa
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1/31/2009 07:54:00 da tarde
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sexta-feira, janeiro 30, 2009
A poesia é um eco que convida uma sombra para dançar.
Carl August Sandburg
n. Galesburg, Illinois a 6 de Janeiro de 1878 – f. Flat Rock, Carolina do Norte, a 22 de Julho de 1967
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1/30/2009 11:19:00 da manhã
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1/30/2009 11:08:00 da manhã
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sábado, janeiro 24, 2009
não é fácil entrar em janeiro
sentir o coro amotinado de meus devotos ais
não é fácil abrir as pálpebras de périplos lunares
a este solo gélido
dizer
- estou aqui
tenho o fôlego do amor nas mãos.
mariagomes
24, jan, 2009
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1/24/2009 11:43:00 da tarde
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segunda-feira, janeiro 19, 2009
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1/19/2009 01:40:00 da tarde
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domingo, janeiro 18, 2009
Je ne supporte pas d'être moi, je m'invente.
Joë Bousquet
Extrait de Penser contre soi
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1/18/2009 02:43:00 da tarde
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1/18/2009 02:33:00 da tarde
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na remota ilha de meus vagos anseios,
as minhas mãos brincam como barcos
no estuário dos istmos.
puro objecto que sei
ser grado e efémero deserto
e sede bípede,
ainda e sempre.
oh meu deus!
tudo estava em nós nutrindo o nervo,
a árvore, a fome na ilusão já vencida.
mariagomes
jan.2009
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1/18/2009 10:14:00 da manhã
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terça-feira, janeiro 13, 2009
cobre-me tu, alma!
diz-me a que mar pertence a fibra da minha morte,
porque eu saúdo-a com teu sorriso secreto
entre os desígnios da noite.
mariagomes
13, jan.2009
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1/13/2009 10:31:00 da manhã
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domingo, janeiro 11, 2009
"O homem foge da sua sombra anterior para a sua luz futura."
Teixeira Pascoaes
(1877/1952)
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1/11/2009 10:43:00 da tarde
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1/11/2009 10:49:00 da manhã
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sábado, janeiro 10, 2009
não há poesia
Disse num poema intitulado a metamorfose da voragem que - não há poesia - e dizendo-o, duvidei do que disse. Que dualidade! se quiserem, que incongruência…
Não me quero alongar em mera retórica, pretendo somente a concisão de uma consciência poética (a minha) num tema, num tempo tão explosivo quanto este : ‘ Poesia, Poeta e Poema’.
Se não há poesia, onde se projecta o poeta e o poema? Em que dimensão habita o sopro? Tocará ele, como afirma T.S Eliot, ‘a orla daqueles sentimentos que só a música pode expressar’?
Essa orla, essa fronteira, puramente sensível, puramente primeira, imaterial amplia-se entre o antes e o depois como o crisol ardente da emoção criadora
__e concomitante roda 'no selim da infância '(1) entre a natureza e o espírito devorador do significante e do significado de que se apropria, com a insígnia da voz.
E esse ‘ser primitivo‘, que é o poeta (como definiu Eugénio de Andrade) integra-se numa relação íntima, sucedâneo de um cosmos que se nos diz ‘num pequeno mundo cheio de amor.’ (2)
Talvez a poesia ande num pequeno mundo cheio de amor! e seja na noite, aquela ondulação que contagia o corpo e submerge o mar, que o mar ainda é a matéria de migrantes missivas
__e a poesia, o invisível.
Eu não vejo a poesia. Vislumbro um lugar 'onde ninguém pode poisar a cabeça' (3), onde a palavra se faz coisa: átomo, grito, canto, grifo do silêncio… manifestação do mundo recriando o mundo, arremesso da pupila deslocando o azul do sol
__e o sortilégio do infinito que estanca o rosáceo sangue de um austro.
Eu não vejo a poesia. Vislumbro os levantes, a luz das densas falésias na oferenda das mãos que recolhem a cidade real, e perguntam:
__Onde vive a poesia?
Não sei!... Isto só ao verbo é permitido responder, ao tecido dos homens, ao que 'apartado nele nos seja presente' (4)
Eu admito, apenas, que viceja na alfaia de um ovo, na espiga de um lírio, ou na meda de um cântico ungido.
...
não sei, meus amigos, o que fazer da minha poesia.
o que fazer do que antecede, do que digo.
do que é excessivo, às vezes, como uma lâmpada alegre.
estou presa num poema.
estou prestes a explodir em espuma.
procuro um lugar…. os olhos, a parede…
vou pendurar a minha poesia nos olhos da parede.
vai escorrer pela cal húmida
vai desfazer as mãos redondas das lágrimas.
depois, quando não mais houver, sem o olhar,
sento-me num degrau qualquer de magnólias,
e acaricio-as como se ali nascesse o mar.**
mariagomes
III Bienal de Poesia, em Silves, abril de 2008
1) Ruy Duarte de Carvalho in Lavra , “poesia reunida’
2) Ruy Belo,p.81 cap- ‘ particular configuração da palavra arte, Na Senda da Poesia’
3)Ruy Belo, “ Na senda da Poesia
4) Léon L. de, op cit., p.399. in cap ‘-particular configuração da palavra arte, Na Senda da Poesia’, Ruy Belo
**Maria Gomes ' o lugar da poesia' a José A. Gonçalves in memoriam
e a José Félix
Não me quero alongar em mera retórica, pretendo somente a concisão de uma consciência poética (a minha) num tema, num tempo tão explosivo quanto este : ‘ Poesia, Poeta e Poema’.
Se não há poesia, onde se projecta o poeta e o poema? Em que dimensão habita o sopro? Tocará ele, como afirma T.S Eliot, ‘a orla daqueles sentimentos que só a música pode expressar’?
Essa orla, essa fronteira, puramente sensível, puramente primeira, imaterial amplia-se entre o antes e o depois como o crisol ardente da emoção criadora
__e concomitante roda 'no selim da infância '(1) entre a natureza e o espírito devorador do significante e do significado de que se apropria, com a insígnia da voz.
E esse ‘ser primitivo‘, que é o poeta (como definiu Eugénio de Andrade) integra-se numa relação íntima, sucedâneo de um cosmos que se nos diz ‘num pequeno mundo cheio de amor.’ (2)
Talvez a poesia ande num pequeno mundo cheio de amor! e seja na noite, aquela ondulação que contagia o corpo e submerge o mar, que o mar ainda é a matéria de migrantes missivas
__e a poesia, o invisível.
Eu não vejo a poesia. Vislumbro um lugar 'onde ninguém pode poisar a cabeça' (3), onde a palavra se faz coisa: átomo, grito, canto, grifo do silêncio… manifestação do mundo recriando o mundo, arremesso da pupila deslocando o azul do sol
__e o sortilégio do infinito que estanca o rosáceo sangue de um austro.
Eu não vejo a poesia. Vislumbro os levantes, a luz das densas falésias na oferenda das mãos que recolhem a cidade real, e perguntam:
__Onde vive a poesia?
Não sei!... Isto só ao verbo é permitido responder, ao tecido dos homens, ao que 'apartado nele nos seja presente' (4)
Eu admito, apenas, que viceja na alfaia de um ovo, na espiga de um lírio, ou na meda de um cântico ungido.
...
não sei, meus amigos, o que fazer da minha poesia.
o que fazer do que antecede, do que digo.
do que é excessivo, às vezes, como uma lâmpada alegre.
estou presa num poema.
estou prestes a explodir em espuma.
procuro um lugar…. os olhos, a parede…
vou pendurar a minha poesia nos olhos da parede.
vai escorrer pela cal húmida
vai desfazer as mãos redondas das lágrimas.
depois, quando não mais houver, sem o olhar,
sento-me num degrau qualquer de magnólias,
e acaricio-as como se ali nascesse o mar.**
mariagomes
III Bienal de Poesia, em Silves, abril de 2008
1) Ruy Duarte de Carvalho in Lavra , “poesia reunida’
2) Ruy Belo,p.81 cap- ‘ particular configuração da palavra arte, Na Senda da Poesia’
3)Ruy Belo, “ Na senda da Poesia
4) Léon L. de, op cit., p.399. in cap ‘-particular configuração da palavra arte, Na Senda da Poesia’, Ruy Belo
**Maria Gomes ' o lugar da poesia' a José A. Gonçalves in memoriam
e a José Félix
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1/10/2009 09:44:00 da tarde
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Diegos Jesús Jiménez
“El verdadero poeta lo que hace es intentar extraer la poesía de la realidad, no verter poesía sobre la realidad porque lo que se hace es una poesía literaria. Hay que mirar la vida con ojo poético. Embadurnar con poesía la realidad es muy fácil, lo hace cualquiera con lecturas y un poco de sensibilidad. El camino contrario, extraer poesía de la realidad es lo complicado.” […]
Diego Jesús Jiménez
Entrevista, 2008
in Artes Poéticas
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1/10/2009 12:43:00 da tarde
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1/10/2009 12:34:00 da tarde
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sexta-feira, janeiro 09, 2009
eu nada sei do amor no preâmbulo das asas
eu nada sei do vento
que copulou com as límpidas alvoradas
nem da pungente catarse dos crepúsculos
pelas catedrais
espero ainda o sol.
mariagomes
9,Janeiro, 2009
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1/09/2009 01:49:00 da tarde
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quarta-feira, janeiro 07, 2009
e há rosas de sal e rios lógicos possuídos
e há também caminhos num mover de pedras
e o espanto do mar ao fundo
sonho ou vida ou artéria de fogo
ao acordar da hora obsidiante
este chão é meu
esta cidade nasceu algures das algas
de um quinhão
nos olhos para compensar a luz da eternidade.
mariagomes
jan, 2009
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1/07/2009 10:31:00 da manhã
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terça-feira, janeiro 06, 2009
onde teu rosto se inscreve em seda e ouro,
onde, em rota, as manhãs são cálidas
e clandestinas,
todo o deserto rompe em flor.
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jan,2009
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1/06/2009 02:47:00 da tarde
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segunda-feira, janeiro 05, 2009
sábado, dezembro 27, 2008
como um primeiro ser vivo como uma ave de cetim
ladeando a ilusão de um céu azul claro
tenho as mãos expectantes
na penumbra pronta de meu sono redimido
nas águas metafóricas
na coreografia das fragas que nasceram
e dão à praia um perfume roxo de ternura
para quem a tarde se ajoelha
para quem o branco da poesia que derramo
para quem a voz de uma só estrela é o silêncio tutelar de um oceano.
mariagomes
dez, 2008
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12/27/2008 01:04:00 da tarde
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quinta-feira, dezembro 25, 2008
quarta-feira, dezembro 24, 2008
nos campos de refugiados do Congo
a mesmíssima condenação
fechado ao sol o mesmo acervo
a mesma mão erguendo as paredes do medo
nos campos de refugiados do Congo não há natal.
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24dez,08
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12/24/2008 05:02:00 da tarde
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terça-feira, dezembro 23, 2008
domingo, dezembro 21, 2008
neste horizonte
prometo que doarei a madrugada num dever maior
ao anil da brisa.
prometo expandir as águas
pelos areais tangíveis.
longamente, prometo, pai,
reescrever o teu rosto na rebentação dos dedos,
no cume das lágrimas
do húmus,
no pecúlio de tua devoção
ao singrado sangue que desponta,
gota a gota,
neste horizonte de asserto.
mariagomes
21dez.08
ao anil da brisa.
prometo expandir as águas
pelos areais tangíveis.
longamente, prometo, pai,
reescrever o teu rosto na rebentação dos dedos,
no cume das lágrimas
do húmus,
no pecúlio de tua devoção
ao singrado sangue que desponta,
gota a gota,
neste horizonte de asserto.
mariagomes
21dez.08
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12/21/2008 12:59:00 da tarde
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quinta-feira, dezembro 18, 2008
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12/18/2008 04:36:00 da tarde
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terça-feira, dezembro 16, 2008
para o silêncio
não basta a noite não basta o brilho
não bastam batuques febris girando
girando
na ilusão de sons longínquos
para o silêncio de uma luz acesa
sobre pétalas e pétalas
é preciso inventariar a infância
e as claves dos beirais
um dia houve que olhei o mar
e o seu reflexo veio a mim como um jardim de âmbar
puro
que se renova a cada ramo
revolto na força densa dos corais.
mariagomes
dez, 2008
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12/16/2008 07:32:00 da tarde
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segunda-feira, dezembro 15, 2008
Eduardo White

Felizes os homens
que cantam o amor.
A eles a vontade do inexplicável
e a forma dúbia dos oceanos.
Eduardo White
1963, Moçambique
in Amar sobre o Índico
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12/15/2008 10:30:00 da tarde
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sexta-feira, dezembro 12, 2008
quinta-feira, dezembro 11, 2008
oiço-te numa paisagem de bruma tombada na orgia dos rochedos.
subtil e breve, oiço-te na lua,
és o favo do meu porto recolhendo o barco de dezembro.
a morte existe, sim, marginal. nela envolvi o meu nome
anímico, morto de sede.
mariagomes
dez,2008
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12/11/2008 01:13:00 da tarde
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quarta-feira, dezembro 10, 2008
tempo de partir o pó de mil fogueiras
amontoar as aves ao luar
tempo de invadir o vento
comover o corpo no ouvido da revolta
tempo de erguer a lágrima
e um arado.
mariagomes
dez, 2008
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12/10/2008 11:17:00 da tarde
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Artigo 25º 1

Artigo 25.º
1. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.
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12/10/2008 07:41:00 da tarde
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terça-feira, dezembro 09, 2008
vê! o meu momento é este
esperar que se decante o estoiro das batalhas
deixar que os mortos falem
aclarar o campo
na terra dura que se suspende em manto.
mariagomes
dez, 2008
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12/09/2008 04:20:00 da tarde
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12/09/2008 12:43:00 da tarde
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Samuel Beckett
Nous naissons tous fous. Quelques-uns le demeurent.
Samuel Beckett
Extrait de En attendant Godot
.....................
Nascemos todos loucos; alguns permanecem (assim)
extraído de À Espera de Godot
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12/09/2008 10:00:00 da manhã
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entre o corpo e o crepúsculo a terra
tão súbita tão pura
a mesma sede
deixa-me colher na vigília deste vento
a palma desta fonte
a viandante estria a dor viril
da nua madrugada
deixa-me escorrer no sol assente o baleado sonho
a sangue frio
líquida como as ondas e os anjos.
mariagomes
dez, 2008
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12/09/2008 09:26:00 da manhã
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domingo, dezembro 07, 2008
talvez não saibas que amo as temperadas manhãs
que há um lugar que transcende os olhos
que atravessam sóis como baionetas de sangue
nunca te falei da infância de um acidulado relâmpago
nos passos
das pálpebras
das palavras
de um dever profundo
houve uma rosa submersível condenada à água
e lábios fortíssimos azuis
e faróis perdidos em profusão em chamas
sabes? quando pousei as mãos senti partir o cântico dos mares
chamei por ti.
mariagomes
dez, 2008
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12/07/2008 10:20:00 da tarde
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sábado, dezembro 06, 2008
O Corte Final
eu também, meu caro waters,
estive preste ao corte final,
a deixar que todos vissem
palavras de sangue na parede
com a letra de uma canção
eu também, meu caro waters,
queria mostrar meu lado fraco
sucumbir à absoluta alucinação
escrever com sangue na parede
os versos de outra canção
eu também, meu caro waters
não tive coragem pro corte final
mas tenho a lâmina guardada:
talvez em alguma madrugada
eu escreva a definitiva canção.
Fred Matos
05/12/2008
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12/06/2008 06:42:00 da tarde
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sexta-feira, dezembro 05, 2008

Foste morto numa cruz
p'ra onde te levou o povo.
Que Te fariam Jesus
se cá viesses de novo?!
IN Alberto Sá,
"OITENTA MENSAGENS" 1993
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12/05/2008 05:41:00 da tarde
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posso emigrar no teu nome amar os rios
abrir a chuva
o sorrir
no regaço da aurora
prolongar a sede do anoitecer.
...
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dez/2008
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12/05/2008 09:15:00 da manhã
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quinta-feira, dezembro 04, 2008
amanhã quando vazarem as cordilheiras
e o clamor for mais alto
da chuva a cair
na distância que sela um hierático silêncio
escreverei poemas de amor.
nessa hora de porões translúcidos
contornarei a linha
verso a verso
consignando o mito do deserto.
amanhã falarei de ti da vertente febril
dos teus braços
sobre o amanhecer dos séculos.
mariagomes
dez/2008
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12/04/2008 10:30:00 da manhã
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Mahatma Gandi
"O único tirano que aceito neste mundo é a pequena voz silenciosa que há dentro de mim."
Mahatma Gandhi
1869/1948
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12/04/2008 09:32:00 da manhã
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segunda-feira, dezembro 01, 2008
domingo, novembro 30, 2008
Estrela
Legenda
para aquela estrela
azul
e fria
que me apontaste
já de madrugada:
amar
é entristecer
sem corrompermos
nada.
Carlos de Oliveira
in cd " Ao Longe os Barcos de Flores"
para aquela estrela
azul
e fria
que me apontaste
já de madrugada:
amar
é entristecer
sem corrompermos
nada.
Carlos de Oliveira
in cd " Ao Longe os Barcos de Flores"
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11/30/2008 01:24:00 da tarde
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sábado, novembro 29, 2008
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11/29/2008 05:10:00 da tarde
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ouve as árvores o sangue a sua ramagem
imagina um Outono
em arco como se fosse teu
como é tão próxima
ao longe
a nau que não morreu!
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11/29/2008 01:45:00 da tarde
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na dicção de um sonho
não, não renunciarei à urgência dos espectros,
a este claro coração;
expectante,
a morte é um rio secreto.
há muito tempo, eu sei, nos nós dos dedos,
no fulgor do estio
abriam-se corolas vivas
com a respiração do verde, entre sílabas e sílabas.
mariagomes
nov/2008
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11/29/2008 07:40:00 da manhã
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segunda-feira, novembro 24, 2008
tudo se oferece à poesia!
mesmo o princípio mortal da manhã , esse oceano
onde se fundem os refluxos da evocação de um adeus:
- a neblina convulsiva, a purificada cinza nos teus lábios, nos meus.
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24nov.08
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sexta-feira, novembro 21, 2008
até à sensibilidade solar, terei os olhos leves do gorjear das aves,
a voz do litoral , o sequioso beijo de uma glicínia;
e tudo o que se fizer incólume,
como a luz de um areal
nas vogais da noite,
ou na quietude dos passos inacabados da poesia.
mariagomes
nov, 2008
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11/21/2008 08:11:00 da manhã
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quarta-feira, novembro 19, 2008

[...] " quem não sonhar está morto. O mundo como ele hoje é, não vale nada. É preciso que ele seja conforme o conceber da nossa fantasia, criadora de beleza. Este antagonismo entre o mundo e a alma humana seria incompreensível se não víssemos nele a própria razão da nossa actividade moral: o aperfeiçoamento das cousas, a sua disposição em marcha para um fim divino. O homem é o único animal que não coincide com o mundo;e seu destino é dilatar o mundo até onde chega a fantasia, até ao céu. O mundo é céu materializado e condensado, para que as patas dos animais encontrem um ponto de apoio no Infinito, como encontraram refúgio na Arca de Noé."[...]
Teixeira de Pascoaes
in " S.Paulo"
edição Assírio& Alvim
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11/19/2008 10:29:00 da manhã
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dorme, junto a mim, um sonho entretecido
para que o poema principie
e seja a messe, a sombra, a floração, a prece,
o respigar das mãos.
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19,nov, 2008
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11/19/2008 12:15:00 da manhã
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terça-feira, novembro 11, 2008
na captura do sul

( a meu pai, em memória)
eu enunciei as aves
nas margens compulsivamente dadas à terra,
em suas entranhas,
nas mãos que partiam dos rios
por coisas de somenos importância…
e tu, na captura do sul, num odorífico deserto
falaste-me de amor, de libertação.
mariagomes
Angola, 11 de Novembro de 2008
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11/11/2008 11:09:00 da manhã
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quinta-feira, novembro 06, 2008
aonde estou quero a renúncia urdida pela água
que deriva dia a dia
quero as sombras perdidas
os afectos
quero os pássaros de coração aberto
e o mar que nunca vi
agrilhoado a meus dedos
onda a onda
o trigo!
-um oloroso trigo que cresce como se possuíssemos o fogo.
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nov,2008
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11/06/2008 01:07:00 da tarde
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segunda-feira, novembro 03, 2008
[...]
My God, what is a heart?
Silver, or gold, or precious stone,
Or starre, or rainbow, or a part
Of all these things, or all of them in one?
(Mattens)
[...]
Meu Deus, o que é um coração?
Prata, ou ouro, ou pedra preciosa,
Ou estrela, ou arco-íris, ou parte
De todas estas coisas, ou todas numa só?
George Herbert
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11/03/2008 02:56:00 da tarde
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sábado, outubro 25, 2008
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10/25/2008 02:11:00 da tarde
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quinta-feira, outubro 23, 2008
por que me procuras nas lágrimas do sol?
em si, ele é o novíssimo meneio da saudade
- sem remos a envelhecer os rumos.
por que me deixas, só, entregue a seus cuidados,
sem cais, sem ver partir as velas?
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23out.2008
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10/23/2008 09:50:00 da tarde
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quarta-feira, outubro 22, 2008
[...]
Muito, ó Poeta, o engenho pode dar-te.
Mas muito mais que o engenho, o tempo, e estudo;
Não queiras de ti logo contentar-te.
É necessário ser um tempo mudo!
Ouvir, e ler somente: que aproveita
Sem armas, com fervor cometer tudo?
Caminha por aqui. Esta é a direita
Estrada dos que sobem ao alto monte
Ao brando Apolo, ás nove irmãs aceita.
Do bom escrever, saber primeiro é fonte.
Enriquece a memória de doutrina
Do que um cante, outro ensine, outro te conte.
[...]
António Ferreira
Carta a Diogo Bernardes
in Textos Literários do século XVI
“ A Corrente clássica e italianizante:
o magistério literário de António Ferreira"
1. Concepção aristocrática da Arte e dignidade das Letras
Editorial Aster
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10/22/2008 12:17:00 da tarde
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terça-feira, outubro 21, 2008
acredito nos pássaros, em todas as manhãs,
no sexo das árvores,
no colóquio das harpas de seu corpo nu.
pelo moroso fio de Penélope a minha voz
é fiel ao encanto que carmina o azul.
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out,2008
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10/21/2008 09:48:00 da manhã
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sexta-feira, outubro 17, 2008
deve ter sido o amor mais puro, numa outra primavera.
- assim pensei, a ouvir as ondas no seu ritmo terrestre.
em tudo houve uma forma evidente, um verde,
uma paisagem esdrúxula
onde se ajusta o silêncio, em filigrana,
ao despojado luar libidinal.
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out.2008
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10/17/2008 02:24:00 da tarde
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terça-feira, outubro 14, 2008
A arte é a mão direita da natureza. Esta nos deu o ser, mas a primeira - tornou-nos homens.
Johann Christoph Friedrich von Schiller
[1759/1805]
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10/14/2008 03:03:00 da tarde
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sábado, outubro 11, 2008
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10/11/2008 04:38:00 da tarde
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terça-feira, setembro 30, 2008
brandas águas bebi de olhos abrasados;
sepultei o pranto,
sepultei a súplica, o sopro, a música
e o mar...
todo o espaço é alvo, todo o céu
aguado.
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30, set.08
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9/30/2008 02:30:00 da tarde
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segunda-feira, setembro 22, 2008
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9/22/2008 03:24:00 da tarde
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quarta-feira, setembro 17, 2008
palavras?
_as que purgam a seiva ondulante
a maresia que se anula
onde a noite avultaria a força humana
e a contemplação do sol
e o silêncio fundeado em mim como um navio.
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set,08
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9/17/2008 09:14:00 da tarde
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segunda-feira, setembro 15, 2008
que direi, pois, se tudo é crível;
o afeiçoado piar dos pássaros
e este abandono...
num equidistante precipício áureo,
a soma visceral
- o meu rosário pleno de fogo.
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o afeiçoado piar dos pássaros
e este abandono...
num equidistante precipício áureo,
a soma visceral
- o meu rosário pleno de fogo.
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set,2008
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9/15/2008 08:48:00 da tarde
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quarta-feira, setembro 10, 2008
Na sequência da apresentação das Edições Torino Poesia em Paris (La Libreria), Amesterdão (Libreria Bonardi), Lugano (Postate), é agora a vez de Lisboa, no dia 18 de Setembro, quinta-feira, às 18:30.
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9/10/2008 04:06:00 da tarde
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segunda-feira, setembro 08, 2008
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9/08/2008 04:42:00 da tarde
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quinta-feira, setembro 04, 2008
ah tempo que vaza pelas tardes ardilosas,
esboço de luz que recai sobre as minhas águas,
aqui cheguei com os ramos perecíveis!
alguém, por mim, há-de blindar
o acervo do sol,
do arcano dos sinos, das sinistras flores do além.
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set.08
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9/04/2008 05:37:00 da tarde
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domingo, agosto 31, 2008
...e se a tempestade arrastar o ganha-pão destas famílias? Com o céu carregado, a praia deserta e a interrogação na cabeça, fotografei estes barcos que afligiam. Sobre isto, conversei com o Augusto Mota, que compôs este 'slideshow':
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8/31/2008 03:03:00 da tarde
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sábado, agosto 30, 2008
Le courage de la goutte d'eau, c'est qu'elle ose tomber dans le désert.
[ Lao She ]extrait de Quatre générations sous un même toit
A coragem da gota d'água é que ela ousa cair no deserto.
[ Lao She ] tirado de Quatro gerações sob o mesmo tecto
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8/30/2008 04:50:00 da tarde
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segunda-feira, agosto 25, 2008
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8/25/2008 03:26:00 da tarde
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quinta-feira, agosto 21, 2008
conservo ainda a palavra que fende o outono,
a que lava a margem
e regressa a este difícil tempo de amar.
habitando o destino do teu círculo insurrecto,
velo incessantemente a noite.
quando o sol nascer,
levarei o amor ao sepulcro inviolado
das aves;
ao eco, o fogo pátrio,
o silêncio arauto da matriz das tempestades.
nada nos foi prometido, nem um olvido.
a palavra é o fragor de um dia sem porto
nem pôr do sol.
dá-me o estro,
uma branca toalha
espargindo o esplendor, o sal, a âncora…
deve haver um caminho para o mar.
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agosto.08
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8/21/2008 06:22:00 da tarde
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terça-feira, agosto 05, 2008
há constelações a conduzirem-me
como inata substância que se expande em súplica
na primavera cegou um lírio
imemorial
urdindo a voz onde a nudez se avulta.
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ag.2008
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8/05/2008 01:40:00 da tarde
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sexta-feira, agosto 01, 2008
içaram as árvores as suas vestes de fogo
logo houve um exílio.
as minhas lágrimas foram escritas por aí.
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ag.2008
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8/01/2008 02:21:00 da tarde
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sábado, julho 26, 2008
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7/26/2008 12:00:00 da tarde
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sexta-feira, julho 25, 2008
no tempo que defendo os areais sem fim
num modo de imaginar a secura concisa
adiei os barcos à deriva
tudo se retém no meu amado : os pássaros verdes
o elevado perfume daquela mancheia de sol
um mar profundo inacessível.
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julho.08
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7/25/2008 08:09:00 da tarde
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quarta-feira, julho 16, 2008
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7/16/2008 10:54:00 da manhã
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domingo, julho 13, 2008
és o lugar onde a raiz se incendeia,
curada lã do meu signo;
entrarei por ti
como uma candeia desfolhando teu ciclo…
de noite, eu sei, num exacto tremor,
a vaga é o meu grito, o som da manhã,
ou o orvalhado langor das florestas.
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julho.08
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7/13/2008 02:03:00 da tarde
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sexta-feira, julho 04, 2008
[…]
Los poetas de este tiempo saben que la poesía es un movimiento hacia el otro que viaja del misterio de uno al misterio de todos y en ese encuentro, gana su transparencia. Viaja sin nombre, sin número, ajena al cálculo y a sumisión, corrige la frialdad y el desamor, junta los pedazos del mundo y abriga en su tienda de fuego.Nosotros los demás debemos aprender a escuchar el deseo de los poetas, sino pasamos de largo engañándonos. Tal vez lo que el poeta intenta toda su vida es escribir un poema, uno solo que sea pariente de la magia. El poeta no sería entonces un pequeño dios, como quiso Vicente Huidobro, sino un mero mendigo de la magia que siempre se le da por accidente, un perseguidor perseguido por un sonido que sabe que no existe.
[…]
Juan Gelman
Excerto da conferência de 2007
in Artes poéticas
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7/04/2008 04:34:00 da tarde
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sexta-feira, junho 27, 2008
para um cuidado o clamor da luz
para um incêndio a inflexão da bruma
os braços que originam o deserto são para mim.
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27junho.08
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6/27/2008 01:42:00 da tarde
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quinta-feira, junho 26, 2008
há uma manhã no lugar incendiário da linguagem
uma manhã com um pigmento de sol
a bater na apoteose
e o peito a arder
e eu estou nessa manhã
nesta lonjura
usando a vértebra obscura e o rebordo das paisagens.
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26junho.08
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6/26/2008 12:18:00 da tarde
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As Edições Sempre-em-Pé e a Casa Fernando Pessoa têm o prazer de convidar V. Exa para uma sessão em que serão apresentadas as duas séries de poesia actualmente publicadas pela editora referida: a série DiVersos - Poesia e Tradução, que se publica desde 1996, e a colecção de poesia UniVersos, iniciada em 2005.
Além de outros números recentes, estará disponível o n.º 13 da DiVersos, acabado de publicar em Junho. Serão lidos poemas por alguns poetas (Cristino Cortes, João Miguel Henriques, J. T. Parreira e Ruy Ventura) e tradutores (Ana Maria Carvalho, José Lima e Manuel Resende) que já colaboraram com a DiVersos.
Dos quatro títulos publicados na colecção UniVersos, os dois últimos serão abordados com mais vagar: Rio Abaixo, Rio Acima, do poeta alemão Tobias Burghardt, numa edição bilingue com tradução portuguesa de Maria de Nazaré Sanches, e Gloria Victis, do poeta Carlos Garcia de Castro, com a presença e apresentação pelo Autor e comentário crítico do Dr. Rui Cardoso Martins, do Jornal Público.
A sessão será coordenada por José Carlos Costa Marques, um dos coordenadores de DiVersos e editor de ambas as séries. A entrada é livre.
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6/26/2008 08:43:00 da manhã
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domingo, junho 22, 2008
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6/22/2008 09:25:00 da tarde
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sábado, junho 21, 2008
vi morrer o sol
e tu erguendo o sol à terra
de um vermelho vivo
eram de súbito os pássaros
de milho.
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19 junho de 2008
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6/21/2008 12:03:00 da manhã
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quarta-feira, junho 18, 2008
eu sou uma rosa
rompo o fogo amargo
de um canto célere
a solidão do mar
eu sou outra rosa
dói-me nascer
em
e
s
p
i
r
a
l
como um cisne como um lago.
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18 de Junho de 2008
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6/18/2008 10:23:00 da tarde
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terça-feira, junho 17, 2008
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6/17/2008 04:30:00 da tarde
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domingo, junho 15, 2008
tenho uma janela de pedra aberta para o mar
os peixes muito azuis escritos num muro
tenho os pés na água
deste luar tão escuro nesta candeia rasa.
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15jun.2008
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6/15/2008 08:56:00 da tarde
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sexta-feira, junho 13, 2008

[...]
'Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico.Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da
transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.'
Fernando Pessoa (n. 13/06/1888, f.30/11/1935)
Livro do Desassossego por Bernardo Soares
( Prefácio e Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982.
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6/13/2008 09:45:00 da manhã
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terça-feira, junho 10, 2008
deixa o lume ancorado nos meus dias
estrema o fecundo
polariza os lagos para eu não morrer
pertence à sede
o exercício do meu ser.
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jun, 08
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6/10/2008 10:19:00 da tarde
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segunda-feira, junho 09, 2008
" Ah ninguém entender que ao meu olhar
Tudo tem certo espírito secreto! "
Cesário Verde
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6/09/2008 04:41:00 da tarde
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domingo, junho 08, 2008
uma fotografia

está no interior a musicalidade do aroma,
é no interior que as coisas afloram.
não me perguntes quais.
são pequenas e tantas coisas
que roçam a pele, olham nos olhos,
e tiram uma fotografia, quase eterna;
a preto e branco eu morro,
afogada à luz de floreiras.
mariagomes
coimbra, 19 de maio.2003
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6/08/2008 10:52:00 da tarde
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sexta-feira, junho 06, 2008
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6/06/2008 03:14:00 da tarde
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quinta-feira, maio 29, 2008
hei-de inverter
um trinado prisioneiro…
hei-de arrancar a brisa à celebração festiva,
e a morte…
a morte pousada no mais puro do vermelho.
mariagomes
29,maio,08
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5/29/2008 10:23:00 da manhã
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quarta-feira, maio 28, 2008
se fosse minha a noite de trazer as mãos cilíndricas,
todo um apuro que preenchesse um campo de brados seculares.
se fosse minha a prolífera devastação…
ah, se fossem os cumes subversivos
a cinza dos meus versos,
a mítica anuência que eximiu o sangue de um tear fugaz,
hoje, ouviria o fruto cravado nas mandíbulas dos palmares!
mariagomes
maio,2008
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5/28/2008 09:53:00 da manhã
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segunda-feira, maio 26, 2008
Soneto do Regresso

Volto contigo à terra da ilusão,
mas o lar de meus pais, levou-o o vento
e se levou a pedra dos umbrais
o resto é esquecimento:
procurar o amor neste deserto
onde tudo me ensina a viver só
e a água do teu nome se desfaz
em sílabas de pó
é procurar a morte apenas,
o perfume daquelas
longínquas acuçenas
abertas sobre o mundo como estrelas:
despenhar no meu sono de criança
inutilmente a chuva da lembrança.
Carlos de Oliveira (1921/1981)
in ' Ao longe os barcos de flores'
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5/26/2008 02:59:00 da tarde
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domingo, maio 25, 2008
as mariposas são flores sob um campo desmedido
vão nivelando o sangue miraculoso
no arvoredo
que um lavrador progride.
mariagomes
25 Maio.08
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5/25/2008 10:04:00 da manhã
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