"Abre a romã, mostrando a rubicunda
Cor,com que tu, rubi, teu preço perdes;
(...........)"
Luis Vaz de Camões, Os Lusíadas,IX,59
quarta-feira, janeiro 25, 2012
é urgente a expedição da madrugada e de uma flor, é urgente o coração da poesia de combate.
___________mariagomes
domingo, janeiro 15, 2012
sê como as aves e a viagem azul
a manhã virá do coração incompleto
de deus
na beleza das asas
nas águas bordadas
sê a alma do vento
e o silêncio que se ergue
lentamente ao amor
à flor do sangue
e do sal.
______mariagomes
15, Janeiro, 2012
Rôsinha
“Rôsinha
eu estar chatiado
não ir trabalhar.
Rôsinha
agente aôje vai amar.
_ Ouvi quirido
você sabe qui Chiquito
comeu manga verde
tem dor no barriga
agente aôje não vai amar.
Rôsinha
eli não vai chorar!
Eu vai comprar rimédio pra Chiquito
tu vai ver
eli ficar bom
eli ádi brincar.
Tira capulana Rôsinha
agente aôje vai amar!”
_____________________Calane da Silva
( n. Maputo, Moçambique 1945)
in “ dos meninos de Malanga”
domingo, janeiro 08, 2012
"Sempre tive a impressão de que a música fosse apenas o extravasamento de um grande silêncio."
_____________Marguerite Yourcenar
sexta-feira, janeiro 06, 2012
memória
mar
palavras que se soltam
palavras que pernoitam
sobre um rosto que muito cedo abrimos
mar
memória a florir.
__________mariagomes
6 jan2012
segunda-feira, janeiro 02, 2012
um dia chegarei ao silêncio dos teus lábios,
chegarei à lua exacta, à noite d’esplendor
e ouvirei cantar;
um dia, num dia único,
uma guitarra cortará o segredo,
meu amor,
da paz das lágrimas,
do mar que se esconde por detrás das tempestades.
___________________mariagomes
1 janeiro, 2012
domingo, dezembro 18, 2011
uma lágrima por Cesária.
"Morrer não é acabar, é a suprema manhã."
___________________________________Victor Hugo
sexta-feira, dezembro 09, 2011
Crava-se o sol no silêncio dos muros;
na noite blindada, no néon dos dias,
há mãos que se isolam
como águas claras,
libertando-se de todas as amarras.
Crava-se o sol no silêncio dos muros,
no desamor do tempo em que vivíamos.
_____________mariagomes
dez, 2011
quarta-feira, novembro 30, 2011
Abandonamos a memória das manhãs,
construímos crepúsculos de silêncio e de medo.
Na lisura das mãos, sobre ilhas,
sabendo que não há caminho para o amor
e para a raiva,
abandonamos o amor.
Testemunhamos a penumbra, o espanto,
abandonamos o corpo,
inarráveis.
mariagomes
nov,2011
segunda-feira, novembro 28, 2011
Não sei porque me caem as lágrimas!
Nenhum luar rompeu, na noite, a ondulação,
nenhum pássaro colheu o âmago da madrugada,
em nenhum poema se escreveu a ilusão do novo.
Rente ao tempo das límpidas tulipas,
como chamar-te se o teu nome não pode ser escrito,
sem o encanto do poente e do mundo,
sem o destino do olhar e da sede...
Não sei porque me caem as lágrimas!
mariagomes
nov, 2011
domingo, novembro 27, 2011
terça-feira, novembro 22, 2011
[fotografia de mariagomes]
segunda-feira, novembro 21, 2011
Beethoven ouve-se nesta manhã, onde entras,
entregas o sol aos pássaros,
escreves o mais belo poema de amor _____
mariagomes
21,Nov 2011
sábado, novembro 19, 2011
[ fotografia de mariagomes]
terça-feira, novembro 15, 2011
na tua boca, amor, a sede cresce conquistando a noite
na erosão dos nomes, na nudez das veias
e o fogo impõe-se ao pranto mortal
ao coração
na tua boca, o branco,
o branco através de tudo, amor,
através da alegria das árvores,
do vento
das superfícies ébrias,
das coisas
de um esplendor mais alto.
na tua boca, em repouso, amor, as searas,
as obsessivas searas,
e o mar sempre novo.
Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas.
Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores,
são lúcidos ao início do sol.
Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços
a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana.
Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move,
entre mim e ti, e a claridade.
____________mariagomes