A Romã de Vidro

"Abre a romã, mostrando a rubicunda Cor,com que tu, rubi, teu preço perdes; (...........)" Luis Vaz de Camões, Os Lusíadas,IX,59

Quinta-feira, Maio 22, 2008

Guerra


'Criança, houve céus que afinaram a minha óptica: todos os matizes me foram inscritos na fisionomia. Os Fenómenos comoveram-se. –

Actualmente, a inflexão eterna dos momentos e o infinito das matemáticas perseguem-me através deste mundo em que aguento todos os factos da sociedade, respeitado pela infância estranha e por afeições desmedidas. –
Penso numa Guerra justa ou injusta, com uma lógica particularmente imprevisível.
É tão simples como uma frase musical.



Guerre

Enfant, certains ciels on affiné mon optique: tous les caractères nuancèrent ma physionomie. Les Phénomènes s’émurent –

A present, l’inflexion éternelle des moments et l’infini des mathématiques me chassent par ace monde où je subis tous les succès civils, respecté de l’enfance étrange et des affections énormes. –
Je songe à une Guerre, de droit ou de force, de logique bien imprévue.
C’esta aussi simple qu’une phrase musicale. '

Arthur Rimbaud
in “ O rapaz raro”
tradução de Maria Gabriela Llansol
Relógio D’água




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'Se alguma literatura inovadora conseguir sobreviver será a poesia, pois, entre todas as artes, é a menos vinculada às mudanças monetárias.'

Douglas Messerli


Douglas Messerli (1947), poeta, dramaturgo e editor norte-americano, associado ao movimento da Language Poetry. Publicou, entre outros títulos, Dinner on the lawn (1979), Some distance (1982) e An apple (1993). Organizou a antologia From the Other Side of the Century, de poesia contemporânea dos Estados Unidos. É diretor da casa editorial Sun & Moon, de Los Angeles.

Quarta-feira, Maio 21, 2008

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Terça-feira, Maio 20, 2008

Canto A Minha Mãe


Sento-me. Canto a minha mãe, viúva na progressão do vento
numa híbrida pancada.
Na voz inicial do grito, neste sol que desce,
se todo o pranto me contivesse
ó doce mãe, ó rosa que medita…
No que é antigo
tu vieste nomear o trigo!

mariagomes
maio.2008

embora isso não me salve, voltarei, sem ti,
a ouvir a voz do mundo numa enxada,
ou a voz da chaga dos relâmpagos profundos
correndo o velo das constelações tardias

tu sabes, devo estar perto da loucura dos sinos.

mariagomes
22abril2008

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quando ao mar me dou, e entre os peixes avisto os escolhos
recolho o nácar dos afogados;
sobre os tapetes do meu jardim,
ele é mais belo
que o abrasar de chuva que resplandece em ouro.

mariagomes
21.abril2008


a minha memória é um caminho, um pensamento apátrida,
o afecto, a pele desta palavra que
entre os palmares, nomeia a propensão da água,
a linha azul de todos os lugares.

mariagomes
abril.2008

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Segunda-feira, Maio 19, 2008

dir-me-ás que não canto
tenho em mim a madrugada de todos os entardeceres
o rosto de um cântaro que o sol abandona em cruz

dir-me-ás que é de pedra a pele que se abriu aos homens
guardando a luz.

mariagomes
março, 2008

Sexta-feira, Maio 16, 2008

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Sexta-feira, Março 07, 2008



O poeta é um primitivo, ama os sortilégios. Mas é em nome desse amor que a sua recusa tem a força de um destino, num mundo que vai abdicando de o ser. Ele é por excelência aquele que diz não à peste negra da mentira, e se opõe, implacável, ao rasteiríssimo jogo da vileza institucionalizada. Porque a palavra poética visa a subversão – se assim não fora, que sentido teria esta música onde o homem morre sílaba a sílaba para que outro homem nasça?

Eugénio de Andrade

In Rosto Precário

Edição fundação Eugénio de Andrade

Quinta-feira, Dezembro 27, 2007


o que pesa é sentir ainda a perturbação do sol diante a noite
vítrea incerteza de ser corpo e alma junto à fonte.

mariagomes
dez.07

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