domingo, dezembro 18, 2011








uma lágrima por Cesária.




"Morrer não é acabar, é a suprema manhã."

___________________________________Victor Hugo

sexta-feira, dezembro 09, 2011




Crava-se o sol no silêncio dos muros;
na noite blindada, no néon dos dias,
há mãos que se isolam
como águas claras,
libertando-se de todas as amarras.


Crava-se o sol no silêncio dos muros,
no desamor do tempo em que vivíamos.



_____________mariagomes
dez, 2011

quarta-feira, novembro 30, 2011




Abandonamos a memória das manhãs,
construímos crepúsculos de silêncio e de medo.

Na lisura das mãos, sobre ilhas,
sabendo que não há caminho para o amor
e para a raiva,
abandonamos o amor.

Testemunhamos a penumbra, o espanto,
abandonamos o corpo,
inarráveis.



mariagomes
nov,2011

segunda-feira, novembro 28, 2011


Não sei porque me caem as lágrimas!

Nenhum luar rompeu, na noite, a ondulação,
nenhum pássaro colheu o âmago da madrugada,
em nenhum poema se escreveu a ilusão do novo.

Rente ao tempo das límpidas tulipas,
como chamar-te se o teu nome não pode ser escrito,
sem o encanto do poente e do mundo,
sem o destino do olhar e da sede...

Não sei porque me caem as lágrimas!


mariagomes
nov, 2011

terça-feira, novembro 22, 2011

segunda-feira, novembro 21, 2011



Beethoven ouve-se nesta manhã, onde entras,
entregas o sol aos pássaros,
escreves o mais belo poema de amor _____



mariagomes
21,Nov 2011

sábado, novembro 19, 2011

terça-feira, novembro 15, 2011


na tua boca, amor, a sede cresce conquistando a noite
na erosão dos nomes, na nudez das veias
e o fogo impõe-se ao pranto mortal
ao coração

na tua boca, o branco,
o branco através de tudo, amor,
através da alegria das árvores,
do vento
das superfícies ébrias,
das coisas
de um esplendor mais alto.

na tua boca, em repouso, amor,  as searas,
as obsessivas searas,
e o mar sempre novo.





______________mariagomes
nov, 2011

sábado, novembro 12, 2011

terça-feira, novembro 08, 2011





"Ninguém alguma vez escreveu ou pintou, esculpiu, modelou, construiu ou inventou senão para sair do inferno."


______________Antonin Artaud

(fonte - Van Gogh, o Suicidado da Sociedade)


sexta-feira, novembro 04, 2011




Escrevo o teu nome;
Sei de cor os lagos que, sossegadamente, incidem sobre o infinito.
É como se andasse o sol do outono,
é a hora do invisível.
Concentro-me na sequiosa cópia de um sonho.
Imensa dor que me pede um deserto escrito por outros caminhos.

_______________mariagomes
nov, 2011

quarta-feira, novembro 02, 2011



Lembrei-me do poema de Drummond  intitulado "José", olhando para a delicada conjuntura política da Europa :


E agora MerkelSarkozi?
se os gregos sumirem
a noite esfriou
a festa acabou?


E agora MerkelSarkozi?
vossas doces palavras
vossa gula e jejum
vossa lavra de ouro?


Com a chave na mão
vocês querem abrir a porta
mas não existe porta...



Sozinhos no escuro
quais bichos do mato
sem teogonia
sem parede nua para se encostarem
sem cavalo que fuja a galope
vocês marcham MerkelSarkozi?
Para onde?

domingo, outubro 30, 2011

Nunca mais a morte crescendo como uma aurora viva.

Nunca mais a falésia à hora do crepúsculo,
o mistério de um planeta íntimo, irredutível.

Nunca mais a exactidão do odor, o azul,
nem a cúpula ou o tumulto do deserto.

Nunca mais a terra, a espera, o reino dos teus lábios,
ou o prodígio das tuas mãos na transparente onda
que respira.

Nunca mais o limbo, a luz e o esplendor,
nem o rio, a raiva ou o amor...

Nunca mais a lágrima
nos dedos divinos, marítimos da canção distante,
e os sinos,
oh os sinos!..



___________________mariagomes

out, 2011
Entreguei o coração à nudez do brilho mortal das aves;
mergulho, agora, na clareira, na sua voz inatingível.
Depois da morte procuro a pureza que se prolonga na memória,
como um corpo que voou de mim.

Oh condição terrena, oh rota do pensamento, vejo, nitidamente
o mamilo solar que cicia a paisagem!...
O mar bramindo imana o olhar da eternidade.



___________________mariagomes

Out, 2011
Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas.
Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores,
são lúcidos ao início do sol.
Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços
a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana.

Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move,
entre mim e ti, e a claridade.



_______________________mariagomes
 outubro de 2011

quarta-feira, outubro 19, 2011

"Perhaps all the dragons of our lives are princesses who are only waiting to see us once beautiful and brave. Perhaps everything terrible is, in its deepest being, something helpless that wants help from us.”


_____ Rainer Maria Rilke

segunda-feira, outubro 17, 2011

tu és a paz de um jardim puro, o olhar que se acende ao ritmo do mar;
tu és a palavra que irriga a harmonia do azul, a respiração, seu jogo de luzes;
tu és a primavera destes lábios, a floração, o bater das asas na noite,
na doce voz da noite que se escuta a tecer as lágrimas.



________ mariagomes

benguela, 17 de Out, 2011

sexta-feira, setembro 30, 2011

"Uma pitada de poesia é suficiente para perfumar um século inteiro."
 ___________José Martí

(Havana, 28 de Janeiro de 1853 — Dos Ríos, 19 de maio de 1895)

sexta-feira, setembro 23, 2011

quero o caminho das fronteiras livres,
numa crepitação única, o sítio das aves,
a alma, o regresso ao mar,
o branco da noite...
quero o que ainda respira, indistinto,
quero uma falésia em flor,
o céu como uma promessa de sangue,
e finalmente, mãe,
as tuas mãos que ascendem às campânulas do amor!

mariagomes
23, Setembro 2011

segunda-feira, setembro 12, 2011








Ela transporta-me para um reino de sonhos e lágrimas, para uma ilha plena de estrelas, para o poema eterno, para uma morte anunciada...
mariagomes

sábado, setembro 10, 2011


...faço "meus" os escritores, filósofos, poetas, ensaístas que me atiram para o tal ermo que diz Kafka __  “para longe de qualquer presença humana”...  eles pertencem-me, não como uma coisa, mas humanamente!.. o que sinto por eles pode ser descrito como amor.

mariagomes

Angola, Setembro de 2011

quinta-feira, setembro 08, 2011

Arvo Pärt

deixar correr o céu
ser pássaro
abrir a mão à luz das borboletas
ao amor imenso


deixar correr o céu
ser flor e
asa


mariagomes
8 de Setembro de 2011

terça-feira, junho 28, 2011





"Sê como a árvore do sândalo, que perfuma até o machado que a corta"

____Rabindranath Tagore

sexta-feira, junho 03, 2011




existes na solar caligrafia dos pássaros,
na manhã que surge do apelo dos lugares mortais;
grito, prodígio, esplendor,
parto, ou sombra,
nua travessia onde o corpo é um cristal de fogo,
inenarrável,
...e fluis pela luz!...
nasces para o azul que, em mim, ficou escrito.

mariagomes
3 junho de 2011

domingo, fevereiro 13, 2011


Depois a pátria, o que ainda cultivamos,
o que se prende
e nos impele ao espanto...

Tudo isso, meu amor, é o nosso rosto,
nossos olhos invernais,
nossas veias desventradas como estátuas.



mariagomes
fev/ 2011


Haverá uma mariposa em teus lábios,
e o canto será longo como a cabeleira das casuarinas.
Na madrugada lisa de teu corpo arado
irás por um caminho de água
buscar o sol do outro lado!



mariagomes
fev, 2011

terça-feira, fevereiro 01, 2011


quando vejo o mar há uma várzea que secretamente se descobre
que dança e morre nesta luz
traço ou nuvem trigo ou lua
doce e triste
quando vejo o mar há uma música como um vale de silêncio
e lágrimas.

mariagomes
janeiro 2010

quarta-feira, janeiro 26, 2011

o mar é o meu umbigo o lugar do amor a única manhã.


mariagomes
26/ 01/ 2010

segunda-feira, janeiro 24, 2011

sábado, janeiro 22, 2011


(...) A mente é o homem, e o conhecimento é a mente; um homem é apenas aquilo que ele sabe. (...)

___ Francis Bacon,
n. Londres a 22 de Janeiro de 1561, f. Londres a 9 de Abril de 1626
in O Elogio do Conhecimento

quinta-feira, janeiro 20, 2011


Podes levar meus olhos iluminados de lágrimas.
Transporta, por favor o amor aos rios e aos búzios, à solidão,
à sede construída.
Dá um beijo a minha mãe.
Diz-lhe que estou mais perto da luz, da noite,
mais perto de uma flor com o coração
em sangue,
sobre os flancos chorando.

Podes levar meus olhos iluminados de lágrimas,
eu atingi a dor dos poentes.

mariagomes
janeiro/2011


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Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
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