quinta-feira, outubro 23, 2008



por que me procuras nas lágrimas do sol?
em si, ele é o novíssimo meneio da saudade
- sem remos a envelhecer os rumos.

por que me deixas, só, entregue a seus cuidados,
sem cais, sem ver partir as velas?


mariagomes
23out.2008

quarta-feira, outubro 22, 2008



[...]
Muito, ó Poeta, o engenho pode dar-te.
Mas muito mais que o engenho, o tempo, e estudo;
Não queiras de ti logo contentar-te.
É necessário ser um tempo mudo!
Ouvir, e ler somente: que aproveita
Sem armas, com fervor cometer tudo?
Caminha por aqui. Esta é a direita

Estrada dos que sobem ao alto monte
Ao brando Apolo, ás nove irmãs aceita.
Do bom escrever, saber primeiro é fonte.
Enriquece a memória de doutrina
Do que um cante, outro ensine, outro te conte.

[...]

António Ferreira

Carta a Diogo Bernardes
in Textos Literários do século XVI

“ A Corrente clássica e italianizante:
o magistério literário de António Ferreira"
1. Concepção aristocrática da Arte e dignidade das Letras
Editorial Aster




terça-feira, outubro 21, 2008



acredito nos pássaros, em todas as manhãs,
no sexo das árvores,
no colóquio das harpas de seu corpo nu.

pelo moroso fio de Penélope a minha voz
é fiel ao encanto que carmina o azul.


mariagomes
out,2008


sexta-feira, outubro 17, 2008


deve ter sido o amor mais puro, numa outra primavera.
- assim pensei, a ouvir as ondas no seu ritmo terrestre.

em tudo houve uma forma evidente, um verde,
uma paisagem esdrúxula
onde se ajusta o silêncio, em filigrana,
ao despojado luar libidinal.

mariagomes
out.2008



terça-feira, outubro 14, 2008



A arte é a mão direita da natureza. Esta nos deu o ser, mas a primeira - tornou-nos homens.

Johann Christoph Friedrich von Schiller
[1759/1805]


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Acerca de mim

A minha foto
Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
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