A tarde cai,
silenciosa,
morosa...
Na alma do poeta,
o poema,
estranha rosa
rubra e preta,
abre...
Afinal,
escrever um poema
é fixar uma pena
sentindo estoirar
o calibre
do coração,
nostálgico do éden...
-Vá, poeta,
deixa o coração sangrar!
Para quê negar
a esmola que te pedem?
Saul Dias*
(in 800 anos de poesia portuguesaedição circulo de leitores, 1973)
*Saúl Dias nasceu em 1902 e faleceu em 1983.Saúl Dias é o pseudónimo literário do pintor Júlio Maria dos Reis Pereira, irmão do poeta José Régio. Licenciado em Engenharia Civil pela Universidade do Porto, foi pintor, poeta e desenhista. Colaborou na revista Presença com produções literárias, pinturas e desenhos.
[fotografia de mariagomes]