sexta-feira, julho 24, 2009

A uma só voz


Alimento-me de raízes.
Desço ao fundo
pela corda da fome da saudade
e encosto-me à terra,
encontro todas as coisas
em todas as cores
ao som de todos os dialectos...
Vou ao fundo
e subo a todas as árvores
a todas as montanhas,
percorro desertos acústicos de paixão
onde ardem sublimes miragens:
são guitarras verdes
que se curvam à passagem do meu ouvir.
Moro aí
nessa linha indefinida da insónia e do sono,
onde o céu e a terra se costuram
onde o silêncio sustenta o levitar de pássaros.
Moro aí
onde não há céu e terra,
existo num pressentir.
Numa cadência.
No que há-de vir.
Em tudo o que foi
lapido o momento
num corpo que dança e
numa voz que te canta, Mãe-África!

mariagomes
Coimbra, 2002
in edição PD Literatura, 2002



11 comentários:

BAR DO BARDO disse...

A ser escrito em um monumento em éter:
"nessa linha indefinida da insónia e do sono,
onde o céu e a terra se costuram
onde o silêncio sustenta o levitar de pássaros".


(Palavra de verificação: derma).

Anónimo disse...

Por quem passou por África de certeza não fica indefrente, muito lindo, tocou fundo.lindo poema.


mah tretas.

Marisete Zanon disse...

Concordo com o Bardo!!! Lindo!!!
um abraço

Marisete Zanon

dade amorim disse...

Um poema com a fecundidade da terra, Maria. Muito belo.
Beijos.

Barbara disse...

Em África, todos os segredos.

Felipe da Costa Marques disse...

Realmente vc é uma poeta de (i)magem infinitas que matam.... de prazer...(rs)!

Magnífica Maria!

Beijos e Abraços

Felizpe!

Jefferson Bessa disse...

A voz da terra

que é sua = morada =

um
abraço.
Jefferson

ADiniz disse...

Boa Noite Maria Gomes !

Será por questões políticas que nos sentimos sem territórios, como donos de nada ou serias por sermos seres transitórios, passageiros, então buscamos não nos apegarmos a espaços que possa nos aprisionar alem da carne, e viver com a sensação da liberdade do espírito.
Mas quando nos apoderamos de algo, vem em forma de amor, sentimento abstrato como uma linha geográfica que determina um espaço territorial que nos orgulhamos em chamar de Mãe, a Pátria e a terra, sem sequer poder abraça La e nem por isso deixar de preserva La.

Andava por ai quando...
Gostei da forma de retratares teu carinho por sua Mãe-África.
Abraços

Moacy Cirne disse...

Oi,
a partir de Adrianna Coelho aqui cheguei. E gostei do que vi. És uma angiola que reside em Coimbra? Voltarei outras vezes.

Um abraço.

Nydia Bonetti disse...

Uma beleza tua poesia, Maria. Uma beleza. Estarei por aqui. Abraços.

Eliana Mora (El) disse...

Raiz e veia, tudo em ti e em África aqui.
Poeta.

beijo e amor

El

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Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
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