domingo, outubro 30, 2011

Nunca mais a morte crescendo como uma aurora viva.

Nunca mais a falésia à hora do crepúsculo,
o mistério de um planeta íntimo, irredutível.

Nunca mais a exactidão do odor, o azul,
nem a cúpula ou o tumulto do deserto.

Nunca mais a terra, a espera, o reino dos teus lábios,
ou o prodígio das tuas mãos na transparente onda
que respira.

Nunca mais o limbo, a luz e o esplendor,
nem o rio, a raiva ou o amor...

Nunca mais a lágrima
nos dedos divinos, marítimos da canção distante,
e os sinos,
oh os sinos!..



___________________mariagomes

out, 2011

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Acerca de mim

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Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
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