domingo, junho 25, 2006

deixa que um pássaro cubra o contorno alucinante
e oculto do meu canto
porque eu estou na impressão das coisas

os meus olhos são pássaros
- os pássaros alma inclinada sobre a noite

falo-te devagar do ventre onde vivi

escuto o marulhar de um silêncio proferido
indizível divisa a tua alma

o que semeará o linho
se por ti espera o cosmos do meu leito
e as pedras caminham longas pela estrada

não sei o que te diga
fixam-me as paredes como se eu fosse o sol perdível

mais uma vez as coisas vivem
e o sol ( oh essência!)
deixa que um pássaro cubra o contorno alucinante
e oculto do meu canto.

mariagomes
jun.06

5 comentários:

delusions disse...

o poema continua simplesmente lindo...adorei a suavidade e a forma como está escrito...lindo mesmo!

*

filipe disse...

Não faz muito, conheci o teu sítio.
Madureza de poemas belos!

Deixo-te abraço daqui do Brasil.

Filipe

J T Parreira disse...

Maria Gomes, só agora por razões técnicas pode começar a entrar bem no seu blog.
Gostei deste poema.Os pássaros são os nossos olhos riscando o céu.
Espero a sua visita.
João

Manicóide disse...

Convite...

Francelina disse...

cheguei aqui por um acaso que, certamente, não existe...
a música convida a ficar e a passear os olhos e a alma. Terei de voltar com mais tempo.
Obrigada por este momento de calma.
o acaso foi andar à procura destes versos de Camões, sem ter de estar a folhear os Lusíadas.... o acaso foi a minha indolência... o acaso foi a necessidade de colocar uma romá no meu blog

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Acerca de mim

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Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
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