quarta-feira, fevereiro 08, 2012



Semeio a brisa, o tempo,
ao crepúsculo, lírios,
minha mãe,
que vivem no precipício que não finda.
Semeio o que vive e o que não vive.
Sou livre inundando a candura da voz,
do punho,
da terra do sangue, e da neve.
Sou livre, numa inquietação, amando a neve,
e os homens, meus irmãos, que partilham o sonho, o vento
e o trigo.
Sou livre, minha mãe!...

_______________mariagomes
 8, Fev, 2012

terça-feira, fevereiro 07, 2012




Regresso à nudez das águas, aos barcos acesos,
percorro na noite da vigília das árvores,
o gosto pelo tumulto piramidal da sede...
Regresso às miragens, ao fulgor da ferida.

Eu canto o amor,
eu canto a lua nascida de um salto mortal.


____________mariagomes
7,fev, 2012

quarta-feira, fevereiro 01, 2012



É a hora do sol,  é a hora do silêncio que plantará a memória.
A tua mão ainda diz o amor, ainda se fortifica, sem limite, nas trevas,
ainda respira nas muralhas invisíveis.
As pálpebras detêm-se, sem que tu o queiras.
O mar é aqui uma constelação única, cunhada pela noite, pela infância.
O mar é a noite, e é a infância.
E é também um muro, uma pena, um pássaro.

____mariagomes
30, janeiro, 2012

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Acerca de mim

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Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
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