quinta-feira, maio 29, 2008



hei-de inverter
um trinado prisioneiro…

hei-de arrancar a brisa à celebração festiva,
e a morte…
a morte pousada no mais puro do vermelho.

mariagomes
29,maio,08

quarta-feira, maio 28, 2008


se fosse minha a noite de trazer as mãos cilíndricas,
todo um apuro que preenchesse um campo de brados seculares.
se fosse minha a prolífera devastação…
ah, se fossem os cumes subversivos
a cinza dos meus versos,
a mítica anuência que eximiu o sangue de um tear fugaz,
hoje, ouviria o fruto cravado nas mandíbulas dos palmares!


mariagomes
maio,2008

segunda-feira, maio 26, 2008

Soneto do Regresso

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Volto contigo à terra da ilusão,
mas o lar de meus pais, levou-o o vento
e se levou a pedra dos umbrais
o resto é esquecimento:
procurar o amor neste deserto
onde tudo me ensina a viver só
e a água do teu nome se desfaz
em sílabas de pó
é procurar a morte apenas,
o perfume daquelas
longínquas acuçenas
abertas sobre o mundo como estrelas:
despenhar no meu sono de criança
inutilmente a chuva da lembrança.

Carlos de Oliveira (1921/1981)

in ' Ao longe os barcos de flores'
edição Assírio & Alvim

domingo, maio 25, 2008



as mariposas são flores sob um campo desmedido
vão nivelando o sangue miraculoso
no arvoredo
que um lavrador progride.

mariagomes
25 Maio.08


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quinta-feira, maio 22, 2008

Guerra


'Criança, houve céus que afinaram a minha óptica: todos os matizes me foram inscritos na fisionomia. Os Fenómenos comoveram-se. –

Actualmente, a inflexão eterna dos momentos e o infinito das matemáticas perseguem-me através deste mundo em que aguento todos os factos da sociedade, respeitado pela infância estranha e por afeições desmedidas. –
Penso numa Guerra justa ou injusta, com uma lógica particularmente imprevisível.
É tão simples como uma frase musical.



Guerre

Enfant, certains ciels on affiné mon optique: tous les caractères nuancèrent ma physionomie. Les Phénomènes s’émurent –

A present, l’inflexion éternelle des moments et l’infini des mathématiques me chassent par ace monde où je subis tous les succès civils, respecté de l’enfance étrange et des affections énormes. –
Je songe à une Guerre, de droit ou de force, de logique bien imprévue.
C’esta aussi simple qu’une phrase musicale. '

Arthur Rimbaud
in “ O rapaz raro”
tradução de Maria Gabriela Llansol
Relógio D’água




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'Se alguma literatura inovadora conseguir sobreviver será a poesia, pois, entre todas as artes, é a menos vinculada às mudanças monetárias.'

Douglas Messerli


Douglas Messerli (1947), poeta, dramaturgo e editor norte-americano, associado ao movimento da Language Poetry. Publicou, entre outros títulos, Dinner on the lawn (1979), Some distance (1982) e An apple (1993). Organizou a antologia From the Other Side of the Century, de poesia contemporânea dos Estados Unidos. É diretor da casa editorial Sun & Moon, de Los Angeles.

terça-feira, maio 20, 2008

Canto A Minha Mãe


Sento-me. Canto a minha mãe, viúva na progressão do vento
numa híbrida pancada.
Na voz inicial do grito, neste sol que desce,
se todo o pranto me contivesse
ó doce mãe, ó rosa que medita…
No que é antigo
tu vieste nomear o trigo!

mariagomes
maio.2008
embora isso não me salve, voltarei, sem ti,
a ouvir a voz do mundo numa enxada,
ou a voz da chaga dos relâmpagos profundos
correndo o velo das constelações tardias

tu sabes, devo estar perto da loucura dos sinos.

mariagomes
22abril2008
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quando ao mar me dou, e entre os peixes avisto os escolhos
recolho o nácar dos afogados;
sobre os tapetes do meu jardim,
ele é mais belo
que o abrasar de chuva que resplandece em ouro.

mariagomes
21.abril2008

a minha memória é um caminho, um pensamento apátrida,
o afecto, a pele desta palavra que
entre os palmares, nomeia a propensão da água,
a linha azul de todos os lugares.

mariagomes
abril.2008
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segunda-feira, maio 19, 2008

dir-me-ás que não canto
tenho em mim a madrugada de todos os entardeceres
o rosto de um cântaro que o sol abandona em cruz

dir-me-ás que é de pedra a pele que se abriu aos homens
guardando a luz.

mariagomes
março, 2008

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Acerca de mim

A minha foto
Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
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