terça-feira, fevereiro 07, 2006

queria que nascesses da lua a deslumbrar as janelas
dantes um poema ardia dentro de ti

como uma expressão cabendo descalça
alagava-me os lábios
queria também que nesta terça-feira dia 7 de Fevereiro
não houvesse sirena única que me dissesse
o mar bateu cem vezes
em vezes por ti chamou
os pescadores foram à terra degolar a fome
porque na terra pai as alvas dilatam a memória

e agora a memória está outra vez a bater no mar
contra o silêncio das coisas obscuras.

mariagomes
7 Fev.2006

3 comentários:

r.e. disse...

por mais que o mundo um dia pegasse na força do mar e decidisse oprimir a beleza de encontro às rochas, como se fosse silêncio o grito das coisas, este seria sempre um refúgio, uma gruta acolhedora para o sublime - as tuas palavras são uma catedral. recolho-me aqui tantas vezes. beijinho. J.

Luís disse...

"como uma expressão cabendo descalça
alagava-me os lábios"
Perfeito!

Anónimo disse...

versos com muita força
bj cpfeio

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Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
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