sábado, agosto 21, 2004

os peixes vivos


Mãe
Veio uma canção camponesa sugerir o sul
Veio devagar com o vapor dos pássaros
Sopra lenta e solidamente sobre as minhas mãos
Sabes Mãe Eu só sei falar de mãos
Marés e ilhas sem pescadores
Sustentam-me ventos e bússolas
onde dormem os berços das crianças todas
Sustenta-me o hábito de trazer o verde As areias
As fotografias Os fogos extintos Por fora
As águas cheias de peixes
Os peixes vivos no convés da memória.

mariagomes
jul.2004

4 comentários:

Anónimo disse...

gosto muito deste teu poema.Beijo

Silvia Chueire disse...

Um belo poema, este.
Beijos

Da Mata disse...

O Poema é intrigante.
Lembrou-me de uma solidão.

mariagomes disse...

o meu agradecimento aos três
um beijo da
mariagomes

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Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
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