quinta-feira, janeiro 13, 2005




(...)
"Um verso bom não permite ser lido em voz baixa, ou em silêncio. Se pudermos fazê-lo, não é um verso válido: o verso exige ser pronunciado. O verso recorda sempre que foi uma arte oral antes de ser uma arte escrita, recorda que foi um canto.
Há duas frases que o confirmam. Uma é a de Homero ou a dos Gregos que denominamos por Homero, que diz na Odisseia: " os deuses tecem desventuras aos homens para que as gerações vindouras tenham alguma coisa que cantar". A outra, muito posterior, é de Mallarmé e repete o que disse Homero menos belamente: " tout aboutit en un livre" ( " tudo vai dar a um livro") Aqui temos as duas diferenças; os Gregos falam de gerações que cantam, Mallarmé fala de um objecto, de uma coisa entre as coisas, um livro. Mas a ideia é a mesma, a ideia de que nós somos feitos para a arte, somos feitos para a memória, somos feitos para a poesia ou possivelmente somos feitos para o esquecimento. Mas há algo que resta e esse algo é a história ou a poesia, que não são essencialmente diferentes." (...)

Jorge Luis Borges
in Sete Noites
obras completas volume III
editorial teorema

2 comentários:

Torquato da Luz disse...

"Somos feitos para a poesia". É isso. O Borges era mesmo um génio.

mariagomes disse...

sem dúvida, meu amigo!

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Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
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