
esta noite sonhei que comia, como antigamente,
em bolas, o pirão das lavadeiras...
lambuzava as mãos no molho da lata assente no fogareiro.
meu corpo de menina aquecia sentado numa pedra de luz
vinda do sol que secava peixe para a banda-sul das pescarias.
sonhei com esses dias, de gozar, na estrada estreita sem palmeiras,
ladeada por morros e mar. o mar que me batia!
(lembras-te, pai, do medo que eu tinha do mar?)
e sonhei também com os olhos abertos das cubatas
que sem pestanejar, me deixavam ver o escuro de pupilas.
de pupilas que não liam mas sabiam, e arregalavam-se aos
desenhos das nuvens e futuras trovoadas...
no meu sonho voltei a ser menina, comi o pirão das lavadeiras
e revi a insónia nos olhos das cubatas!
mariagomes
janeiro.2003
2 comentários:
Só quem passou por África pode apreciar verdadeiramente o teu poema. Angola?
claro que é, peter! pirão...cubatas... dizem tudo, não é?
um abraço
mariagomes
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