sexta-feira, janeiro 07, 2005

O Artista


Dublin 1854- Paris 1900



Uma noite, chegou à sua alma o desejo de moldar uma imagem d'O Prazer Que Nos Habita Um Só Momento. E lançou-se ao mundo para procurar bronze.
Mas todo o bronze da Terra tinha desaparecido; em parte nenhuma deste mundo existia metal desse que pudesse ser encontrado. A não ser o que cobria a imagem d'O Lamento Que Dura Para Sempre.
Na verdade, tinha ele mesmo, com as suas próprias mãos, criado e deposto esta imagem no túmulo da única coisa que alguma vez amara na vida. Na sepultura daquilo que antes de morrer mais amara, colocou ele esta imagem do seu criar, para que pudesse servir como um sinal do amor do homem que não morrerá nunca, e um símbolo do lamento do homem que durará para sempre. E em todo o mundo não havia outro bronze excepto o bronze desta imagem.
Ele pegou na imagem que tinha esculpido e colocou-a numa grande fornalha, entregando-a ao fogo.
E a partir do bronze da imagem d'O Lamento Que Dura Para Sempre criou uma imagem d'O Prazer Que Nos Habita Um Só Momento.


Oscar Wilde
"Poemas em Prosa"
trad. Possidónio Cachapa
Cavalo de Ferro Editores

1 comentário:

jose disse...

o autor me encanta. As suas palavras enchem de sonho quem as lê e medita no sol e na chuva dos sentimentos.
Como quem projecta uma luz sobre o triangulo da romã de vidro tudo resplandesce como um trovão.
O autor certo, no dia certo
um beijo
josé gil

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Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
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