
A Silvia Chueire do blog eugeniainthemeadow, perguntou-me numa Lista de Poesia como tinha surgido o poema que escrevi sem título, e eu disse-lhe que tinha surgido da música. Alguns dos meus poemas nascem da música que me fragiliza, e Piazzolla é um dos compositores que tem esse poder. Oiço-o até à exaustão, tocado de mil maneiras, seja pela Orquestra Filarmónica de Berlim, seja pela Orquestra do Teatro de Cólon. Há variadíssimas composições, fruto da fusão cultural que lhe é característica. Quando parece que tudo foi ouvido, surge uma nova versão ( e qual delas a mais bela?!)
Piazzolla é um adeus inacabado.
Ou um poema inacabado porque, numa outra oficina, Escritas, o Xavier Zarco e o José Félix, depois, escreveram:
ninguém morre de morte natural (1)
são decepadas as árvores
no consumismo das urbes.
só uma sílaba
percebeu o desígnio da morte
fugindo com vento
numa folha velha
de fuligem.
houve cânticos
no canavial da ravina.
josé félix
(1) jorge de sena
.../...
...e converter-se-á
semeados os lábios na sede
indagarão as secretas
águas dos templos
sobre a ara
a flor vermelha
as mãos em silêncio
do frio dos joelhos colherão
as sílabas de cada
uma
das suas pétalas...
Xavier Zarco
2 comentários:
a+deus in+acabado
não...
"piazolla" é feitiço
q sp ocorre
qdo nosso lado oculto
a descobrir
surge abrupto
em vulcão de nós....
Anónimo,
Piazzolla é feitiço, sim...
de um adeus inacabado.
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