sábado, julho 02, 2005

Piazzolla é um adeus inacabado




A Silvia Chueire do blog eugeniainthemeadow, perguntou-me numa Lista de Poesia como tinha surgido o poema que escrevi sem título, e eu disse-lhe que tinha surgido da música. Alguns dos meus poemas nascem da música que me fragiliza, e Piazzolla é um dos compositores que tem esse poder. Oiço-o até à exaustão, tocado de mil maneiras, seja pela Orquestra Filarmónica de Berlim, seja pela Orquestra do Teatro de Cólon. Há variadíssimas composições, fruto da fusão cultural que lhe é característica. Quando parece que tudo foi ouvido, surge uma nova versão ( e qual delas a mais bela?!)

Piazzolla é um adeus inacabado.

Ou um poema inacabado porque, numa outra oficina, Escritas, o Xavier Zarco e o José Félix, depois, escreveram:



ninguém morre de morte natural (1)


são decepadas as árvores
no consumismo das urbes.

só uma sílaba
percebeu o desígnio da morte
fugindo com vento
numa folha velha
de fuligem.

houve cânticos
no canavial da ravina.

josé félix

(1) jorge de sena


.../...


...e converter-se-á

semeados os lábios na sede
indagarão as secretas
águas dos templos

sobre a ara
a flor vermelha

as mãos em silêncio
do frio dos joelhos colherão
as sílabas de cada
uma
das suas pétalas...

Xavier Zarco




2 comentários:

Anónimo disse...

a+deus in+acabado

não...

"piazolla" é feitiço
q sp ocorre
qdo nosso lado oculto
a descobrir
surge abrupto
em vulcão de nós....

mariagomes disse...

Anónimo,
Piazzolla é feitiço, sim...
de um adeus inacabado.

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Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
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