sexta-feira, outubro 01, 2004

dúbios

I

eu sei. já fizemos o amor.
a tarde deitou-se sobre o corpo da cegueira.
vieram, depois, os olhos duplos do silêncio.
nada mais resta
que esta cadeira sonhada de nascentes dúbios.

II

hoje, responderam as estrelas;
uma criança, ausente, revelou uma palavra.
e a noite surgiu e caminhou para uma ideia.
declinou o verbo das coisas.
os fragmentos. a erosão. a cadeira.


III

eu sei. o amanhã está, incrivelmente,vivo.
vê como eu falo! sem sair
falo com o coração para fora. com o teu coração.
há poentes difíceis por dentro.
que as verdades inventam, a partir.


mariagomes
set.2004

1 comentário:

LetrasAoAcaso disse...

Maria Gomes, a sua poesia está impregnada de beleza.
Ter o privilégio de a ler é uma dádiva de deuses.
Minha amiga - permita-me que a trate assim - vir ao seu magnífico espaço é algo de transcendente.
Deixo-lhe um beijo respeitoso.

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Acerca de mim

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Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
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