segunda-feira, fevereiro 07, 2005

Ternura de Vinicius de Moraes





Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar [ extático da aurora.


Vinicius de Moraes

antologia "Vinicius de Moraes

- Poesia completa e prosa",
Editora Nova Aguilar
- Rio de Janeiro, 1998, pág. 259

2 comentários:

Márcia Maia disse...

Estes dois primeiros versos estão entre os mais belos que já li. Adoro este poema, desde a adolescência.
Beijo, amiga.

mariagomes disse...

concordo contigo.
é um poema inesquecível, sim.

um beijo
maria

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Podes entrar ; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas. Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores, são lúcidos ao início do sol. Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana. Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move, entre mim e ti, e a claridade. ____________mariagomes
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