
Romeu- (...) E ainda me dizeis que o exílio não é a morte?! Não tínheis vós um veneno activo, um punhal bem afiado, qualquer meio de morte repentina? Não teríeis para me matar senão esta palavra: " desterrado?" " Desterrado"! Essa palavra. Padre, emprega-na os condenados do inferno, acompanhando-a de gemidos. Como é que vós, um confessor espiritual, que absolveis os pecados, e que sois meu amigo declarado, tivestes coragem de me atormentardes com a palavra " desterro"?
Frei Lourenço- Oh insensato! Escuta-me um instante!
Romeu- Oh! Ides falar-me ainda de desterro?
Frei Lourenço- Vou dar-te uma armadura para te livrares dessa palavra. A filosofia, doce leite da adversidade, há-de consolar-te, apesar de desterrado.
Romeu- Apesar de desterrado? Que se enforque a filosofia! Se essa filosofia não pode criar uma Julieta, mudar de lugar uma cidade, revogar a sentença de um príncipe, de nada serve, nada vale. Não me faleis mais nisso.
Frei Lourenço- Agora vejo que os loucos não têm ouvidos.
Romeu- Como haviam eles de ter quando os sábios não têm olhos?
(...)
William Shakespeare
excerto de Acto III, Cena III ," ROMEU E JULIETA"
Colecção dirigida por Urbano Tavares Rodrigues.
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